O pagamento de benefícios corporativos por aproximação via celular disparou entre trabalhadores brasileiros, com crescimento acelerado nas plataformas iFood Benefícios, Flash, Ticket e Caju. O avanço reflete a consolidação dos smartphones como ferramenta diária para alimentação e compras corporativas, impulsionado pela adesão da Geração Z e pela digitalização dos serviços financeiros no país.
No iFood Benefícios, a quantidade de usuários que utilizam o saldo corporativo em lojas físicas encostando o celular na máquina de cartão aumentou mais de 200% entre janeiro de 2025 e maio de 2026. A empresa informou que os números evidenciam uma “mudança estrutural de hábito” no ambiente de trabalho, transformando o smartphone em “meio de pagamento preferido, não mais uma alternativa” para um em cada três colaboradores atendidos.
Como os cartões de benefícios funcionam nas carteiras digitais?
Os serviços de benefícios corporativos oferecem integração direta com os aplicativos Apple Pay, Google Wallet e Samsung Wallet, permitindo que os funcionários cadastrem seus cartões de alimentação, refeição ou flexíveis diretamente no sistema operacional do aparelho. Com a tecnologia de comunicação por campo de proximidade, conhecida pela sigla em inglês NFC, a transação presencial é realizada com a aproximação do smartphone do terminal de pagamento, dispensando o plástico físico e exigindo autenticação biométrica por impressão digital ou reconhecimento facial.
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As quatro principais fornecedoras do setor registram indicadores crescentes de adesão e de volume financeiro movimentado por essa modalidade:
- iFood Benefícios: crescimento superior a 200% no número de usuários ativos em lojas físicas e presença consolidada em um terço da base de trabalhadores atendidos;
- Flash: avanço de cerca de 180% no volume financeiro transacionado por carteiras virtuais em 18 meses, alcançando 35% de todas as compras registradas;
- Ticket: ampliação de 70% na quantidade de cartões cadastrados em carteiras digitais em comparação com 2025, com adesão de 28% da base total;
- Caju: fatia de 36,6% das operações realizadas via Apple Pay, Google Wallet e Samsung Wallet, com expansão de 21% no volume entre 2025 e 2026 e retenção de 80% dos usuários.
Adesão na Flash e no Caju confirma transformação de hábitos
Na Flash, a digitalização dos pagamentos atingiu patamares operacionais significativos no intervalo de um ano e meio. Em nota enviada à reportagem nesta terça-feira (29), a empresa declarou que “os dados mostram que as carteiras digitais já representam uma parcela relevante e crescente do uso do cartão Flash, consolidando esse formato como uma alternativa cada vez mais presente no dia a dia dos usuários”.
A Caju identificou que a Geração Z lidera a virada tecnológica no ambiente corporativo, sendo a única faixa etária em que o volume de transações digitais já supera o uso do cartão físico tradicional. O levantamento da operadora apontou que oito em cada dez trabalhadores que experimentam o pagamento por aproximação pelo celular mantêm o uso regular do recurso nas compras seguintes, sem retornar ao plástico convencional.
Na Ticket, a expansão de 70% nos cartões adicionados a carteiras móveis em 2026 em relação ao ano anterior reforça a preferência dos usuários pela agilidade nas refeições diárias e na compra de mantimentos em supermercados credenciados em todo o território nacional.
Pesquisa da Abecs aponta expansão nacional do pagamento móvel
O avanço registrado nas operadoras de benefícios acompanha a digitalização dos meios de pagamento em âmbito nacional apurada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços. Em levantamento realizado pelo Instituto Datafolha em junho de 2026 e divulgado pela entidade na terça-feira, 22 de setembro de 2026, 41% dos consumidores brasileiros que pagam por aproximação já usam o celular para concluir as transações, proporção que era de 30% em 2024.
A adesão varia de acordo com o perfil demográfico, socioeconômico e etário dos consumidores em todo o país. O uso do smartphone para efetuar pagamentos por aproximação atinge 62% entre jovens com idade entre 18 e 24 anos e marca 60% na faixa etária de 25 a 34 anos. A pesquisa constatou também maior penetração nas classes econômicas A e B, com 52% de adesão, e entre consumidores com ensino superior completo, grupo no qual o índice chega a 50% dos entrevistados.
Apesar do ritmo acelerado das carteiras virtuais, o cartão físico tradicional continua como o instrumento mais utilizado pela população brasileira, sendo a escolha de 65% das pessoas que realizam pagamentos por aproximação. A convivência entre os dois modelos permanece estável enquanto a tecnologia avança sobre o comércio presencial.
Movimentação bilionária por aproximação no primeiro trimestre de 2026
Os pagamentos presenciais por aproximação movimentaram R$ 504,8 bilhões no Brasil entre janeiro e março de 2026, montante que representou uma alta de 19,3% sobre o mesmo período do ano anterior. Essa modalidade respondeu por 74,8% de todas as transações feitas presencialmente com cartões no comércio nacional no primeiro trimestre, comprovando a rápida transição iniciada há cinco anos, quando o formato respondia por apenas 8% das operações.
Do montante global registrado no primeiro trimestre de 2026, a função crédito movimentou R$ 303,4 bilhões, a função débito representou R$ 131,8 bilhões e os cartões pré-pagos somaram R$ 69,6 bilhões em compras por aproximação no país.
Os volumes financeiros totais absolutos em reais transacionados especificamente por cada emissora de benefícios via carteiras digitais não foram divulgados pelas empresas iFood Benefícios, Flash, Ticket e Caju, que mantiveram reservados os números globais de faturamento e restringiram a apresentação pública aos índices percentuais de crescimento e participação de mercado.
