Boletim Focus reduz projeção do PIB de 2026 e eleva IPCA para 5,01%

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investimento - Foto: ImageSymphony/Shutterstock.com

O Banco Central do Brasil divulgou o Boletim Focus com nova redução na estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 para 1,85%. Ao mesmo tempo, os analistas do mercado financeiro elevaram a projeção para a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para 5,01%, patamar que ultrapassa o teto estipulado pela meta oficial do governo federal.

A taxa básica de juros, a Selic, teve sua estimativa mantida em 13,50% ao ano até o encerramento de 2026, repetindo o patamar registrado na leitura anterior. No mercado de câmbio, a projeção mediana para a cotação da moeda norte-americana permaneceu estável em R$ 5,20 por dólar pela 16ª semana consecutiva.

Foto: Gráfico do mercado de ações financeiro – Foto: Diego Thomazini/istock

Principais números do Boletim Focus divulgados pelo Banco Central

  • Mediana do PIB para 2026: 1,85% (ante 1,86% na leitura anterior)
  • Projeção do IPCA para 2026: 5,01% (ante 4,99% na semana anterior)
  • Taxa Selic no encerramento de 2026: 13,50% ao ano
  • Cotação do dólar para o encerramento de 2026: R$ 5,20
  • Variação estimada para o IGP-M em 2026: 5,27% (ante 4,76%)
  • Superávit da balança comercial brasileira em 2026: US$ 78,3 bilhões (ante US$ 77,0 bilhões)

A pesquisa semanal recolheu os dados enviados pelas instituições financeiras até a sexta-feira (2) e consolidou a quarta redução consecutiva na expectativa para a expansão do PIB brasileiro em 2026. A alteração de 1,86% para 1,85% reflete uma sequência de ajustes graduais nas planilhas dos analistas privados, que também elevaram a expectativa para o superávit comercial do país de US$ 77,0 bilhões para US$ 78,3 bilhões no mesmo período. A estimativa para os preços administrados, grupo que reúne tarifas públicas e itens regulados pelo poder público, recuou de 4,63% para 4,61%, após ter registrado elevação na apuração anterior.

Projeção de 5,01% para o IPCA ultrapassa teto estipulado pelo CMN

O avanço da estimativa do IPCA de 4,99% para 5,01% marcou a terceira elevação consecutiva no relatório semanal e colocou o indicador acima do limite máximo estabelecido pelas diretrizes nacionais. No Brasil, o regime monetário estipulado pelo Conselho Monetário Nacional adota o sistema de meta contínua com centro fixado em 3,00% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o teto aceitável de variação de preços para a economia é de 4,50%, enquanto o piso é de 1,50%. Ao alcançar 5,01%, a estimativa dos economistas aponta para um descumprimento do intervalo estabelecido.

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Outro indicador inflacionário que teve expressiva revisão para cima foi o Índice Geral de Preços – Mercado, o IGP-M. A mediana das projeções para o índice em 2026 passou de 4,76% para 5,27%, registrando a quarta semana seguida de alta na consulta semanal realizada pela autoridade monetária em Brasília.

Expectativas econômicas para 2027 apontam PIB de 1,40% e Selic em 12%

Para o ano de 2027, as projeções compiladas pelo Banco Central também revelaram revisões no comportamento das principais variáveis macroeconômicas. A expectativa para o crescimento do PIB recuou de 1,41% para 1,40%, configurando a quarta semana consecutiva de redução nas expectativas para a atividade produtiva do período. A previsão para o IPCA foi ajustada para baixo, saindo de 4,31% para 4,30%.

Em relação aos custos do crédito e às negociações de moeda estrangeira em 2027, o mercado financeiro projetou a manutenção da taxa Selic em 12,00% ao ano, mesmo número apontado há 16 semanas. A cotação estimada para o dólar no término daquele exercício manteve-se em R$ 5,28 pela terceira semana consecutiva. Para os preços administrados em 2027, a estimativa do mercado subiu de 3,82% para 3,84%, enquanto a variação do IGP-M ficou estabilizada em 4,11% pela quarta semana consecutiva.

Para os anos seguintes que constam no levantamento do Banco Central, as estimativas apresentaram menor volatilidade. Em 2028, a previsão para a taxa básica de juros continuou em 10,50% ao ano pela 14ª semana seguida, enquanto o dólar permaneceu cotado em R$ 5,30 pela 11ª semana. O PIB projetado para 2028 variou de 1,83% para 1,81%, na segunda semana consecutiva de queda, e o IPCA permaneceu estável em 3,80% pela décima semana consecutiva. Em 2029, a Selic seguiu fixada em 10,00% pela 22ª semana, e o PIB projetado continuou em 2,00% pela 81ª semana.

Cenário oficial do Banco Central e próximos passos do calendário econômico

A visão do mercado financeiro para 2026 diverge ligeiramente do diagnóstico próprio apresentado pelo Banco Central. No Relatório de Política Monetária referente ao terceiro trimestre, a autoridade monetária estimou que a economia brasileira deve crescer 1,8% em 2026, taxa ligeiramente inferior à projeção de 1,85% apurada entre os analistas privados no Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 5 de outubro de 2026.

As projeções das instituições financeiras foram recolhidas até sexta-feira (2) para a formulação do relatório. O próximo indicador oficial de relevância para a trajetória inflacionária do país será apresentado na sexta-feira (9), quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, divulgará o resultado do IPCA referente a setembro.