A Polícia Civil de Candelária investiga três suspeitos pelo assassinato a facadas da empresária Patrícia Cristina Pereira, de 31 anos, e da filha Karolayne Cristina Costa, de 13 anos. O crime ocorreu dentro de casa na localidade rural de Vila Passa Sete, a 180 quilômetros de Porto Alegre. Os investigadores apuram se o ataque possui relação com a morte dos pais de Patrícia, assassinados há 14 anos na mesma área.
Até esta quinta-feira (1), nenhum dos investigados havia sido preso. A apuração aponta que a mãe era o alvo principal e a adolescente morreu por estar no imóvel. Embora três nomes estejam sob averiguação, elementos recolhidos pela polícia sugerem a atuação direta de um único executor.
Acompanhe: Homem acusado de matar adolescente a facadas é preso em Encantado; polícia investiga feminicídio
O Instituto-Geral de Perícias descartou tiros e confirmou que os golpes foram de arma branca. Karolayne tinha um corte profundo no pescoço, enquanto Patrícia sofreu múltiplas lesões. As portas tinham sinais de arrombamento, mas a arma não foi encontrada. O imóvel fica em local isolado, a 8 quilômetros do centro, sem vizinhos nem câmeras.
Investigação da Polícia Civil sobre as mortes em Candelária
- Domingo (27 de setembro de 2026): Último contato telefônico das vítimas e última data em que foram vistas.
- Terça-feira (29 de setembro de 2026): Babá localiza os corpos com ferimentos de faca na casa e aciona a polícia.
- Quarta-feira (30 de setembro de 2026): Vítimas são sepultadas às 14h no Cemitério Municipal do Bairro Marilene.
- Quinta-feira (1 de outubro de 2026): Perícia confirma morte por arma branca e agentes apuram histórico de ameaça registrado em 1 de dezembro de 2025.
A localização ocorreu após a babá não conseguir contato telefônico com Patrícia desde domingo. A funcionária cuidava dos outros três filhos da mulher — gêmeos de 9 meses e uma menina de 10 anos. Ao ir à residência na terça-feira, encontrou os corpos. A Brigada Militar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e a perícia constataram os óbitos no local.
Leia também: Perícia confirma calmante no sangue de casal assassinado por diarista em BH e identifica carro usado na fuga
Após o crime, os gêmeos foram entregues pelo Conselho Tutelar ao pai, de quem Patrícia estava separada havia cerca de cinco meses. A filha de 10 anos permaneceu com a babá. A polícia analisa a rotina da vítima, dona de uma casa noturna próxima, e uma denúncia de ameaça registrada por ela em 1 de dezembro de 2025.
O delegado Paulo César Schirrmann afirmou que apura duplo homicídio e feminicídio. “Quando começamos o dia, nós tínhamos inclusive três suspeitos. Até o momento nenhum deles foi descartado”, disse. Ele declarou que a polícia “não descarta nenhum tipo de investigação, nenhum tipo de relação que a vítima possa ter na sua vida pessoal” e que “o crime foi bastante brutal, com bastante violência”.
Morte dos pais de Patrícia em 2012 e condenação de vizinhos
A polícia apura eventual ligação com a morte dos pais de Patrícia, Sérgio Antônio Pereira e Roseli Rosa. Em 9 de abril de 2012, o casal foi morto a tiros em Passa Sete quando voltava da delegacia após prestar queixa por ameaça. Em 2015, o Tribunal do Júri condenou dois vizinhos, pai e filho, pelas mortes motivadas por disputa familiar.
O inquérito prossegue para localizar a arma branca e definir o autor e a motivação. Até o momento, nenhum laudo comprova vínculo formal entre o ataque de 2012 e as mortes na residência.
