Filme Cana lidera premiação do 59º Festival de Brasília com cinco troféus

Cenários do interior de São Paulo fazem parte da narrativa do curta produzido em Assis - Divulgação/Oeste CinemaCenários do interior de São Paulo fazem parte da narrativa do curta produzido em Assis - Divulgação/Oeste Cinema

Cenários do interior de São Paulo fazem parte da narrativa do curta produzido em Assis - Divulgação/Oeste Cinema

O curta-metragem Cana consagrou-se como a produção mais laureada da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ao receber cinco troféus durante a cerimônia de encerramento no Cine Brasília. A obra, gravada no Oeste Paulista e dirigida por Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone, levou o Troféu Candango de Melhor Curta-Metragem concedido pelo Júri Oficial da Mostra Competitiva Nacional.

Além da vitória principal na categoria, a produção garantiu o Troféu Candango de Melhor Ator para Gerin Black e o de Melhor Trilha Sonora para a dupla de diretores. “Receber cinco prêmios no festival de cinema mais tradicional do país representa uma energização para aquilo tudo que temos construído em Assis, no Oeste Paulista”, afirmou Guilherme Xavier Ribeiro.

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Filme Cana: prêmios e detalhes da consagração no Cine Brasília

A cerimônia oficial de premiação ocorreu em 19 de setembro de 2026, data em que o festival encerrou suas atividades no Distrito Federal após uma semana de exibições iniciada em 15 de setembro de 2026.

  • Evento: 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
  • Local da premiação: Cine Brasília, em Brasília
  • Data da cerimônia: 19 de setembro de 2026
  • Principais prêmios: Troféu Candango de Melhor Curta-Metragem, Melhor Ator, Melhor Trilha Sonora, Prêmio da Crítica Abraccine e Prêmio Canal Brasil de Curtas
  • Direção e roteiro: Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone

Enredo de Cana retrata juventude periférica e monocultura regional

A narrativa acompanha a trajetória de dois jovens negros da periferia, interpretados por Gerin Black e Silas Pinheiro, que cruzam rodovias do interior a bordo de uma caminhonete de grande porte. Cercados pelas plantações de cana-de-açúcar características da paisagem local, os personagens vivenciam receios ligados à violência policial e discutem anseios sociais durante o percurso.

Segundo Daniel Rone, a ideia central nasceu de vivências pessoais no município paulista. “O Cana surge de histórias reais que eu vivenciei na região de Assis. Meus pais eram boias-frias, trabalharam no corte de cana durante a minha infância. Depois eu me mudei para a periferia de Assis, e a palavra Cana foi ganhando outros significados. É a forma como os jovens se referem à polícia, e à prisão, duas coisas que produzem muita tensão no jovem periférico que cresce afetado pela violência policial, e pela presença ostensiva do crime”, declarou o corroteirista.

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O diretor explicou ainda o simbolismo da paisagem agrária na construção dramática da obra. “A monocultura domina a economia do nosso território, que acaba oferecendo poucas opções de vocação e trabalho, e também o nosso imaginário sobre o que poderia ser diferente. O filme faz um exercício de imaginar uma reação da juventude a essas limitações”, disse Daniel Rone.

Produção de Cana mobilizou 60 profissionais e parcerias internacionais

A realização do projeto exigiu 3 anos de trabalho contínuo, tendo sido escrito em 2023, filmado entre 2024 e 2025 e finalizado em 2026. A execução foi conduzida pela produtora Oeste Cinema, sediada em Assis, em coprodução com a Kinopus, de Londrina, no Paraná, e a empresa francesa Filmo 2, encarregada dos custos de pós-produção.

O trabalho teve suporte do Polo Audiovisual do Velho Oeste e financiamento de editais públicos, por meio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e da Lei Paulo Gustavo no âmbito municipal de Assis. Cerca de 60 trabalhadores remunerados integraram a equipe técnica e artística ao longo das etapas de gravação.

Na formação de mão de obra regional, o Polo Audiovisual do Velho Oeste já capacitou mais de 700 alunos em oficinas cinematográficas nos últimos quatro anos, atendendo escolas, comunidades periféricas, aldeias indígenas e assentamentos rurais do Vale do Paranapanema.

Trajetória dos diretores de Cana e histórico de premiações

Antes de concorrer na capital federal com a nova obra, Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone dirigiram juntos o curta Ainda Restarão Robôs nas Ruas do Interior Profundo. O trabalho anterior alcançou projeção internacional ao ser selecionado para o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, além de ser finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e vencer o Prêmio Canal Brasil de Curtas.

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No 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Cana recebeu também o Prêmio da Crítica Abraccine, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, e o Prêmio Canal Brasil de Curtas. Entre os troféus da mostra competitiva de curtas, o filme só não obteve a escolha do Júri Popular, vencida pela animação cearense Lagoa do Abandono, dirigida por Diego Maia. Na disputa de longas-metragens da mesma edição, o Troféu Candango pelo Júri Oficial ficou com Se Eu Fosse Vivo… Vivia, do cineasta mineiro André Novais Oliveira.

Os valores financeiros correspondentes às premiações concedidas na categoria de curtas-metragens não foram divulgados pela organização do evento durante o encerramento da mostra.