Operação Nota Fria mira desvios de R$ 2 milhões em supermercados

Operação contra desvio em supermercado - Divulgação/Polícia Civil do Maranhão

Operação contra desvio em supermercado - Divulgação/Polícia Civil do Maranhão

A Operação Nota Fria cumpriu dez mandados de busca e apreensão para apurar o desvio de mais de R$ 2 milhões de uma rede de supermercados com atuação no Maranhão e no Piauí. A investida conjunta das Polícias Civis dos dois estados mirou ex-funcionários suspeitos de emitir documentos fiscais falsificados por meio de pessoas jurídicas inexistentes de fato.

O principal investigado na ação é o ex-gerente executivo Evandro Paixão, que teve itens recolhidos em sua residência no início da manhã de quinta-feira, 8 de outubro de 2026. Em nota oficial, a Polícia Civil do Estado do Maranhão destacou o mecanismo utilizado pelo grupo: “Segundo as investigações, o esquema teria sido utilizado para promover o desvio de recursos do grupo empresarial, mediante operações aparentemente regulares, mas que, na realidade, não corresponderiam à efetiva prestação dos serviços indicados nos documentos fiscais.”

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Evandro Paixão e as apreensões em Teresina

Foto: operação contra desvio em supermercado no – Divulgação/Polícia Civil do Maranhão

Os agentes cumpriram a ordem judicial no endereço de Evandro Paixão situado no bairro Santa Isabel, na zona Leste de Teresina, onde apreenderam aparelhos celulares, computadores, dois automóveis e uma pistola com registro regular. A investigação conduzida pela polícia maranhense, com apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas coordenada pelo delegado Laércio Evangelista no Piauí, aponta que os envolvidos foram demitidos logo após o departamento interno da companhia flagrar incoerências contábeis nos relatórios de despesas corporativas e apresentar a queixa formal às autoridades competentes cerca de um ano antes da deflagração.

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Distribuição dos 10 mandados da Operação Nota Fria

As equipes policiais distribuíram as diligências entre quatro municípios vizinhos para recolher documentos e mídias eletrônicas que comprovem o fluxo financeiro irregular montado pelos ex-colaboradores demitidos:

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  • Teresina: seis ordens judiciais executadas pela polícia piauiense na capital do estado
  • São Luís: dois mandados cumpridos por agentes da divisão de investigações maranhense
  • São José de Ribamar: um mandado domiciliar cumprido em área residencial
  • Bacabal: uma ordem de busca realizada no interior maranhense

Estrutura das empresas de fachada e bloqueio de R$ 2 milhões

O inquérito revelou que os suspeitos criavam pessoas jurídicas fictícias para forjar contratos de serviços e justificar ordens de pagamento que drenavam os cofres da rede supermercadista sem qualquer contraprestação real de trabalho. As apurações apontam inclusive que uma das firmas de fachada acabou registrada em nome da mãe de uma funcionária participante da fraude. Para resguardar o patrimônio e garantir a recomposição dos cofres da empresa prejudicada, o Poder Judiciário decretou o bloqueio das contas correntes bancárias dos investigados e autorizou a indisponibilidade de bens imóveis e veículos registrados no nome dos envolvidos.

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  • Sequestro cautelar de patrimônio: imóveis e veículos com restrição judicial decretada
  • Contas bancárias: ordens de indisponibilidade de saldos para recompor os cofres privados
  • Dispositivos tecnológicos: celulares e computadores recolhidos para perícia contábil forense
  • Armamento: uma pistola legalizada retida preventivamente no domicílio do ex-gerente

Próximos passos e pontos pendentes da apuração policial

Nenhuma prisão ocorreu durante o cumprimento dos mandados expedidos pela Justiça. A condução das investigações, liderada pelo delegado Bruno Aguiar da Polícia Civil do Maranhão, segue em andamento para calcular o valor definitivo desviado após a análise dos dados fiscais e digitais apreendidos. A polícia ainda não divulgou publicamente a identificação formal dos outros colaboradores envolvidos nas fraudes.

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