Cientistas da Northern Arizona University calcularam que exoplanetas habitáveis mais velhos que o nosso sistema solar ainda podem abrigar apenas vida microbiana. O modelo matemático avaliou 29 mundos rochosos e indicou que a quantidade total de carbono capturado pela fotossíntese define a velocidade do avanço biológico planetário.
O estudo, publicado em 22 de setembro de 2026 no periódico International Journal of Astrobiology, adotou a produção primária líquida cumulativa para medir o tempo evolutivo fora do Sistema Solar. Em tradução livre, o pesquisador líder Christopher E. Doughty afirmou no artigo que a equipe propôs “um método inovador para estimar o estágio de evolução biológica em exoplanetas com base na hipótese de que o estado evolutivo biológico é uma função linear do carbono cumulativo fixado em um planeta inteiro”.
TRAPPIST-1e precisa de 18 bilhões de anos para alcançar a biosfera terrestre
Localizado a cerca de 40 anos-luz da Terra, o planeta rochoso TRAPPIST-1e tem idade média estimada em 7,6 bilhões de anos, o que o torna cerca de 3 bilhões de anos mais velho que o globo terrestre. No entanto, o cálculo liderado por Christopher E. Doughty e pelo pesquisador Denis E. Sergeev, da Universidade de Bristol, apontou que TRAPPIST-1e precisaria de aproximadamente 18 bilhões de anos para acumular a mesma quantidade de carbono orgânico gerada na história da Terra sob o modelo padrão, mantendo-se restrito a organismos unicelulares.
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Essa limitação biológica decorre diretamente das propriedades de sua estrela hospedeira, uma anã vermelha fria. O planeta apresenta rotação sincronizada por maré, com um lado em dia perpétuo e outro em noite eterna, além de receber radiação concentrada na faixa do infravermelho. Como a água absorve a luz infravermelha rapidamente nos primeiros centímetros da coluna líquida, a fotossíntese oceânica perde rendimento, deixando 62% da superfície com produtividade nula em uma atmosfera oceânica com 400 partes por milhão de gás carbônico.
Histórico do acúmulo de carbono na evolução da vida terrestre
Para construir a escala de tempo biológico, a equipe científica precisou quantificar todo o volume de matéria viva gerado na história terrestre. As pesquisas mostram que a Terra acumulou 9,4 × 10^25 gramas de carbono orgânico fixado desde o surgimento dos primeiros organismos unicelulares até a evolução dos seres humanos modernos, estabelecendo o teto comparativo para vida complexa.
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Durante a fase exclusivamente microbiana da Terra, que se estendeu por cerca de 3 bilhões de anos antes da dispersão das plantas vasculares há cerca de 500 milhões de anos, a biosfera terrestre acumulou 2,4 × 10^25 gramas de carbono. Os pesquisadores dividiram a régua evolutiva em três etapas sucessivas: o estágio microbiano, situado abaixo desse primeiro limiar histórico; o estágio multicelular, que ocupa a faixa intermediária; e o estágio inteligente, atingido apenas quando o planeta supera o total acumulado pela Terra até o surgimento humano.
Dados da pesquisa sobre os 29 exoplanetas habitáveis
- Publicação oficial: 22 de setembro de 2026 pela Cambridge University Press no International Journal of Astrobiology
- Instituições responsáveis: Northern Arizona University, nos Estados Unidos, e Universidade de Bristol, no Reino Unido
- Universo avaliado: 29 exoplanetas rochosos de tamanho semelhante à Terra situados em zonas habitáveis
- Carbono total acumulado pela Terra: 9,4 × 10^25 gramas desde a origem da vida até a humanidade moderna
- Tempo de TRAPPIST-1e para igualar a Terra: 18 bilhões de anos no modelo oceânico padrão
Apenas GJ 1061c e K2-3d superaram o volume biológico da Terra
Ao estender a régua de carbono para 29 exoplanetas rochosos de dimensões semelhantes à Terra catalogados pelo Habitable Worlds Catalog, os cientistas constataram que quase a totalidade dos alvos permanece em fases evolutivas atrasadas. Apenas dois mundos superaram a produção primária líquida cumulativa terrestre no cenário principal da pesquisa: o exoplaneta GJ 1061c e o exoplaneta K2-3d.
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O planeta GJ 1061c, situado a 12 anos-luz de distância do Sistema Solar, alcançou uma estimativa de carbono capturado equivalente a 1,03 vez o montante total da Terra. Essa taxa superior ocorre devido à combinação de idade estelar favorável e níveis de irradiação que permitem uma taxa de produção primária mais acelerada do que a registrada nos planetas do sistema TRAPPIST-1, permitindo cruzar o limiar correspondente ao surgimento de organismos complexos.
Hipótese da evolução linear depende de confirmação observacional
Os autores da pesquisa ressaltam que a premissa de que a evolução biológica avança em proporção linear direta ao carbono fotossintético fixado permanece sem confirmação empírica fora da Terra. A comprovação dessa dependência ecológica só poderá ocorrer quando observatórios espaciais conseguirem detectar e quantificar diretamente assinaturas biológicas e atmosféricas em planetas fora do Sistema Solar.
