Um voo da companhia aérea Flydubai que seguia de Dubai para Tel Aviv fez um pouso forçado em Tabuk, na Arábia Saudita, nesta quarta-feira (30), após o copiloto esfaquear o comandante dentro da cabine de comando. Autoridades de segurança de Israel passaram a investigar o episódio sob a suspeita de tentativa de atentado terrorista com o objetivo de derrubar a aeronave comercial.
O Boeing 737 sofreu uma perda estimada de 14 mil pés de altitude em poucos segundos durante o confronto na cabine, antes que o avião pudesse ser estabilizado e direcionado ao território saudita. “O incidente está sob controle e todas as medidas estão sendo tomadas para garantir o retorno seguro dos passageiros israelenses a Israel”, declarou o Gabinete do Primeiro-Ministro de Israel.
Luta corporal e intervenção a bordo do Boeing 737
O ataque com faca aconteceu na fronteira entre o espaço aéreo da Jordânia e da Arábia Saudita, deflagrando uma intensa briga física entre os responsáveis pela operação do voo FZ1073. Ao perceberem a desestabilização da aeronave e os barulhos vindos da cabine, passageiros e pilotos que viajavam à paisana intervieram diretamente no compartimento dos pilotos para imobilizar e conter o copiloto agressor.
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Entre as pessoas a bordo, o clima foi descrito como de desespero imediato diante da movimentação repentina e da abertura das portas do controle de voo. “Nós apenas ouvimos gritos. Então a porta da cabine se abriu e vimos uma enorme quantidade de sangue”, afirmou a passageira israelense Miriam. A viajante relatou a gravidade da situação nos momentos de confronto: “Houve momentos em que todos nós aqui tínhamos certeza de que não sairíamos vivos”. A mãe da passageira, Yasmin Abukasis, confirmou os relatos de violência que antecederam o pouso.
Durante a perda abrupta de altitude e o início da briga, os sistemas do Boeing 737 enviaram sinais automáticos de emergência aos centros de monitoramento aéreo regional, alertando controladores civis e forças militares sobre o perigo na cabine.
- 7700: código internacional acionado inicialmente para comunicar emergência geral aos radares de controle
- 7500: código transponder emitido em seguida para indicar interferência ilícita ou ameaça de sequestro a bordo
Como as autoridades de Israel e da Arábia Saudita reagiram?
A emissão do código transponder 7500 disparou alertas máximos nos sistemas de defesa israelenses, provocando o acionamento de caças militares pela Força Aérea de Israel para interceptar e escoltar o Boeing 737 até o seu pouso planejado. As aeronaves militares foram desmobilizadas e retornaram à base assim que o avião comercial teve sua rota redefinida em direção à Arábia Saudita e as primeiras informações operacionais foram esclarecidas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cancelou os compromissos previstos na sua agenda oficial nesta quarta-feira para coordenar reuniões emergenciais com chefes de segurança e de inteligência. A aeronave tocou o solo às 09:45, no horário local da Arábia Saudita, no Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz, localizado na cidade de Tabuk. O comandante e o copiloto sofreram ferimentos corporais durante a briga com faca e foram levados diretamente a hospitais sauditas sob custódia médica.
A operação de atendimento e recepção mobilizou equipes terrestres em solo saudita para garantir a segurança dos ocupantes e avaliar as condições físicas das pessoas a bordo.
- Aeroporto Internacional de Dubai: ponto de decolagem original da aeronave da Flydubai
- Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz: terminal de pouso forçado em Tabuk, Arábia Saudita
- Aeroporto Ben Gurion: terminal em Tel Aviv que seria o destino final do voo
Rotas aéreas diplomáticas entre Emirados Árabes Unidos e Israel
Os voos regulares entre os Emirados Árabes Unidos e Israel ocorrem desde a assinatura dos Acordos de Abraão, firmados em 2020, que formalizaram e normalizaram as relações diplomáticas entre as duas nações. Apesar de não manter laços diplomáticos oficiais com o governo israelense, a Arábia Saudita concede permissão para que aeronaves comerciais façam o sobrevoo de seu território em rotas de ligação com Israel, o que viabilizou a autorização imediata para o pouso em Tabuk.
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Há divergência entre as fontes sobre o total de viajantes que ocupavam os assentos: relatos israelenses apontam cerca de 150 passageiros a bordo, enquanto informes operacionais registram entre 160 e 180 pessoas. Também existem relatos contraditórios sobre a origem dos tripulantes, com versões citando profissionais russos e ucranianos, e canais de inteligência indicando que o comandante pertence aos Emirados Árabes Unidos.
Os investigadores ainda trabalham para determinar a motivação definitiva do copiloto, avaliando se o episódio decorreu de uma desavença pessoal grave, tentativa de suicídio ou atentado terrorista com motivação política. A identidade oficial dos dois pilotos não foi divulgada pelas autoridades sauditas ou israelenses até a conclusão do atendimento médico em Tabuk.
