Planos de adaptação climática para Santa Catarina entraram no centro das cobranças de especialistas e movimentos socioambientais após a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil emitir alerta para a atuação do fenômeno El Niño em intensidade muito forte. A previsão técnica aponta chuvas acima da média histórica e tempestades severas em território catarinense entre outubro e novembro de 2026.
O aviso meteorológico foi consolidado na terça-feira, 29 de setembro de 2026, durante o 246º Fórum Climático Catarinense, promovido em conjunto pela Defesa Civil estadual e pela Epagri/Ciram. O diagnóstico apontou alterações térmicas expressivas nas águas marítimas que regulam a dinâmica atmosférica regional.
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Defesa Civil mede anomalia de 2,2 °C no Pacífico Equatorial
A classificação do El Niño como muito forte decorre do aquecimento acelerado das águas oceânicas. A meteorologista da Defesa Civil Nicolle Reis detalhou os parâmetros técnicos registrados pelos sensores: “Para essa categoria, as anomalias da temperatura da superfície do mar precisam atingir ou superar o patamar de 2 °C. Na última semana, esse valor chegou a 2,2 °C, o que já permite considerar o fenômeno como de intensidade muito forte.”
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O engenheiro ambiental John Wurdig, do Instituto Internacional Arayara, explicou que a Região Sul funciona como uma porta de entrada para fenômenos extremos no país. O especialista pontuou que o estado enfrenta formações rápidas de vendavais, tempestades de granizo e ciclones, demandando protocolos ágeis de resposta e sistemas eficientes de comunicação pública para proteger as comunidades situadas em áreas suscetíveis.
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Especialistas da UFSC e Alesc defendem prevenção urbana
Para a advogada ambientalista Isabel Pinheiro de Paula Couto, coordenadora de Sustentabilidade e Acessibilidade da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), as administrações públicas precisam integrar o mapeamento geológico às diretrizes de expansão imobiliária: “A adaptação climática não pode ser uma política para depois do desastre. Ela precisa estar também no próprio planejamento das cidades. Em Florianópolis, primeiro precisamos conhecer bem as áreas de risco e depois incorporar esse conhecimento às decisões sobre onde e como a cidade pode crescer.”
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O biólogo marinho e oceanógrafo Paulo César de Oliveira Rosman Horta, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ressaltou a urgência de remodelar a infraestrutura das cidades contra os picos de calor decorrentes do aquecimento global somado ao fenômeno: “A cidade, portanto, tem que se adaptar a essas ondas de calor. Nós precisamos de mais pontos de hidratação e de arrefecimento do território. Isso pode se dar por áreas verdes ou por áreas que chamamos de oásis urbanos – onde se tem, além da hidratação, diferentes formas de diminuir a temperatura inspiradas na natureza e com baixo custo energético.”
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Marcha em Florianópolis e os planos de governo para 2026
No sábado, 26 de setembro de 2026, a Marcha pelo Clima de Florianópolis reuniu coletivos no Largo da Alfândega para reivindicar a contenção de encostas e a preservação de manguezais. A manifestação também criticou o descompasso entre a legislação urbana e a Lei Federal nº 12.608/2012, que determina a inclusão mandatória de mapeamento de áreas de risco nos Planos Diretores municipais.
O cenário das propostas registradas para o governo estadual apresenta diferenças metodológicas entre os postulantes:
- Jorginho Mello (PL): o plano do candidato à reeleição não inclui diretrizes nominais de adaptação climática e limita a intervenção ambiental à expansão do programa Mais Verde, voltado a produtores rurais.
- João Rodrigues (PSD): incorpora o eixo ambiental em desenvolvimento sustentável, com medidas focadas em resposta rápida a emergências, contenção de cheias e saneamento.
- Gelson Merísio (PSB): dedica o primeiro eixo do documento à crise do clima e prevê orientar a expansão do uso do solo e o zoneamento regional para áreas seguras.
Pesquisa eleitoral da Quaest e calendário de votação
Levantamento divulgado pelo Instituto Quaest na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, com 804 eleitores em Santa Catarina, apontou o governador Jorginho Mello na liderança com 54% das intenções de voto no primeiro turno. João Rodrigues registrou 13%, Gelson Merísio marcou 10% e os indecisos somaram 15%. Nas simulações de segundo turno, Jorginho Mello marcou 58% contra 23% de Rodrigues e 66% contra 15% de Merísio.
Ainda não há confirmação externa independente a respeito de trechos literais além das análises iniciais divulgadas sobre as propostas dos concorrentes. O Instituto Quaest tem nova rodada de pesquisa programada para sábado, 3 de outubro de 2026, na véspera da votação do primeiro turno marcada para domingo, 4 de outubro de 2026, a partir das 08:00.
