O macaco-prego Alcebíades morreu no Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Salvador, horas após ser resgatado de uma série de invasões a residências no condomínio Alphaville 2. O tutor do animal, o ex-deputado estadual Marcell Moraes, anunciou o falecimento na quinta-feira (8) e declarou que vai exigir a realização de uma perícia independente para apurar as causas da morte.
A morte do animal ocorreu às 18h42 de segunda-feira (5), no mesmo dia em que equipes da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental realizaram o resgate. “Ele saiu daqui saudável e foi levado pela polícia depois de entrar na casa de vizinhos do Alphaville 2. Agora meu filho está morto, e eu exijo uma perícia séria e independente”, afirmou Marcell Moraes.
Atendimento veterinário e estado de saúde de Alcebíades no Cetas
De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o primata deu entrada na unidade de triagem desacordado, com rebaixamento do nível de consciência, lesões traumáticas na face e na língua, além de temperatura corporal de 42 °C e frequência cardíaca superior a 170 batimentos por minuto. Relatos de moradores e policiais indicaram a suspeita de ingestão de medicamentos, bebida alcoólica e álcool 70% durante o período em que o animal circulou pelas casas.
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“Considerando o histórico relatado pela equipe responsável pela ocorrência e os sinais clínicos observados no momento da admissão e durante o atendimento, foi considerada, entre as hipóteses clínicas, a possibilidade de exposição a agente tóxico. Contudo, os sinais apresentados são inespecíficos e, isoladamente, não permitem confirmar intoxicação, tampouco determinar eventual agente causador”, informou o Inema em nota oficial.
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Cronologia e dados da ocorrência no condomínio Alphaville 2
A ação de resgate mobilizou forças ambientais após episódios de agressividade e danos materiais registrados dentro do condomínio de luxo na capital baiana.
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- 4 de outubro de 2026: Marcell Moraes publica registro de ferimento no braço provocado por mordida do macaco Alcebíades.
- 5 de outubro de 2026, por volta das 14h30: animal é contido com rede puçá pela Polícia Militar após 3h30 de operação.
- 5 de outubro de 2026, às 18h42: horário oficial do óbito registrado pela equipe médica veterinária do Cetas.
- 8 de outubro de 2026: confirmação pública do falecimento divulgada pelo tutor e ratificada pelo órgão ambiental.
Invasão de residências e atuação da polícia ambiental
Durante a fuga pelas dependências do condomínio Alphaville 2, Alcebíades quebrou um box de vidro, feriu moradores e mordeu um policial militar que atuava no cerco. O animal também entrou no quarto de um recém-nascido de cinco dias de vida antes de ser imobilizado pelos agentes da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental. Vizinhos relataram que episódios anteriores de escape do primata já haviam ocorrido no local.
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O animal silvestre possuía registro regularizado sob a guarda do ex-deputado estadual e mantinha cerca de 10 mil seguidores em perfil na internet antes da desativação da página. Marcell Moraes teve o mandato parlamentar cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2020, decisão que determinou sua inelegibilidade por oito anos contados a partir do pleito de 2018 devido a abuso de poder econômico em mutirões de atendimento veterinário.
Divergências e desdobramentos sobre a causa da morte
Após a confirmação do óbito na quinta-feira (8), Marcell Moraes se envolveu em nova discussão com vizinhos no residencial, resultando no arremesso de objeto e quebra de vidraça. O ex-parlamentar sustenta suspeita de envenenamento ou agressão física com uso de pá desferida por um morador contra a cabeça do primata. Os relatórios oficiais apontam ferimentos decorrentes dos choques contra vidros e agressões durante a contenção.
A causa determinante da morte segue pendente de conclusão do laudo necroscópico, que vai definir se o óbito decorreu de traumatismo craniofacial, intoxicação ou colapso cardiorrespiratório por estresse térmico, enquanto o Inema avalia eventual ocorrência de negligência nos cuidados com o animal silvestre.
