Universidade de Nottingham desenvolve novo alto-falante rotativo

caixa de som - Ruslan Lytvyn/Shutterstock.comcaixa de som - Ruslan Lytvyn/Shutterstock.com

caixa de som - Ruslan Lytvyn/Shutterstock.com

Pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, desenvolveram um protótipo de alto-falante rotativo de estado sólido capaz de recriar o efeito acústico da clássica caixa Leslie sem utilizar nenhuma peça mecânica móvel. O equipamento substitui os antigos motores e correias por uma matriz circular de alto-falantes fixos controlada eletronicamente para simular a rotação sonora diretamente no ambiente.

O protótipo foi elaborado por Nicholas Wolstenholme durante sua pesquisa de mestrado em Engenharia, com orientação do professor assistente Fernando Pérez-Cota, do Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica da instituição. A demonstração funcional e os princípios operacionais do projeto foram publicados em 16 de setembro de 2026 no periódico científico Journal of the Audio Engineering Society, sob a identificação digital 10.17743/jaes.2026.0285.

Matriz circular de alto-falantes substitui motores e correias

Foto: caixa de som – Anetlanda/Shutterstock.com

O dispositivo criado em Nottingham altera a forma tradicional de modular frequências ao eliminar componentes físicos giratórios, como cornetas e anteparos refletores. No modelo experimental, os pesquisadores distribuíram alto-falantes em uma estrutura geométrica circular fixa, conduzindo o sinal de áudio eletronicamente de um ponto a outro da matriz para gerar a sensação de rotação espacial sem movimento mecânico.

Ao contrário dos emuladores de software e pedais de efeitos digitais comuns em estúdios de gravação, a tecnologia britânica executa a modulação de fase no ar, sobre as próprias ondas sonoras físicas enquanto elas se propagam em direção ao ouvinte. Essa característica acústica mantém a percepção de volume, profundidade e imersão espacial do sistema físico clássico, superando limitações sonoras associadas aos processadores que sintetizam o sinal antes de enviá-lo a uma caixa acústica convencional de saída estéreo ou mono.

“A modulação sonora para aplicações musicais é, ou acústico-mecânica, como o Leslie original, ou eletrônico-digital; não há meio-termo. Este trabalho representa a primeira tentativa de diluir essa fronteira”, afirmou Fernando Pérez-Cota em tradução livre sobre o projeto.

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Como funciona o alto-falante rotativo de estado sólido?

O circuito eletrônico comanda os transdutores da matriz circular de maneira sequencial contínua, transferindo a energia acústica entre os pontos com precisão de tempo. Esse deslocamento contínuo do sinal entre os múltiplos pontos emissores produz modulações físicas de frequência e amplitude no ambiente, incluindo os clássicos efeitos de vibrato, tremolo e Doppler.

Como a interação das ondas sonoras ocorre fora do circuito elétrico, na própria atmosfera da sala, o sistema atinge o mesmo comportamento espacial do ar deslocado por cornetas giratórias antigas. O desenvolvedor do protótipo ressaltou o alcance potencial da abordagem para a produção em estúdios e apresentações.

“Acreditamos que este conceito não só pode ser usado para obter modulação sonora como a do alto-falante Leslie, mas também representa um paradigma completamente novo em efeitos sonoros e modulação de som, com novas possibilidades. Ele tem o potencial de oferecer efeitos sonoros de alta qualidade a um custo e escala acessíveis a qualquer pessoa que faça música”, declarou Nicholas Wolstenholme em tradução livre.

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Evolução dos efeitos sonoros desde a década de 1940

A caixa de som rotativa original foi concebida pelo inventor norte-americano Donald Leslie nos anos 1940 com o objetivo inicial de enriquecer e dar amplitude ao timbre dos órgãos Hammond. Com o passar dos anos, o equipamento conquistou guitarristas e produtores musicais, tornando-se elemento central na sonoridade de bandas e artistas históricos do rock e do jazz, a exemplo de Pink Floyd, The Beatles, Jimi Hendrix e Soundgarden.

Apesar do timbre característico, os gabinetes mecânicos vintage exigem manutenção constante por causa do desgaste de correias, eixos e motores elétricos, além de apresentarem peso elevado e fragilidade que encarecem o transporte em turnês profissionais. Esses obstáculos logísticos impulsionaram, a partir da década de 1990, o avanço de emulações digitais, como plug-ins de áudio, pedais DSP, phasers e efeitos de coro. Contudo, muitos músicos continuaram apontando que os algoritmos digitais não reproduzem com fidelidade a complexidade das ondas que se cruzam no espaço físico.

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Dados da pesquisa da Universidade de Nottingham

  • Instituição responsável: Universidade de Nottingham, no Reino Unido
  • Autores do trabalho: Nicholas Wolstenholme e Fernando Pérez-Cota
  • Veículo de publicação: Journal of the Audio Engineering Society (JAES)
  • Identificador digital da publicação: DOI 10.17743/jaes.2026.0285
  • Data oficial da publicação científica: 16 de setembro de 2026

Os pesquisadores da Universidade de Nottingham não definiram uma data para disponibilização comercial do dispositivo nem estimaram preços para uma eventual versão voltada ao mercado de consumo musical. O sistema permanece por enquanto em estágio de protótipo acadêmico na Inglaterra, aguardando desdobramentos de engenharia para produção em escala industrial.