Apple altera permissões do macOS para impedir abusos de agentes autônomos de IA

Apple

Apple - rukawajung / Shutterstock.com

A Apple anunciou a criação de novas travas de segurança no recurso Acesso Total ao Disco do macOS para impedir que agentes autônomos de inteligência artificial acessem arquivos e registros confidenciais sem o consentimento direto do proprietário do computador. A medida exige ações explícitas para liberar permissões profundas e busca conter brechas operacionais em aplicativos instalados em Cupertino e em todo o mundo.

O comunicado oficial direcionado aos desenvolvedores foi publicado na sexta-feira (2) de outubro de 2026. Na nota, a fabricante explicou que a evolução rápida dos sistemas automatizados ampliou os riscos à privacidade: “À medida que os agentes de IA se tornam cada vez mais capazes e autônomos, os riscos associados a esse nível de acesso crescerão substancialmente”, afirmou a companhia, em tradução livre.

Mudança no macOS responde a caso de sincronização de mensagens

A decisão da fabricante ocorreu após o colunista de tecnologia Jason Aten, da revista Inc., relatar no sábado, 19 de setembro de 2026, que o agente de inteligência artificial Muse, desenvolvido pela Meta, realizou a leitura e a sincronização de conversas privadas mantidas no aplicativo Mensagens em um Mac Mini. O jornalista apontou que a transferência dos dados aconteceu sem que houvesse uma autorização prévia e perceptível da sua parte.

Confira também: Apple mantém 12 GB de RAM no iPhone 18 Pro após alta nos custos

Durante a apuração feita pelo colunista no sistema operacional, foi identificado que o agente da Meta sincronizou informações até a linha 187.462 da base de dados do aplicativo de mensagens da Apple. A situação levantou questionamentos no setor sobre a facilidade com que ferramentas de automação vinham obtendo autorizações irrestritas no computador.

Em comunicado aos desenvolvedores, a Apple alertou sobre os perigos desse modelo de autorização ampla. “Alguns desenvolvedores estão usando o Acesso Total ao Disco de maneiras que podem colocar os usuários em risco, expondo tudo em seus sistemas incluindo arquivos, e-mails, mensagens e até o histórico de navegação sem o pleno conhecimento e compreensão dos usuários”, pontuou a empresa, em tradução livre.

Meta contesta acusações e defende dupla checagem no Muse

A Meta contestou o relato do jornalista e negou que o Muse consiga acessar dados pessoais de maneira oculta. A empresa argumentou que o programa foi desenhado com travas que impedem a leitura de conteúdos caso o usuário não cumpra etapas manuais obrigatórias tanto no macOS quanto nas configurações internas da aplicação.

David Singleton, executivo da divisão Meta Superintelligence Labs e ex-diretor de tecnologia da Stripe, declarou publicamente que a integração exige ação voluntária do proprietário da máquina. “A integração com o Mensagens no aplicativo Muse para Mac é opcional. O seu Muse só pode ler o conteúdo do Mensagens se o Acesso Total ao Disco no nível do sistema macOS for concedido e o conector do Mensagens estiver ativado”, disse o executivo, em tradução livre. Andy Stone, vice-presidente de comunicações da Meta, também acompanhou as manifestações da empresa.

Acompanhe: Motorola lança Moto G37 no Brasil com conexão 5G a partir de R$ 999

Enquanto a Meta sustenta a impossibilidade técnica de o Muse extrair registros sem autorização dupla, analistas e o próprio jornalista Jason Aten afirmam que o processo induz o usuário ao erro e que a ferramenta realizou a captura dos dados sem uma concordância consciente do operador do sistema.

Histórico e falhas de segurança mapeadas em plataformas de inteligência artificial

O mecanismo Acesso Total ao Disco (Full Disk Access) foi introduzido originalmente no sistema operacional macOS 10.14 Mojave. O objetivo inicial da engenharia de software da Apple era permitir que utilitários de cópias de segurança, como o Time Machine, e softwares antivírus pudessem varrer unidades inteiras de armazenamento, superando o isolamento tradicional conhecido como sandbox.

Diferentemente do ecossistema do iOS presente no iPhone, que confina rigorosamente cada aplicativo em caixas de areia isoladas, o macOS mantém uma estrutura mais flexível para dar suporte a fluxos avançados de trabalho profissional. Contudo, essa flexibilidade tem sido explorada por vulnerabilidades recentes descobertas pela comunidade de cibersegurança.

  • Identificação da falha not-a-mused: o pesquisador de segurança Patrick Wardle, fundador da Objective-See Foundation, descobriu uma vulnerabilidade de dia zero no aplicativo Muse, da Meta, capaz de permitir a injeção de comandos e interceptação indevida.
  • Vulnerabilidade CVE-2026-100754: Patrick Wardle também localizou uma brecha crítica no aplicativo do ChatGPT para computadores Mac que possibilitava a tomada de controle do assistente e o acesso a históricos confidenciais.
  • Atualização 26.924.20706 da OpenAI: lançada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, a nova versão do ChatGPT para macOS corrigiu a vulnerabilidade catalogada CVE-2026-100754.

Leia também: Xiaomi 18 Ultra tem lançamento suspenso por custos elevados na China

Cronograma e etapas ainda indefinidas pela Apple

Diante do crescimento de incidentes envolvendo agentes autônomos, a Apple sustentou que passará a exigir barreiras adicionais para blindar as máquinas. “Daqui para frente, introduziremos controles adicionais para garantir que os usuários que genuinamente desejam conceder a um aplicativo esse nível extraordinário de acesso só possam fazê-lo por meio de uma ação muito explícita do usuário”, afirmou o comunicado técnico da fabricante, em tradução livre.

Apesar do posicionamento firme, a Apple ainda não especificou qual atualização do sistema operacional trará a nova interface de autorização e nem divulgou uma data exata para a liberação da barreira de segurança ao público geral. A empresa de tecnologia também não mencionou formalmente o aplicativo Muse ou a Meta no texto divulgado aos desenvolvedores.