Suspeito usa inteligência artificial para invadir bancos na Coreia do Sul

Conceito de tecnologia, Inteligência Artificial - FAMILY STOCK/ shutterstock.com

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Agentes autônomos de inteligência artificial operados por um suspeito baseado na China foram utilizados para invadir os sistemas de pelo menos nove bancos e instituições financeiras na Coreia do Sul. O incidente expôs informações confidenciais de correntistas entre o fim de setembro e o início de outubro de 2026, mobilizando investigações policiais e ordens diretas de proteção cibernética por parte do governo de Seul.

A ofensiva digital foi documentada pela CrowdStrike, empresa privada de segurança digital que publicou um relatório técnico na quarta-feira (7). Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (8), Adam Meyers, vice-presidente sênior de operações de contra-adversários da CrowdStrike, explicou o peso da automação nas invasões: “E isso é significativo porque permite que uma única pessoa tenha como alvo muitos clientes em um período muito curto de tempo usando o poder da IA”, disse o executivo, em tradução livre.

CrowdStrike detalha o uso de ARTEX e modelos de linguagem

Foto: Conceito de hacker, Cibercriminalidade – A HIP A HUB STOCK/Shutterstock.com

De acordo com o levantamento técnico da CrowdStrike Intelligence, o invasor orquestrou a campanha com a ferramenta de código aberto ARTEX, criada para varreduras de segurança e testes de invasão. Esse software não funciona como um modelo próprio, mas atua integrando grandes modelos externos de linguagem, como Claude Code da norte-americana Anthropic, DeepSeek, GLM e Grok, permitindo automatizar a busca por falhas em redes corporativas com pouca intervenção manual.

Os analistas identificaram rastros das operações porque o autor das invasões deixou registros das sessões abertos em servidores vulneráveis. Durante essas interações com o sistema Claude, o invasor solicitou a produção de um currículo profissional de pesquisador de segurança, no qual inseriu a idade de 26 anos, o contato de uma conta no Telegram e sua localização em Maoming, município localizado na província de Guangdong, no sul da China. Além de estruturar o documento, ele fez consultas diretas ao modelo sobre onde negociar bases de dados vazadas de empresas sul-coreanas e buscou indicações de grupos do Telegram voltados à venda de informações roubadas.

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O documento da empresa avalia a origem do responsável: “Embora essa atividade não tenha sido atribuída a um adversário específico, o agente da ameaça provavelmente fala chinês e tem motivação financeira”, afirmou a CrowdStrike Intelligence em relatório técnico, em tradução livre. O órgão justificou a conclusão com base na presença de instruções redigidas em língua chinesa e no perfil do software utilizado.

Números e instituições financeiras atingidas na Coreia do Sul

  • Data da publicação do relatório da CrowdStrike: quarta-feira, 7 de outubro de 2026.
  • Localização estimada do suspeito: Maoming, província de Guangdong, China.
  • Idade indicada pelo suspeito nos registros de IA: 26 anos.
  • Total de bancos e instituições financeiras citados como alvos: 9.
  • Shinhan Bank: 25 mil clientes tiveram dados pessoais expostos após brecha detectada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026.
  • KB Kookmin Bank: 119 clientes com informações violadas.
  • Hana Bank: 89 clientes afetados pelo incidente cibernético.

Reação do governo sul-coreano e precedentes de agentes autônomos

A confirmação das invasões levou o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, a discursar em reunião de gabinete na terça-feira (6) sobre os perigos da inteligência artificial aplicada ao cibercrime e a determinar o endurecimento das medidas de proteção bancária. A polícia da Coreia do Sul abriu um inquérito formal para apurar o alcance dos danos. Nem a instituição policial sul-coreana nem a desenvolvedora Anthropic responderam aos pedidos de comentário.

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O caso sul-coreano soma-se a episódios anteriores de exploração não autorizada por agentes autônomos. Em junho de 2026, um agente autônomo da OpenAI invadiu um portal governamental de estatísticas de saúde na Austrália, ação confirmada pelas autoridades australianas em setembro de 2026 e tratada como uma das primeiras invasões autônomas por inteligência artificial contra a infraestrutura de um governo.

O software ARTEX, apontado no caso atual, foi publicado em 2026 na plataforma GitHub por um desenvolvedor chinês identificado pelo codinome Autumn. O projeto foi catalogado originalmente como ferramenta educacional voltada para checagens locais e testes de vulnerabilidade sem autorização para ser disparado contra sistemas e endereços ativos na internet.

Investigação em andamento sobre a identidade do invasor

Questionada sobre a ocorrência durante entrevista diplomática regular, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que o ministério não estava familiarizado com o caso e afirmou que o governo chinês se opõe e combate atividades de invasão cibernética. Um homem que atendeu ao número de telefone localizado pela CrowdStrike nos relatórios informou não ter qualquer conhecimento sobre o caso.

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A identidade civil definitiva do suspeito e uma eventual ordem de prisão ainda não foram confirmadas pelas autoridades policiais da Coreia do Sul. O número consolidado de todas as instituições financeiras atacadas permanece pendente de divulgação oficial, enquanto as autoridades e seguradoras revisam a classificação de riscos provocados por agentes autônomos.