Tempestade solar moderada atinge a Terra nesta sexta-feira

Tempestade solares geomagnética e planeta Terra

Tempestade solares geomagnética e planeta Terra - Triff/ Shutterstock.com

O Centro de Previsão do Clima Espacial da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um aviso de tempestade geomagnética de nível G2 prevista para esta sexta-feira (9). O distúrbio na magnetosfera terrestre é provocado pela aproximação de uma ejeção de massa coronal liberada pelo Sol, que viaja pelo espaço e tem capacidade de gerar auroras boreais em latitudes mais afastadas dos polos, além de pequenas oscilações técnicas em equipamentos na Terra e em órbita.

O fenômeno atinge intensidade moderada dentro da escala oficial da agência norte-americana, permitindo que as luzes noturnas no céu sejam vistas em regiões onde a visualização costuma ser incomum, incluindo os estados norte-americanos de Nova York e Idaho. No entanto, o evento não poderá ser observado a partir do Brasil nem de outras áreas do Hemisfério Sul situadas em baixas latitudes geográficas.

Velocidade e trajetória da ejeção solar em direção à Terra

O distúrbio espacial começou a se formar na terça-feira, 6 de outubro de 2026, quando os instrumentos de monitoramento registraram uma labareda solar de classe M1.4 associada à mancha solar identificada pelo código AR4549. O evento desencadeou uma ejeção de massa coronal de halo completo, termo utilizado pelos cientistas quando a nuvem de plasma se expande em todas as direções a partir da perspectiva de observação terrestre, indicando uma trajetória frontal alinhada com o planeta.

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Cálculos efetuados pelo Centro de Análise de Dados de Influências Solares (SIDC), sediado na Bélgica, indicam que essa massa de partículas carregadas se desloca a uma velocidade projetada em cerca de 560 quilômetros por segundo. As modelagens computacionais apresentam variações quanto ao instante exato de contato da borda frontal da nuvem com o campo magnético do planeta. O modelo numérico WSA-ENLIL da NOAA calcula a chegada para as 02h00 pelo horário de Brasília (05h00 no horário UTC) desta sexta-feira (9), enquanto o serviço meteorológico britânico, o Met Office, estima a aproximação inicial por volta de 01h00, considerando uma margem de incerteza de aproximadamente seis horas.

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A agência espacial norte-americana destacou a expectativa quanto à atividade nas previsões oficiais: “Tempestades geomagnéticas de G1 (menor) a G2 (moderada) são prováveis em 9 de outubro com a chegada de uma ejeção de massa coronal associada a uma labareda M1.4 da Região Ativa 4549 em 6 de outubro. Uma alta chance de atividade adicional de labaredas de classe M da Região 4549 continuará nos próximos dias”, informou o órgão em tradução livre.

Escala de intensidade G2 e efeitos em sistemas elétricos e satélites

As tempestades solares são classificadas oficialmente pela NOAA em uma régua que varia do nível G1, considerado fraco, até o nível G5, nível extremo de atividade. O patamar G2 previsto para esta sexta-feira corresponde ao valor 6 no índice Kp, uma métrica internacional que quantifica as variações nas componentes horizontais do campo magnético terrestre em intervalos regulares de três horas.

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Em eventos classificados sob o nível G2, sistemas de distribuição de energia elétrica instalados em altas latitudes podem registrar alarmes pontuais de sobretensão provocados por correntes geomagnéticas induzidas nas linhas de transmissão. Operações de satélites artificiais em órbita baixa sofrem pequenas alterações no arrasto atmosférico, exigindo manobras de correção de trajetória por controladores em solo, enquanto sinais de radiofrequência em altas latitudes e receptores de posicionamento por satélite (GPS) enfrentam desvios temporários de precisão na triangulação.

A estimativa horária distribuída pela NOAA sugere que o ambiente espacial apresente atividade de nível G1 entre a meia-noite e as 03h00 desta sexta-feira, sob horário de Brasília. As projeções dos físicos solares apontam ainda uma janela de maior probabilidade para o pico correspondente à classe G2 entre as 06h00 e as 09h00.

Cronologia da atividade solar e previsões para os próximos dias

O dinamismo registrado na coroa solar concentra-se em estruturas ativas que permanecem voltadas na direção do planeta, mantendo a probabilidade de novas emissões eletromagnéticas ao longo dos próximos dias:

  • Terça-feira, 6 de outubro de 2026: registro da labareda M1.4 na região AR4549, liberação da ejeção de massa coronal e posterior emissão de uma segunda labareda de classe M1.8 na mesma mancha ativa.
  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026: aproximação da borda frontal da nuvem de plasma à magnetosfera terrestre e período de vigilância para condições de tempestade geomagnética moderada.
  • Sábado, 10 de outubro de 2026: entrada na fase de Lua Nova, condição astronômica que elimina o brilho lunar natural e oferece escuridão propícia para registros de auroras boreais que persistirem no Hemisfério Norte.
  • Domingo, 11 de outubro de 2026: início de uma nova janela de atividade geomagnética elevada, em decorrência da chegada prevista de fluxos de vento solar veloz originados em buracos coronais.

Comportamento do campo magnético e monitoramento contínuo

A intensidade definitiva com que as auroras boreais serão vistas em solo e a delimitação territorial exata de visibilidade continuam sem confirmação antecipada. A magnitude do espetáculo celeste depende diretamente da orientação do campo magnético transportado no interior da nuvem de plasma, denominado componente Bz. Se esse vetor estiver direcionado para o sul no momento da colisão, ele se conecta diretamente às linhas de campo magnético voltadas para o norte da Terra, canalizando as partículas solares com maior eficiência para as camadas superiores da atmosfera.

Além da estrutura AR4549, a mancha solar AR4545 também se encontra alinhada em direção à Terra e exibe instabilidade suficiente para produzir novas labaredas da classe M. Cientistas e centros de meteorologia espacial mantêm o rastreamento em tempo real com dados de sondas posicionadas entre o Sol e a Terra para atualizar as projeções de impacto magnético até domingo, 11 de outubro de 2026.