PF mira esquema de falso brinde para financiar veículos em Uberlândia

Viatura da Polícia Federal - Divulgação/ PF Foto: Viatura da Polícia Federal - Divulgação/ PF

A Polícia Federal deflagrou a Operação Brinde Facial para combater uma quadrilha que usava falsas entregas de presentes e encomendas para roubar a biometria facial de vítimas e financiar veículos de forma irregular. As ações ocorreram em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, nesta quinta-feira (8).

Policiais federais cumpriram sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal na cidade mineira. De acordo com a corporação, os criminosos conseguiram liberar pelo menos quatro financiamentos veiculares fraudulentos, gerando um prejuízo inicial calculado em R$ 453 mil.

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Como funcionava o esquema do falso brinde em Uberlândia?

Carros estacionados
Foto: Carros estacionados – Dmitry Kalinovsky/shutterstock.com

As apurações apontam que os investigados abordavam os cidadãos fingindo trabalhar no serviço de entregas de encomendas ou brindes promocionais. Para concluir a suposta entrega, os autores exigiam a apresentação de documentos oficiais com foto, faziam o registro fotográfico dos alvos e realizavam o procedimento de reconhecimento facial sob o pretexto de confirmar o recebimento do pacote.

Com as imagens de alta resolução e as informações cadastrais completas em mãos, os fraudadores entravam em contato com instituições financeiras e fechavam contratos de crédito automotivo em nome dos titulares, sem o conhecimento das pessoas abordadas. O montante liberado pelos bancos era creditado na conta bancária de uma empresa vinculada ao esquema criminoso.

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Empresa movimentou R$ 7,1 milhões entre 2022 e 2023

Os peritos e investigadores federais constataram que a pessoa jurídica usada para acolher os depósitos possuía um capital social formal declarado de apenas R$ 10 mil. Mesmo sem capacidade estrutural aparente, o estabelecimento registrou movimentações a crédito superiores a R$ 7,1 milhões entre 2022 e 2023, quantia apontada pela corporação como totalmente incompatível com o porte cadastrado.

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Depois que as instituições bancárias creditavam os valores dos financiamentos obtidos ilegalmente, o núcleo financeiro da quadrilha realizava a rápida pulverização dos saldos. O dinheiro era fracionado em dezenas de transferências simultâneas destinadas a contas bancárias mantidas por familiares e comparsas, com o objetivo de burlar as regras de rastreamento e os mecanismos de fiscalização dos órgãos de controle.

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  • Capital social da empresa receptora: R$ 10 mil
  • Movimentação a crédito verificada entre 2022 e 2023: R$ 7,1 milhões
  • Financiamentos ilegais já catalogados pela PF: R$ 453 mil

Investigados na Operação Brinde Facial podem pegar até 11 anos de prisão

A Comunicação Social da Polícia Federal em Minas Gerais informou que os investigados “poderão responder, em tese, pelos crimes de obtenção fraudulenta de financiamento e associação criminosa”. Se houver condenação judicial, as penas máximas previstas em lei para essas condutas podem atingir 11 anos de reclusão, com aplicação de multa.

  • Obtenção fraudulenta de financiamento: apuração no âmbito do Sistema Financeiro Nacional
  • Associação criminosa: investigação sobre a divisão de tarefas entre entregadores e operadores bancários

A Polícia Federal ainda não divulgou os nomes dos investigados nem a razão social da empresa que recebia os créditos fraudulentos. O número total de vítimas atingidas pelo golpe e o volume completo de veículos financiados dependem do término da análise pericial em computadores, telefones e mídias apreendidos em 8 de outubro de 2026 durante o cumprimento dos mandados de busca.

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