Super El Niño atinge recorde de calor no oceano Pacífico

Tempestade El Niño - lixu/Istock.comTempestade El Niño - lixu/Istock.com

Tempestade El Niño - lixu/Istock.com

O fenômeno Super El Niño alcançou a maior anomalia de temperatura da era moderna na região Niño 3.4 do oceano Pacífico Equatorial Central, ao marcar +3,1°C acima da média. O registro semanal supera a marca anterior de +3,0°C observada em novembro de 2015 e posiciona o atual evento de 2026-2027 em patamar inédito de aquecimento das águas oceânicas.

Os dados divulgados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), com data de referência em 21 de setembro de 2026, foram analisados pela MetSul Meteorologia na segunda-feira (28). Apesar do valor histórico medido no mar, a meteorologista Estael Sias esclarece que o aquecimento extremo não provoca necessariamente uma repetição dos desastres meteorológicos enfrentados pelo Rio Grande do Sul.

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MetSul avalia comportamento do Super El Niño no Sul do país

Foto: El Niño – Thrive Studios ID/shutterstock.com

“Além de cada evento se manifestar de forma distinta em seus efeitos, em 2024 atuavam outros vários fatores concomitantes ao El Niño e que foram responsáveis por criar o cenário climático que levou à catástrofe, uma “tempestade perfeita” de fatores, e que não necessariamente podem se reunir novamente”, explicou Estael Sias, meteorologista e sócia-diretora da MetSul Meteorologia

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A especialista destacou que a intensidade do fenômeno oceânico não mantém uma relação linear com a dimensão dos prejuízos verificados em solo brasileiro. Segundo a meteorologista, “um El Niño recorde agrava o risco de uma repetição de 2024, mas não necessariamente significa, pela intensidade, que haverá uma repetição do desastre de dois anos atrás”.

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Índices térmicos e projeções para o Super El Niño de 2026

O evento atual superou o patamar mínimo de +2,0°C que baliza a classificação de episódios de intensidade muito forte ainda no início de julho de 2026. Além disso, projeções de modelos climáticos globais indicam que o ápice térmico deste ciclo deve ocorrer entre novembro e dezembro de 2026, com potencial para anomalias ainda mais elevadas antes da transição sazonal.

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  • +3,1°C: anomalia semanal de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 aferida pela NOAA em 21 de setembro de 2026
  • +3,0°C: recorde histórico semanal anterior, medido em 18 de novembro de 2015
  • +2,6°C: pico semanal alcançado no episódio de Super El Niño em 29 de dezembro de 1982
  • +2,0°C: patamar mínimo para categorização técnica de El Niño de intensidade muito forte
  • +4,0°C: anomalia máxima projetada por modelos climáticos para o ápice do evento no fim de 2026
  • 10°C: desvio de temperatura subsuperficial registrado no núcleo da onda Kelvin descendente

Histórico de impactos regionais do El Niño no Sul

Os registros meteorológicos mostram que episódios de forte intensidade geraram desfechos distintos em cada localidade da Região Sul nas últimas décadas. No período de 1982-1983, as inundações mais severas se concentraram em Santa Catarina, sobretudo no Vale do Itajaí. Durante o ciclo de 1997-1998, as precipitações mais volumosas atingiram a Fronteira Oeste e a Bacia do Rio Uruguai, em território gaúcho.

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Entre 2023 e 2024, quase a totalidade dos municípios do Rio Grande do Sul e a Região Metropolitana de Porto Alegre sofreram impactos extremos devido à conjunção de bloqueios atmosféricos com o aquecimento das águas. Outro detalhe do padrão histórico é que as duas maiores cheias documentadas no estado, em 1941 e em maio de 2024, ocorreram durante o outono do segundo ano do ciclo climático, e não no ano de início da fase de aquecimento.

Ainda não há confirmação técnica sobre a ocorrência de cheias da mesma magnitude nos próximos meses no Sul do Brasil, pois a configuração final das chuvas dependerá da formação de frentes frias e bloqueios atmosféricos previstos para atuar até o outono de 2027.