Alejandro Mancuso é acusado de vender diplomas falsos da ATFA

Alejandro Mancuso - Reprodução

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O ex-jogador argentino Alejandro Mancuso opera um esquema fraudulento de venda de licenças e diplomas falsificados de treinador da Associação de Técnicos de Futebol Argentino para atletas e ex-atletas brasileiros. A investigação jornalística conduzida por Joanna de Assis revelou nesta quarta-feira (7) que o ex-volante cobrava cerca de R$ 100 mil pelo pacote com quatro certificados sem a exigência de aulas ou provas.

O esquema envolvia promessas de entrega rápida de documentação a nomes consagrados do futebol nacional e internacional. Entre os atletas abordados ou listados como clientes do ex-jogador estão Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Paulinho, Luiz Gustavo, Dejan Petkovic, Diego Lugano e Paolo Guerrero.

Alejandro Mancuso prometia certificados rápidos da ATFA

Alejandro Mancuso se apresentava como diretor internacional da entidade argentina para atrair os compradores. Ele afirmava ter condições de agilizar um trâmite urgente capaz de liberar as licenças C, B, A e PRO, com envio direto pelo correio em um prazo de até dez dias, dispensando totalmente a grade curricular presencial da instituição de ensino esportivo.

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A entidade desmentiu publicamente a relação com o ex-atleta. O secretário-geral da instituição, Salvador Pasini, assinou uma nota oficial afirmando que a organização não mantém nenhum tipo de vínculo, contrato ou autorização de representação com o ex-jogador, classificando os papéis comercializados por ele como documentos totalmente apócrifos.

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A formação de técnicos regular da instituição argentina funciona de forma progressiva e exige de seis a 13 meses de estudos por etapa para a liberação de cada módulo, totalizando até três anos de formação com presença obrigatória em aulas e avaliações práticas. Ao contrário do que era prometido aos compradores, as normas oficiais não permitem atalhos nem equivalência direta por histórico profissional de atletas no futebol.

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Atletas brasileiros detalham abordagens de Alejandro Mancuso

Alguns jogadores que mantiveram contato com o argentino relataram as circunstâncias das negociações financeiras. O ex-meia Alex de Souza declarou que a intenção inicial era ter uma facilitação burocrática, afirmando: “Era para comprar facilidade, mas eu nunca usei”. O volante Paulinho, com passagens pelo Corinthians e pela seleção brasileira, afirmou: “Em nenhum momento parecia ser algo ilegal ou falso”.

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Outros atletas identificaram inconsistências durante a comunicação com o operador das vendas. Felipe Melo cancelou a operação e recuperou os valores pagos após estranhar a ausência de aulas presenciais e o formato da entrega, enquanto o zagueiro Thiago Silva confirmou que efetuou os pagamentos para formações que jamais foram ministradas, afirmando que nunca chegou a utilizar os documentos.

Números apurados no esquema de Alejandro Mancuso

  • R$ 100 mil cobrados em média por atleta pela emissão do pacote fraudulento;
  • 4 licenças prometidas aos clientes nas categorias C, B, A e PRO;
  • 10 dias de prazo prometido pelo intermediário para envio dos documentos pelo correio;
  • 2.485.000 pesos argentinos em cheques apócrifos que geraram denúncia anterior na Justiça;
  • 7 de outubro de 2026 como data da revelação pública da fraude das licenças esportivas.

Histórico de litígios e problemas judiciais de Alejandro Mancuso

Alejandro Víctor Mancuso construiu carreira nos gramados nos anos 1990 atuando por Ferro Carril Oeste, Vélez Sarsfield, Boca Juniors, Palmeiras e Flamengo, clube no qual conquistou o Campeonato Carioca de 1996 de forma invicta. Ele também defendeu a seleção argentina e venceu a Copa América de 1993, encerrando a trajetória como atleta em 2000 após defender o Bella Vista, do Uruguai.

Após deixar os gramados, ele atuou como auxiliar técnico da seleção argentina na Copa do Mundo de 2010 ao lado de Diego Maradona. A relação entre os dois acabou logo após o torneio mundial, depois de Maradona acusar o ex-volante de falsificar a assinatura dele para fechar um contrato comercial na China. Sobre o rompimento, o ex-auxiliar declarou: “Quando Maradona disse que a droga o afetou em todos os lados menos na memória, eu posso dizer que aí foi onde mais forte o afetou.” A Suprema Corte da Argentina extinguiu esse processo por prescrição em 1 de janeiro de 2019.

Em 21 de novembro de 2025, a Justiça Federal de Mar del Plata determinou o envio de Alejandro Mancuso a julgamento por estelionato e fraude. O processo foi movido pelo advogado Gustavo Marceillac em razão do repasse de 2.485.000 pesos em cheques sem fundos e adulterados entregues a vítimas que fizeram repasses de dinheiro em espécie a partir de 15 de janeiro de 2021. À época, o ex-jogador declarou: “Tenho que assumir a responsabilidade, porque ninguém tem culpa de eu ter sido contratado por uma pessoa que nos deu cheques como pagamento e nunca os honrou”.

Não há confirmação de abertura de novo inquérito criminal formalizado contra o ex-jogador no Brasil referente às denúncias sobre os certificados falsificados.