A Alphabet, controladora do Google, acertou uma parceria comercial de 20 anos com a geradora Constellation Energy para viabilizar a adição de 890 megawatts de capacidade nuclear na rede elétrica dos Estados Unidos. O volume adicional virá de obras de modernização técnica, conhecidas no setor como uprates, distribuídas em 11 reatores nucleares já em operação comercial.
O empreendimento envolverá um investimento superior a US$ 4,3 bilhões assumido pela Constellation Energy para atualizar sistemas físicos e de engenharia digital nas centrais atômicas. A eletricidade ampliada entrará de maneira gradual no sistema operado pela PJM Interconnection, a maior operadora regional de transmissão do território norte-americano, que abastece 67 milhões de habitantes em 13 estados e no Distrito de Columbia.
Detalhes do contrato entre Google e Constellation Energy
- Capacidade adicional contratada: 890 megawatts firmes por meio de modernizações técnicas
- Investimento previsto pela geradora: mais de US$ 4,3 bilhões na atualização dos sistemas
- Prazo do contrato de compra de energia nova: 20 anos
- Volume da frota existente contratado: 2.700 megawatts por um período de 15 anos
- Total de energia combinada na parceria: 3.590 megawatts
- Instalações envolvidas: 11 reatores operacionais em seis usinas nucleares
- Impacto em postos de trabalho: manutenção de 4.400 empregos permanentes e abertura de 7.200 vagas durante as obras
Modernização de 11 reatores nucleares nos Estados Unidos
O plano de engenharia alcançará seis usinas atômicas situadas em três estados americanos. No estado de Illinois, as melhorias físicas serão executadas nas centrais nucleares de Braidwood, Byron, LaSalle e Quad Cities. Na Pensilvânia, as intervenções ocorrerão na usina de Limerick, enquanto em Nova Jersey as reformas atingirão a central de Salem, na qual a Constellation detém 43% de participação societária.
A estratégia de atualizar instalações em atividade permite contornar os prazos longos de licenciamento e construção de usinas novas, que costumam levar mais de uma década para entrar em funcionamento comercial. Com as melhorias em componentes como turbinas, geradores de vapor e sistemas de instrumentação, os reatores atuais conseguem produzir maior volume de eletricidade utilizando as conexões de transmissão que já estão integradas à rede regional da PJM.
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Paralelamente à expansão de 890 megawatts, a Alphabet firmou um segundo contrato com a Constellation, com duração de 15 anos, para a compra de 2.700 megawatts de eletricidade da frota de usinas que já opera normalmente na rede. Somados os dois acordos de fornecimento, a cooperação totaliza 3.590 megawatts destinados a abastecer as operações de computação e os centros de processamento de dados da empresa de tecnologia.
Uso de inteligência artificial da Alphabet na rede de energia
O pacote comercial inclui também uma aliança de cooperação tecnológica válida por cinco anos. Pelo acordo, a Constellation Energy integrará os serviços de nuvem do Google Cloud e a plataforma de modelos de inteligência artificial Gemini Enterprise para aprimorar os processos diários de planejamento da rede elétrica, otimização de despacho das centrais de geração e monitoramento preditivo das operações das usinas atômicas.
O presidente e diretor executivo da Constellation Energy, Joe Dominguez, defendeu a união entre o setor de tecnologia e a infraestrutura básica. “Preservar e expandir a produção da frota nuclear existente e desenvolver nova geração limpa é fundamental para atender às crescentes necessidades de energia de nossa nação, mantendo os custos acessíveis para residências e empresas”, afirmou Dominguez, em tradução livre. O executivo disse ainda que a colaboração de longo prazo com o Google
serve de parâmetro para a indústria desenvolver a economia digital com investimentos privados na malha energética.Pelo lado da empresa de tecnologia, a chefe global de Energia da Google, Amanda Peterson Corio, declarou que o compromisso busca suprir a expansão das operações sem comprometer a estabilidade do sistema público. “Nosso acordo com a Constellation para financiar melhorias em reatores nucleares fortalecerá a rede da PJM, que atende a 67 milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que protege a acessibilidade da energia e apoia empregos sindicais locais”, disse a executiva, em tradução livre.
Reação do mercado de ações e expansão de acordos nucleares
A divulgação do pacto provocou forte movimentação no mercado financeiro nesta terça-feira (6). Os papéis da Constellation Energy negociados na Bolsa de Valores de Nova York registraram valorização expressiva durante a sessão, com altas que variaram entre 12% e 15%. Já as ações ordinárias da Alphabet registraram variações mais moderadas no pregão regular, oscilando entre ligeira retração e ganhos entre 0,4% e 0,5%.
O anúncio reflete a corrida das empresas de tecnologia para garantir fornecimento ininterrupto e livre de emissões de carbono com o avanço da computação em nuvem e dos centros de processamento voltados à inteligência artificial. No dia 30 de setembro de 2026, a Amazon firmou um acordo de 20 anos com a mesma Constellation para adquirir 690 megawatts, apoiando um aporte de US$ 3 bilhões na expansão de 190 megawatts da usina nuclear de Calvert Cliffs, em Maryland.
O movimento também dá continuidade a outras iniciativas firmadas pelo Google nos últimos anos. Em setembro de 2026, a empresa de tecnologia estabeleceu uma parceria com a Georgia Power para viabilizar ampliações nas usinas nucleares Vogtle e Hatch. Antes disso, em 2025, o Google havia assinado um contrato com a NextEra Energy para apoiar a reativação da central nuclear Duane Arnold, em Iowa, parada desde 2020. Em 2024, a concorrente Microsoft contratou a Constellation para reativar a usina de Three Mile Island, na Pensilvânia.
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Cronograma dos projetos nucleares do Google até 2032
A primeira tranche da capacidade adicional de 890 megawatts tem previsão de entrega na rede elétrica da PJM a partir de 2028. Os projetos de engenharia e instalação de novos equipamentos em cada um dos 11 reatores devem avançar em etapas sucessivas até a conclusão total dos trabalhos, projetada para ocorrer entre 2032 e 2033.
As companhias ainda não divulgaram o cronograma detalhado de submissão dos pedidos formais de alteração técnica de cada uma das unidades fabris perante a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos, órgão responsável por analisar os protocolos de segurança antes do início operacional das potências ampliadas.
