Disparada no custo de memória para IA força Samsung a cortar fabricação de celulares em até 30%

Samsung Galaxy S26 Ultra

Samsung Galaxy S26 Ultra - Wongsakorn 2468 / Shutterstock.com

A Samsung planeja cortar em até 30% a produção de smartphones no quarto trimestre de 2026 em Seul, na Coreia do Sul, após determinar uma desaceleração profunda nos pedidos encaminhados a fornecedores da cadeia produtiva. A decisão comunicada a parceiros industriais busca conter a perda de rentabilidade operacional provocada pelo encarecimento generalizado de componentes eletrônicos.

A solicitação partiu da divisão Mobile eXperience (MX), responsável pelo desenvolvimento e pela montagem dos aparelhos da marca sul-coreana, que orientou fabricantes terceirizados a reduzirem as entregas de peças entre 20% e 30% no último trimestre do ano. “Devido ao aumento dos preços de memórias e semicondutores, os smartphones da Samsung Electronics atualmente não geram nenhum lucro ao serem vendidos”, afirmou uma fonte anônima da indústria ouvida pelo jornal sul-coreano Money Today, em tradução livre.

Dados sobre o corte de produção e os custos da Samsung

  • Redução solicitada a fornecedores: recuo entre 20% e 30% no envio de componentes para celulares no quarto trimestre de 2026.
  • Corte projetado na montagem de celulares: redução de até 30% no volume de aparelhos finalizados no mesmo período.
  • Custo do módulo de memória LPDDR5X de 12 GB: de US$ 145 a US$ 146 (R$ 742 a R$ 748) no segundo trimestre de 2026, segundo a TrendForce.
  • Aumento interanual do componente: alta de 175% no preço contratual da memória móvel.
  • Projeção para o terceiro trimestre de 2026: avanço de 20%, atingindo cerca de US$ 180 (aproximadamente R$ 922).
  • Revisão do volume anual: expectativa inicial de 270 milhões de unidades reduzida para a faixa de 200 milhões a 230 milhões de celulares em 2026.
Foto: Galaxy S26 FE – Divulgação

Encarecimento da memória DRAM afeta a divisão móvel da Samsung

O desequilíbrio financeiro no segmento móvel decorre da disputa direta por capacidade fabril impulsionada pelo avanço das tecnologias de inteligência artificial em servidores globais. Centros de processamento de dados absorveram grande parte da oferta de semicondutores de alto desempenho, reduzindo a disponibilidade de módulos móveis e elevando expressivamente as cotações internacionais da memória DRAM, tipo de componente de acesso rápido essencial para o funcionamento dos sistemas operacionais e aplicativos em celulares.

De acordo com dados apurados pela consultoria de tecnologia TrendForce, o valor contratual de um módulo de memória LPDDR5X com capacidade de 12 gigabytes atingiu a faixa entre US$ 145 e US$ 146 no segundo trimestre de 2026, montante que corresponde ao intervalo de R$ 742 a R$ 748. Esse patamar representa uma disparada de 175% na comparação interanual. Para o terceiro trimestre de 2026, a projeção da consultoria indica nova elevação de 20%, fazendo com que a peça alcance US$ 180, cerca de R$ 922 por smartphone fabricado.

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Por que a produção da Samsung cai mais do que o previsto pelo mercado?

A contração esperada nos pedidos supera com folga os ajustes sazonais habitualmente registrados pela indústria eletrônica nas semanas que antecedem o encerramento do ano. O quarto trimestre historicamente apresenta uma desaceleração natural na produção de celulares da Samsung, já que muitos consumidores adiam compras de modelos topo de linha para aguardar as novas gerações de aparelhos, como a futura série Galaxy S27, tradicionalmente lançada no mercado internacional entre os meses de janeiro e fevereiro.

A empresa de análise de mercado IDC previa que o volume de celulares montados pela fabricante recuaria de 59 milhões de unidades no terceiro trimestre para 52 milhões de aparelhos no quarto trimestre, o que representaria uma queda sazonal regular de 12%. No entanto, a determinação de tesoura nos suprimentos de até 30% amplia essa retração para um patamar quase três vezes maior do que o esperado pelos analistas. Diante dessa desaceleração, estimativas consolidadas do setor apontam que a produção anual total da marca recuará para o intervalo de 200 milhões a 230 milhões de unidades em 2026, ficando abaixo da meta original de 270 milhões.

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O paradoxo financeiro entre as divisões da Samsung

O cenário atual expõe uma contradição administrativa dentro da própria estrutura corporativa da empresa com sede em Seul. Enquanto a divisão responsável pela fabricação de semicondutores registra recordes de faturamento e margens operacionais elevadas ao vender componentes com preços em alta no mercado corporativo de inteligência artificial, o braço móvel Mobile eXperience absorve esses custos em sua linha de montagem e opera com rentabilidade quase nula.

Mesmo após realizar ajustes nos preços de tabela de modelos intermediários e topos de linha durante o ano de 2026, a divisão de celulares viu a lucratividade unitária desaparecer. A estratégia de frear o ritmo fabril busca limitar perdas financeiras operacionais no curto prazo, priorizando a proteção de caixa em vez da manutenção de volumes elevados de distribuição no varejo internacional.

Posicionamento sobre as metas de fabricação da Samsung

A Samsung Electronics não confirmou publicamente os índices exatos de corte de componentes nem os números consolidados de fechamento da sua produção. As informações sobre as orientações aos parceiros industriais foram divulgadas nesta quinta-feira (8) pelo jornal sul-coreano Money Today, enquanto a cadeia de fornecedores aguarda a consolidação dos pedidos para os primeiros meses de 2027.