O Rio Grande do Sul enfrenta um quadro de chuva excessiva a extrema a partir de 8 de outubro de 2026, com risco elevado de novas cheias e agravamento de inundações nas bacias dos rios Uruguai, Ibirapuitã e Jacuí. A passagem inicial de uma linha de instabilidade gerou rajadas de vento superiores a 100 km/h, deixou cerca de 300 pessoas desabrigadas ou desalojadas e cortou o fornecimento de energia elétrica para 56 mil consumidores no estado.
“A MetSul Meteorologia reforça o alerta sobre chuva excessiva a extrema em parte do Rio Grande do Sul com cheias de rios e agravamento de cheias que já ocorre, sobretudo nas bacias do rios Uruguai e Ibirapuitã, no Oeste do estado”, afirmou o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, autor da análise meteorológica divulgada pelo órgão.
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Volumes de chuva registrados no Rio Grande do Sul
A precipitação teve início na madrugada de quinta-feira (8) e acumulou marcas expressivas no decorrer do dia em diversos municípios do território gaúcho. A estação de Maçambará registrou rajada de vento de 109,1 km/h durante o temporal, enquanto os pluviômetros acumularam volumes severos em cidades da Fronteira Oeste e do Centro do estado.
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- São Borja: 103 mm até o final da manhã
- Jaguari: 93 mm
- Jari: 90 mm
- Maçambará: 89 mm
- Santiago: 87 mm
- São João do Polêsine: 85 mm
- Alegrete: 83 mm
- Restinga Seca: 78 mm
- Uruguaiana: 75 mm
- Tupanciretã: 75 mm
- Cacequi: 74 mm
- Itaqui: 73 mm
- Agudo: 72 mm
- Cruz Alta: 70 mm
Previsão da MetSul indica acumulados de até 200 mm
Os modelos meteorológicos indicam que a instabilidade persiste no estado com chuvas frequentes que devem se estender pela sexta-feira (9), sábado (10), domingo (11) e segunda-feira (12). Os maiores volumes acumulados de água passam a se concentrar em cidades da Metade Norte a partir do fim de semana, com precipitação moderada a forte e eventos torrenciais capazes de despejar entre 50 mm e 100 mm em curto intervalo em áreas do Noroeste, Alto Jacuí, Planalto Médio, Médio e Alto Uruguai e trechos da Serra.
As projeções de precipitação acumulada em 72 horas, válidas até as 21h de sábado (10), apontam marcas entre 100 mm e 200 mm para as Missões, Noroeste e Alto Jacuí, com possibilidade de volumes pontualmente superiores. O cenário é considerado crítico pelos meteorologistas porque as bacias dos rios Uruguai e Ibirapuitã já enfrentavam cheias recentes, causadas por episódios anteriores de temporais no final de setembro e início de outubro de 2026, mantendo os leitos próximos ou acima da cota de inundação antes mesmo deste novo evento.
Aviso vermelho do Inmet e situação das bacias hidrográficas
O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu aviso meteorológico de nível vermelho, indicando grande perigo para tempestades em 529 municípios da Região Sul. O alerta abrange cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com vigência programada a partir de 0h01 de sexta-feira (9) até as 23h59 do mesmo dia.
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O impacto hidrológico atinge com maior severidade a Fronteira Oeste, onde o Rio Uruguai recebe a contribuição das chuvas que ocorrem nas nascentes do Oeste catarinense e no Norte gaúcho. O Rio Ibirapuitã, que começava a baixar após a cheia anterior, volta a receber grande afluência e já causou a retirada de moradores em Alegrete e Uruguaiana. No Centro do estado, o Rio Jacuí mantém níveis elevados e deve apresentar nova elevação rápida devido aos acumulados previstos para as cabeceiras.
A Defesa Civil estadual mencionou a possibilidade preventiva de tornados isolados em boletins preliminares para o período de tempestades, mas o fenômeno não teve registro confirmado por órgãos oficiais até o início da noite de quinta-feira (8).
