Mancha solar AR4549 lança nuvem de plasma rumo à Terra

Terra - NASA / Scientific Visualization Studi Foto: Terra - NASA / Scientific Visualization Studi

O Sol registrou três erupções de classe M em um intervalo de 24 horas, marcando a retomada da atividade energética na superfície estelar. Uma ejeção de massa coronal, nuvem densa de plasma carregado, partiu da mancha solar AR4549 diretamente em direção à Terra, com previsão de impacto na magnetosfera para a sexta-feira (9).

Diferente da radiação eletromagnética inicial das explosões, que viajou na velocidade da luz e alcançou o planeta em cerca de oito minutos, a massa ejetada se desloca pelo meio interplanetário a centenas de quilômetros por segundo. Em declaração sobre o evento, o físico espacial e fotógrafo de auroras Vincent Ledvina apontou cautela quanto aos efeitos: “Ainda é muito cedo para dizer quanto da CME escapou da atmosfera solar e quanto está direcionado para a Terra”, afirmou, em tradução livre.

Mancha AR4549 concentra explosões e libera ejeção de massa coronal

O agrupamento ativo denominado AR4549 surgiu a leste do centro do disco solar e apresentou rápida evolução. Em menos de 24 horas, a estrutura desenvolveu uma configuração magnética complexa do tipo beta-gama-delta, arranjo que cientistas identificam como altamente favorável à ocorrência de eventos solares intensos de classes M e X.

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A primeira grande explosão dessa sequência recente foi classificada como M1.1 e partiu da região de manchas AR4545 às 18h48 UTC de segunda-feira (5). Horas depois, a mancha AR4549 assumiu o protagonismo das instabilidades solares ao gerar um evento M1.4 às 06h10 UTC desta terça-feira (6). Essa detonação gerou escurecimento coronal nas imagens astronômicas, confirmando o desprendimento do envelope magnético solar e o lançamento do plasma gasoso no espaço.

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A mesma mancha produziu uma terceira erupção relevante às 08h05 UTC desta terça-feira (6). Os relatórios da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) e as análises coordenadas pelo astrofísico e analista solar da EarthSky C. Alex Young catalogaram essa terceira explosão como M1.8, enquanto dados preliminares apontaram índice M1.9.

Ejeção da mancha AR4549: cronologia e números das erupções solares

No ciclo completo de 24 horas avaliado pela NOAA, o satélite captou 22 erupções na superfície do Sol, somando dez emissões de classe B, nove de classe C e três de classe M. A cronologia dos eventos principais e os parâmetros de medição incluem os seguintes registros:

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  • Segunda-feira, 5 de outubro de 2026, às 18h48 UTC: pico da erupção M1.1 na região solar AR4545
  • Terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 06h10 UTC: pico da erupção M1.4 na região AR4549, com desprendimento de ejeção de massa coronal rumo à Terra
  • Terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 08h05 UTC: pico da terceira erupção solar da série na região AR4549
  • Velocidade de 560 km/s: ritmo de deslocamento estimado da nuvem de plasma calculado pelo Centro de Análise de Dados de Influências Solares da Bélgica (SIDC)
  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026, às 05h00 UTC (02h00 pelo horário de Brasília): chegada estimada da frente de plasma ao campo magnético terrestre
  • Probabilidade de 40%: índice calculado pela NOAA para a ocorrência de novas explosões de classe M nos próximos dias

Efeitos imediatos e previsão da NOAA para 9 de outubro de 2026

A radiação ultravioleta e os raios X emitidos nos momentos dos picos das três erupções provocaram blecautes parciais de transmissões de rádio em ondas curtas no lado diurno da Terra. O centro meteorológico espacial classificou os distúrbios na categoria R1, considerada menor, com interrupções temporárias de sinal concentradas sobre o Oceano Pacífico, o Oceano Índico e o Mar Arábico.

Enquanto essas ondas já passaram, os modelos de propagação mantidos pela NOAA e pelo SIDC acompanham o avanço material da nuvem de plasma. A previsão das agências é que o impacto da frente de partículas gere tempestades geomagnéticas de níveis menor a moderado na tarde de sexta-feira (9), quadro propício para a ampliação de auroras boreais em latitudes mais afastadas dos polos.

A severidade final das perturbações na magnetosfera e a faixa territorial de visibilidade das luzes dependem de um fator que ainda não pode ser medido pelos instrumentos: a orientação magnética interna do plasma no momento do contato físico com o campo terrestre. O monitoramento solar indica ainda que um novo período de agitação geomagnética pode ocorrer no domingo, 11 de outubro de 2026, associado à influência de ventos provenientes de buracos coronais.

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