Polvos aprendem a usar espelhos para caçar presas escondidas

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Polvo - wrangel/ Istockphoto.com

Polvos da espécie Octopus bimaculoides conseguem interpretar o reflexo de espelhos para localizar e caçar presas fora da sua linha de visão direta. A descoberta foi realizada por cientistas do Dartmouth College, em Hanover, no estado de New Hampshire, nos Estados Unidos, marcando o primeiro registro documentado desse tipo de comportamento espacial em animais invertebrados.

O achado amplia a compreensão sobre a inteligência dos cefalópodes, separados dos vertebrados por um intervalo de 350 a 500 milhões de anos de evolução independente. Segundo a pesquisadora líder Mary Kieseler, doutora pela instituição norte-americana, os resultados demonstram de forma inédita que seres sem coluna vertebral empregam superfícies espelhadas para decodificar o ambiente imediato e alcançar alvos no espaço tridimensional.

Treinamento com espelho no Dartmouth College

Foto: Polvo – EXTREME-PHOTOGRAPHER/ Istockphoto.com

Para testar a capacidade cognitiva dos animais sem interferência de pistas químicas ou odores, os biólogos projetaram vídeos de caranguejos virtuais exibidos unicamente por meio de reflexos posicionados no aquário. O protocolo experimental exigiu adaptações progressivas para que os animais compreendessem que as imagens refletidas correspondiam a posições físicas reais situadas atrás de anteparos opacos, evitando que atacassem apenas o vidro.

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Durante as etapas preliminares, os moluscos avançavam diretamente contra a superfície refletora ao avistarem a imagem da presa. Após um período de aprendizado, os animais passaram a contornar o obstáculo físico e, na fase mais avançada do experimento, chegaram a escalar as divisórias verticais do compartimento para surpreender o caranguejo virtual a partir do topo, executando uma emboscada que exigiu mapeamento visual indireto.

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  • Fase 1: período de adaptação com a introdução de espelho plano no aquário individual
  • Fase 2: oferta de caranguejos vivos diante do espelho para estímulo à alimentação
  • Fase 3: posicionamento de presa atrás de anteparo opaco, visível somente pelo reflexo
  • Fase 4: projeção de presa virtual em compartimento fechado com observação indireta

Como os animais responderam aos testes visuais?

A pesquisa registrou taxas expressivas de sucesso durante as sessões laboratoriais conduzidas sem a presença visível de seres humanos no recinto de testes. Os animais necessitaram de uma sequência de repetições para abandonar o impulso inicial de captura direta sobre a superfície de vidro e adotar o trajeto correto rumo ao compartimento onde a projeção da presa estava situada.

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  • 10 indivíduos da espécie Octopus bimaculoides avaliados no Octopus Lab
  • 3 espécimes completaram com êxito todas as quatro etapas do experimento
  • 10 a 12 tentativas médias para os animais deixarem de atacar a superfície de vidro
  • 22 acertos em 30 investidas finais, atingindo índice de precisão de 73%

Navegação espacial difere de autorreconhecimento corporal

O estudo avaliou estritamente o uso da ferramenta para navegação e localização de alimento, sem atestar que os animais reconheçam a própria imagem refletida, teste clássico aplicado em espécies como golfinhos e elefantes. De acordo com o professor de neurociência cognitiva Peter Ulric Tse, orientador sênior do trabalho, humanos e outros animais não nascem sabendo operar um espelho, mas aprendem essa habilidade ao longo da interação com o meio ambiente.

Novos experimentos devem analisar como o sistema nervoso dos polvos processa a representação do espaço tridimensional para orientar decisões de deslocamento.