Catedral da Sé esconde esculturas da fauna brasileira em colunas

Catedral da Sé em São Paulo - Alf Ribeiro / Shutterstock.comCatedral da Sé em São Paulo - Alf Ribeiro / Shutterstock.com

Catedral da Sé em São Paulo - Alf Ribeiro / Shutterstock.com

A Catedral Metropolitana de São Paulo guarda em seus capitéis, colunas e fachada esculturas detalhadas de animais da fauna e plantas nativas do território brasileiro. Os ornamentos passam despercebidos por parte dos visitantes do centro paulistano, mas integram a estrutura artística do monumento religioso localizado na Praça da Sé, ponto definido como o marco zero geográfico da capital desde 1934.

As peças de pedra retratam espécies como tatu, tucano, garça, sapo, morcego e lagarto, além de elementos da vegetação nacional como café, cacau, caju, maracujá e jabuticaba. A presença das espécies no edifício religioso concebeu o estilo chamado de gótico à brasileira, adaptando a linguagem arquitetônica de matriz europeia ao inventário natural do país.

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Fauna da Catedral da Sé representa os quatro elementos da criação

O simbolismo teológico das figuras foi articulado logo na entrada principal do templo histórico. De acordo com o guia de turismo Bruno Anjos, os quatro animais posicionados no salão de entrada representam os quatro elementos da criação do mundo na tradição cristã: o tatu simboliza a terra, a garça retrata a água, o tucano corresponde ao ar e a salamandra, identificada popularmente como lagarto, faz a representação direta do fogo. O arquiteto Rodrigo Ramos apontou que essa composição ornamental buscou fixar uma identidade própria e nacional para a edificação, mesclando as referências bíblicas com a natureza tropical.

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A classificação zoológica das peças também gera análises complementares entre pesquisadores. Enquanto a tradição oral e as visitas guiadas apontam tucanos, garças e lagartos, estudos visuais observam semelhanças com aves como araçaris e curicacas, além de répteis semelhantes ao teiú.

História da construção da Catedral da Sé desde 1954

O projeto do templo foi concebido pelo engenheiro e arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, falecido em 1916. A construção seguiu um estilo eclético com predominância neogótica e uma ampla cúpula com referências do Renascimento italiano. O edifício foi inaugurado oficialmente em 25 de janeiro de 1954, data que marcou as celebrações públicas do IV Centenário da cidade de São Paulo, substituindo uma antiga matriz que ocupava o mesmo terreno no período colonial. Ao comentar o desenho da nave central e da abóbada, o administrador da Catedral da Sé, Fernando Meli, explicou o significado da estrutura: “Teologicamente, é a representação de uma barriga. A igreja é mãe”.

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Dimensões e estrutura da Catedral Metropolitana de São Paulo

  • Comprimento total da nave: 111 metros
  • Largura do edifício: 46 metros
  • Capacidade de público: 900 pessoas sentadas
  • Altura da cúpula sobre o cruzeiro: 62 metros
  • Diâmetro da cúpula octogonal: 27 metros
  • Órgão Balbiani Vegezzi: cerca de 10 mil tubos instalados

A identidade e a relação nominal de todos os artesãos e canteiros que talharam individualmente cada bloco de pedra e capitel não constam detalhadas nos registros preservados pela administração do templo.