Pessoas que utilizam cadeira de rodas e possuem lesão medular contam com uma alternativa científica para realizar avaliações físicas a distância. Um estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas comprovou que a aplicação do Teste de Tríceps em Cadeira de Rodas por videochamada sincronizada tem a mesma confiabilidade e precisão do exame presencial, eliminando a barreira logística de locomoção até clínicas especializadas.
O procedimento clínico mede a quantidade de elevações de tronco que o paciente consegue executar ao longo de 30 segundos, mantendo as mãos apoiadas nos braços da cadeira de rodas. Divulgado nesta quarta-feira (30), o estudo foi conduzido no Centro de Pesquisa e Inovação em Equidade, Educação Física Inclusiva e Esporte Paralímpico da Faculdade de Educação Física da Unicamp, unidade financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Como funciona a aplicacao do teste a distancia?
A teleavaliação exige apenas a conexão remota por vídeo entre o paciente em sua cadeira de rodas e o profissional de saúde, sem a necessidade de aparelhos complexos ou instrumentos adicionais. O indivíduo posiciona as mãos nos apoios da própria cadeira e realiza o movimento de subida e descida do tronco repetidamente no intervalo estipulado de meio minuto, sob a supervisão visual e contagem do especialista na tela.
Essa rotina afere a força funcional dos membros superiores, elemento determinante para que o indivíduo consiga executar ações essenciais da rotina, como a transferência de assento para a cama, para o carro ou para o vaso sanitário. A constatação de força reduzida nos testes serve de alerta para que os profissionais modifiquem os treinos terapêuticos e impeçam a perda progressiva da autonomia física dos participantes.
Continue lendo: Saque das Cotas do PIS/Pasep têm prazo de pedido para lote de outubro
Dados tecnicos da pesquisa desenvolvida na Unicamp
- Instituição executora: Universidade Estadual de Campinas
- Financiamento institucional: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
- Periódico de publicação internacional: Disability and Rehabilitation: Assistive Technology
- Duração de cada execução do exame motor: 30 segundos ininterruptos
- Repetições analisadas por participante: quatro medições, sendo duas presenciais e duas remotas
- Público voluntário participante: 20 pessoas com lesão medular e quadro de paraplegia
Papel da forca funcional nos programas de reabilitacao
O autor principal do estudo e doutorando em educação física na Unicamp, Rogério Virgínio dos Santos, explicou que a força muscular atua como um termômetro direto da reabilitação física. O artigo teve coautoria dos pesquisadores Renato Barroso e José Igor V. Oliveira, também vinculados aos quadros científicos da Faculdade de Educação Física da universidade paulista.
Saiba mais: Bolsa Família sobe 15,04% e piso atinge R$ 691 em outubro de 2026
“Por isso, ele funciona como um termômetro para que fisioterapeutas e educadores físicos possam aferir a força funcional, um fator importante para a autonomia da pessoa com lesão medular. Com base nos resultados, o educador físico ou fisioterapeuta pode decidir se precisa intensificar o treino de força ou mudar a estratégia de reabilitação. Caso sejam detectados baixos níveis de força, é possível prever dificuldades em realizar as atividades diárias”, afirmou Rogério Virgínio dos Santos.
A coordenadora do centro de pesquisa da Unicamp, professora Maria Luíza Tanure Alves, reforçou o impacto da validação técnica para quem enfrenta barreiras diárias nas cidades. Segundo a docente, a acessibilidade precária em vias públicas e a inadequação dos veículos de transporte coletivo costumam atrasar ou inviabilizar o tratamento de pacientes com paraplegia quando há exigência de acompanhamento presencial ininterrupto.
“É um teste simples, sem equipamentos, mas de grande utilidade para avaliar a força dos membros superiores, a autonomia no dia a dia e, sobretudo, a evolução do trabalho de reabilitação. O mais importante é que a possibilidade de aplicá-lo por videochamada permite acompanhar o paciente com mais frequência e sem deslocamentos desnecessários. O trajeto até o centro de reabilitação pode ser um grande obstáculo para pacientes, pois a acessibilidade nas cidades com calçadas impróprias e ônibus não adaptados pode ser um complicador para o tratamento”, declarou a professora Maria Luíza Tanure Alves.
Historico de escassez cientifica em telemedicina medular
A formulação do projeto começou com a verificação de que a literatura internacional carecia de dados consolidados sobre a confiabilidade de medições funcionais remotas em indivíduos com lesão na medula espinhal. Embora a teleassistência tenha se expandido em diversas áreas médicas nos últimos anos, os métodos de avaliação motora para usuários de cadeira de rodas ainda dependiam quase exclusivamente da verificação física presencial por falta de ensaios controlados de validação.
Veja também: INSS deposita benefício de setembro para segurados de final 5
O ensaio da Unicamp preencheu esse vazio investigativo ao comparar diretamente os índices coletados presencialmente no laboratório e a distância em 20 voluntários que completaram as etapas prescritas. A publicação original do artigo acadêmico ocorreu em 4 de abril de 2026 na revista Disability and Rehabilitation: Assistive Technology, confirmando a concordância estatística rigorosa entre os dois formatos de atendimento.
“O estudo preenche essa lacuna ao demonstrar que um teste funcional amplamente utilizado pode ser aplicado remotamente com rigor científico”, pontuou Maria Luíza Tanure Alves a respeito da robustez metodológica da averiguação.
Caminhos de monitoramento e futuros passos tecnologicos
O método validado orienta pacientes com paraplegia e equipes multiprofissionais de reabilitação a estruturarem sessões periódicas de avaliação por meio de chamadas de vídeo, estabelecendo ajustes periódicos nas cargas de atividade física sem gastos de transporte ou dependência de veículos acessíveis. A adesão ao modelo depende da supervisão de fisioterapeutas ou profissionais de educação física credenciados aos centros terapêuticos.
Acompanhe: TSE e INSS confirmam validação da prova de vida por meio do voto
Os pesquisadores planejam ampliar o contingente de pacientes avaliados em etapas posteriores da investigação científica. A equipe também estuda a inclusão futura de dispositivos com sensores de movimento e sistemas automatizados nas análises remotas, propostas que ainda não possuem cronograma de execução divulgado pelos autores.
