Maritacas revelam adaptação urbana e hábitos sociais no Brasil

Maritaca - Al Carrera - shutterstock.com

Maritaca - Al Carrera - shutterstock.com

As maritacas apresentam estratégias biológicas singulares de sobrevivência que combinam vida em grandes bandos, dispersão de sementes e adaptação estrutural às cidades brasileiras. Um compilado de divulgação científica reuniu sete fatos sobre o comportamento dessas aves da família Psittacidae, com ênfase na espécie Psittacara leucophthalmus, popularmente chamada de periquitão-maracanã.

O levantamento detalha a atuação ecológica desses animais em florestas nativas e a mudança de hábitos reprodutivos provocada pelo avanço das construções urbanas. A publicação técnica ocorreu nesta quarta-feira (7), às 11h06, sistematizando registros sobre a vocalização em grupo e o silêncio protetivo adotado pelos animais no período de nidificação.

Periquitão-maracanã exibe plumagem verde e bandos de até 40 aves

O termo popular maritaca identifica diferentes psitacídeos no Brasil, mas o periquitão-maracanã se destaca entre os mais distribuídos no território nacional. A ave possui plumagem predominantemente verde, detalhes avermelhados na região da cabeça e do pescoço, além de penas amareladas sob as asas que ganham visibilidade durante o voo em áreas abertas.

Confira também: Lobo-guará surpreende grupo de ciclistas em canavial na zona rural de Matão

Com hábitos altamente sociáveis, essas aves realizam deslocamentos diários em grupos numerosos entre os pontos de alimentação e os locais de descanso. As vocalizações intensas emitidas em conjunto servem para coordenar as rotas aéreas e garantir a vigilância coletiva, já que a presença de dezenas de indivíduos atentos acelera a identificação de predadores naturais no trajeto.

Acompanhe: Ninho de carcarás em churrasqueira impressiona moradores de apartamento

As características físicas e a dinâmica dos agrupamentos da espécie Psittacara leucophthalmus reúnem parâmetros morfológicos padronizados:

Leia também: Animal que inspirou o Wolverine enfrenta perda de espaço para estradas e turismo

  • Comprimento médio corporal: 30 a 32 cm
  • Faixa de peso corporal médio: 140 a 171 g
  • Formação de grupos aéreos ou em repouso: até 40 indivíduos reunidos
  • Total de características mapeadas no levantamento: 7 pontos comportamentais

Como as maritacas constroem ninhos em centros urbanos?

Em ambientes naturais intactos, as maritacas dependem de cavidades preexistentes para a postura dos ovos, utilizando principalmente troncos ocos de árvores, paredões rochosos e palmeiras como os buritis. Com a expansão dos centros urbanizados e a redução de cavidades vegetais antigas, a espécie adaptou o comportamento reprodutivo para utilizar frestas estruturais de alvenaria e vãos sob telhados de casas e edifícios.

Continue lendo: Câmera registra loba-guará no Pantanal e silhueta noturna remete a lenda urbana

Ao nidificar em estruturas humanas, as aves alteram o padrão habitual de comunicação sonora intensa para evitar que ameaças descubram o local dos filhotes. Elas entram e saem dos esconderijos nas construções de forma isolada, em voos rasantes e sem emitir sons, mantendo discrição absoluta até retornarem ao espaço aéreo livre, onde retomam a gritaria característica dos bandos.

Alimentação à base de frutos impulsiona dispersão vegetal

O cardápio das maritacas é composto predominantemente por frutos carnosos e sementes diversas, com preferência observada por espécies como goiaba, mamão e jabuticaba. A anatomia do bico curvo e rígido permite quebrar cascas resistentes para alcançar nutrientes inacessíveis a outras espécies de aves, garantindo energia para viagens diárias de longa distância.

Esse hábito alimentar confere às maritacas um papel direto na manutenção da dinâmica florestal e nos processos de reflorestamento natural. Ao ingerirem frutos em uma área e expelirem as sementes intactas em pontos distantes durante os voos diários, os bandos promovem o assentamento de novas mudas nativas em clareiras, bordas de matas e corredores verdes urbanos arborizados.

Distribuição nos biomas e normas do Ibama para a fauna

A ocorrência do periquitão-maracanã abrange diversas regiões da América do Sul e múltiplos ecossistemas do Brasil, marcando presença consolidada no Cerrado, na Mata Atlântica, em florestas de galeria, matas úmidas, semiúmidas e buritizais. As cidades densamente arborizadas também oferecem refúgio alimentar constante, atraindo populações permanentes aos parques e quintais residenciais.

Por integrarem a fauna silvestre brasileira, as maritacas contam com proteção integral pela legislação ambiental vigente no país. A captura de indivíduos na natureza, o transporte sem documentação e a posse ilegal constituem crimes ambientais fiscalizados por órgãos de proteção animal.

As etapas de publicação sobre o manejo, os registros ecológicos e a legislação referente às maritacas seguiram o seguinte cronograma documental em 2026:

  • 18 de setembro de 2026: divulgação de diretrizes sobre habitat, hábitos alimentares e regramento ambiental de proteção da espécie
  • 7 de outubro de 2026: publicação do compilado com os sete fatos biológicos e comportamentais da ave silvestre

A permanência legal de exemplares da espécie em cativeiro requer comprovação formal de origem em criadouros comerciais autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, órgão responsável pela emissão de registros de rastreabilidade de animais silvestres no país.