Red Bull Racing e divisão de tecnologia gastaram R$ 662 milhões com a demissão de Christian Horner

Christian Horner Foto: Christian Horner - Foto: cristiano barni / Shutterstock.com

A rescisão de Christian Horner da Red Bull custou mais de £ 100,4 milhões, o equivalente a cerca de R$ 662 milhões ou US$ 132,75 milhões, conforme documentos fiscais referentes ao ano de 2025 registrados na junta comercial britânica Companies House nesta quarta-feira (7). Os balanços financeiros mostram o impacto financeiro da quebra do vínculo do executivo com a escuderia de Fórmula 1 e com a sua divisão tecnológica sediada em Milton Keynes, na Inglaterra.

O montante integral foi quitado por duas entidades corporativas distintas do grupo sob a denominação contábil de compensação por perda de cargo, após o dirigente ter sido dispensado em julho de 2025 e renunciado formalmente aos postos de diretoria em meados de agosto daquele mesmo ano. Com a reestruturação dos cargos executivos da equipe após o encerramento do vínculo, Laurent Mekies assumiu a função de chefe de equipe da Red Bull Racing.

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Red Bull Technology arcou com a maior fatia da indenização de Christian Horner

Os registros fiscais detalham que a maior parcela do custo rescisório recaiu sobre a Red Bull Technology, divisão que gerencia as operações de desenvolvimento de engenharia do grupo. A empresa destinou £ 66,988 milhões exclusivamente ao pagamento da indenização pela perda do posto executivo, somando ainda £ 9,029 milhões pagos a título de remuneração regular pelas atividades prestadas durante o exercício de 2025.

Max Verstappen e Christian Horner
Foto: Max Verstappen e Christian Horner – Foto: Jay Hirano / Shutterstock.com

Por sua vez, a Red Bull Racing Limited, que responde pela estrutura desportiva que compete na Fórmula 1, arcou com £ 33,494 milhões na rubrica rescisória. O braço esportivo da organização computou ainda o repasse de £ 4,441 milhões destinados a salários regulares e vencimentos diretoriais no mesmo período de faturamento.

Detalhamento dos valores pagos pela Red Bull a Christian Horner em 2025

O demonstrativo entregue às autoridades britânicas reuniu as compensações e salários distribuídos entre as duas divisões da marca esportiva:

  • £ 66.988.000 pagos pela Red Bull Technology como indenização por perda de cargo;
  • £ 33.494.000 desembolsados pela Red Bull Racing Limited para a compensação rescisória;
  • £ 100.482.000 como soma total das indenizações contratuais das duas companhias;
  • £ 9.029.000 em vencimentos e remunerações anuais regulares quitados pela Red Bull Technology;
  • £ 4.441.000 em remunerações de diretoria e salários computados pela Red Bull Racing Limited.

Trajetória de vinte anos e quebra contratual precoce na Fórmula 1

A ruptura encerrou uma trajetória de duas décadas de Christian Horner à frente da estrutura da Red Bull Racing, escuderia que ele comandou desde a entrada oficial na Fórmula 1 na temporada de 2005 até sua demissão em 9 de julho de 2025. Durante esse intervalo de vinte temporadas, a organização construiu um ciclo hegemônico que resultou na conquista de seis Campeonatos Mundiais de Construtores e oito títulos do Mundial de Pilotos, celebrados por Sebastian Vettel e Max Verstappen. No início de 2024, o dirigente havia enfrentado uma investigação interna independente decorrente de acusações de conduta imprópria feitas por uma funcionária da fábrica, procedimento que terminou arquivado e com recursos rejeitados pela companhia.

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Apesar da permanência naquele instante, tensões internas na matriz da marca austríaca, que tem Oliver Mintzlaff como CEO de Projetos Corporativos e Investimentos da Red Bull GmbH, levaram ao encerramento unilateral do vínculo de trabalho. Na data do desligamento, Horner ainda possuía cerca de seis anos restantes de vigência contratual acordados com a fabricante de bebidas energéticas, fato que elevou substancialmente a multa rescisória para além das projeções que circulavam no paddock, as quais estimavam acordos entre US$ 70 milhões e £ 80 milhões.

Declarações de Christian Horner sobre a saída da Red Bull Racing

Em entrevista concedida ao jornal britânico The Times, o ex-chefe de equipe comentou a pressão exercida nos bastidores corporativos e apontou os argumentos apresentados para sua saída definitiva da organização esportiva. “Quando eu realmente insisti – eu tinha seis anos restantes de contrato –, me disseram que era mais a Christian Horner Racing do que a Red Bull Racing”, afirmou o dirigente britânico, em tradução livre.

O executivo também avaliou o peso financeiro da compensação quitada pelo grupo em outra manifestação pública recente sobre o caso. “Isso também demonstra que você não fez nada de errado. Eles apenas não querem mais você. Se alguém está disposto a pagar tanto dinheiro para você não estar lá… E acho que se você olhar para aquela equipe 12 meses depois, ela perdeu seu encanto, sua presença, sua energia”, disse Horner, em tradução livre.

Dados dos relatórios contábeis da junta comercial Companies House

Os registros fiscais entregues no Companies House em 7 de outubro de 2026 não mencionam o nome civil de Christian Horner nos campos que discriminam as compensações financeiras, designando a despesa sob a categoria contábil de diretor mais bem pago do exercício social. Publicações especializadas da cobertura do automobilismo confirmam que os repasses se referem à rescisão do ex-comandante da equipe, uma vez que a renúncia oficial de todos os seus cargos de administração nas empresas ocorreu formalmente em 13 de agosto de 2025.

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