A Cerradinho Bioenergia fechou um acordo com a operadora Vivo para expandir a cobertura de internet móvel e telemetria em 1,4 milhão de hectares no Centro-Oeste brasileiro. O projeto prevê a instalação de 14 novas torres de transmissão distribuídas por áreas agrícolas de Goiás e de Mato Grosso do Sul, eliminando pontos sem comunicação enfrentados pelas equipes no campo.
A implantação tecnológica levará sinais de quarta geração (4G), além dos padrões específicos de internet das coisas NB-IoT e LTE-M, para dar suporte direto às frentes de colheita e ao complexo industrial da empresa sucroenergética. Com as antenas, máquinas agrícolas, caminhões e sensores de monitoramento passarão a operar conectados de forma contínua às centrais de gestão da companhia.
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Eliminação de sombras de sinal na operação agrícola da CerradinhoBio
Antes do novo projeto com a operadora, o complexo industrial da Cerradinho Bioenergia operava com apenas uma torre de transmissão instalada dentro de sua unidade fabril em Chapadão do Céu, em Goiás. Essa limitação de infraestrutura provocava áreas de sombra e falta de sinal à medida que as equipes de corte, carregamento e transporte de biomassa avançavam pelas lavouras mais distantes do núcleo fabril. A ausência de sinal impedia que dados de sensores e sistemas embarcados fossem transferidos instantaneamente para a sala de controle, obrigando os operadores a depender de registros manuais ou descarregamentos posteriores de telemetria quando os veículos retornavam à sede.
Frequência de 700 MHz e protocolos NB-IoT e LTE-M da rede Vivo
A rede implementada pela Vivo utilizará a frequência de 700 MHz, faixa que apresenta maior alcance territorial e melhor capacidade de propagação física entre desníveis de relevo e vegetação fechada em áreas de cultivo. Sobre essa mesma frequência, a operadora ativará as tecnologias NB-IoT e LTE-M, que possuem funções complementares na rotina do agronegócio. A tecnologia NB-IoT opera como uma modulação com capacidade de alcançar até 20 quilômetros de distância a partir da torre, sendo destinada à troca contínua de pequenas quantidades de dados, como coordenadas geográficas de veículos e dados de estações meteorológicas. Já o padrão LTE-M tem um raio de alcance de cerca de 10 quilômetros, compensando a distância menor com uma largura de banda substancialmente superior para aplicações complexas. O diretor de IoT e inovação da Vivo, Adriano Pereira, explicou que o LTE-M “consegue trafegar dados maiores, que precisam de mais análise e exigem uma conexão mais robusta”.
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Especificações técnicas da expansão de conectividade de 1,4 milhão de hectares
A infraestrutura projetada para a malha agrícola da CerradinhoBio reúne os seguintes parâmetros técnicos e operacionais confirmados:
- Área total contemplada: 1,4 milhão de hectares entre os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul;
- Quantidade de novas estações: 14 torres de transmissão com antenas voltadas ao ambiente rural;
- Estrutura anterior: 1 torre única situada no interior do parque fabril;
- Faixa de radiofrequência: 700 MHz para cobertura de longo alcance e penetração em obstáculos;
- Padrões de transmissão: telefonia e dados em 4G, aliados às tecnologias NB-IoT e LTE-M;
- Alcance do sinal para sensores NB-IoT: até 20 quilômetros de distância em torno de cada torre;
- Alcance da transmissão LTE-M: cerca de 10 quilômetros da base com maior vazão de dados;
- Municípios dentro da cobertura: Chapadão do Céu, Aporé e Serranópolis em Goiás, e Costa Rica em Mato Grosso do Sul.
Impacto da conectividade em comunidades de Goiás e Mato Grosso do Sul
A dispersão das 14 antenas não atenderá com exclusividade as frentes de trabalho da Cerradinho Bioenergia, beneficiando também a população que reside ou transita pela zona rural das cidades vizinhas. O alcance do sinal abrangerá produtores rurais independentes, empresas da região, escolas do campo e unidades básicas de saúde nos municípios goianos de Chapadão do Céu, Aporé e Serranópolis, além da cidade de Costa Rica, localizada na divisa de Mato Grosso do Sul. Em muitas dessas localidades, o acesso a redes celulares móveis de alta velocidade era historicamente restrito ou inexistente para serviços públicos básicos e pequenos proprietários de terra.
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Estrutura agroindustrial da CerradinhoBio e o modelo de conectividade no Centro-Sul
A utilização da faixa de 700 MHz integrada aos protocolos de internet das coisas converteu-se em um modelo padrão adotado pela Vivo na estruturação de redes privadas para grandes grupos do Centro-Sul do país, voltado principalmente ao monitoramento de frotas agrícolas e telemetria de plantio e colheita. No caso da CerradinhoBio, os dados em tempo real abastecerão o centro integrado de controle de um parque agroindustrial diversificado sediado em Chapadão do Céu, voltado ao processamento de cana-de-açúcar e milho para a fabricação de etanol, açúcar do tipo VHP e bioeletricidade cogerada a partir de resíduos. O grupo empresarial também possui a unidade produtora Neomille, instalada no município de Maracaju, no Mato Grosso do Sul.
Custos do investimento e cronograma das obras das 14 torres
O montante financeiro total do contrato assinado entre a Cerradinho Bioenergia e a Vivo não foi divulgado na apresentação inicial da parceria nesta quarta-feira (7). Do mesmo modo, as duas empresas não divulgaram o cronograma de instalação, as datas de início das obras civis ou o prazo estimado para a energização e entrega definitiva de cada uma das 14 torres no campo. Até a publicação desta reportagem em 7 de outubro de 2026, nem a operadora nem a companhia sucroenergética haviam disponibilizado comunicados formais sobre a transação em seus canais oficiais de relações com investidores ou portais corporativos de imprensa.
