O pastor evangélico Rafael Átila Teles foi preso nesta sexta-feira (9) pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva sob suspeita de estupro de vulnerável contra ao menos nove crianças. A ordem judicial decorre de apurações sobre crimes cometidos na Baixada Fluminense ao longo de vários anos.
As investigações foram conduzidas de forma conjunta pela 57ª DP (Nilópolis) e pela 64ª DP (São João de Meriti), delegacias que reuniram elementos e solicitaram a custódia do investigado. A medida cautelar havia sido expedida pela Justiça do Estado do Rio de Janeiro em 29 de setembro de 2026, com o mandado formalizado no Noroeste Fluminense e registrado na delegacia de Itaperuna.
Investigação de Rafael Átila Teles durou um ano na Baixada Fluminense
A apuração policial durou cerca de um ano e identificou que as condutas abusivas ocorreram nos municípios de Nilópolis e São João de Meriti. Segundo a polícia, o investigado utilizava a proximidade familiar, espiritual e de amizade com membros da congregação para obter acesso às vítimas, praticando os atos dentro da própria residência e em um estabelecimento comercial sob sua gestão.
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Os relatos apontam que as abordagens começavam durante a infância das vítimas, com registros de abusos iniciados aos 6 anos de idade, além de outro caso envolvendo uma vítima de 12 anos violentada em mais de uma ocasião. Uma das jovens abusadas aos 6 anos, hoje com 18 anos, relatou ter guardado silêncio por 10 anos até formalizar o caso: “Era muito difícil na minha cabeça ver que, ao mesmo tempo, ele foi esse cara nojento e depois, quando eu cresci, ver que ele tinha essa característica de ser um pai de família, de ser um pastor. Então às vezes a gente fica incrédula, nem acredita”.
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A vítima declarou ainda os reflexos enfrentados e o motivo de procurar os agentes: “A gente paga psicologicamente por isso. Vieram muitas crises, vieram noites de choro. É um ato de muita coragem. Com muito apoio da minha família e de quem me ama, eu tomei essa atitude de denunciar porque, desse jeito, eu conseguiria ser útil para crianças e adolescentes.”
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Denúncias contra Rafael Átila Teles surgiram em reunião familiar
O caso passou a ser investigado após um encontro familiar ocorrido no ano anterior, quando a filha adotiva de Rafael Átila relatou abusos sofridos na residência. A revelação levou outras mães a conversarem com suas filhas e confirmarem episódios similares, procurando a Polícia Civil em seguida.
A mãe da jovem denunciante afirmou ter percebido a dimensão do caso imediatamente: “Houve uma tentativa de silenciamento, de fazer com que a gente não falasse, que resolvesse tudo ali na conversa. Mas eu já estava decidida a denunciar porque, quando minha filha me contou, eu já entendi que havia outras vítimas”. Outra mãe relatou a confiança mantida anteriormente: “Eu conheço a família há muitos anos. Minhas filhas foram criadas no mesmo ambiente. Foi uma surpresa porque eu nunca imaginava que isso poderia acontecer. Sempre foi uma pessoa que teve muita credibilidade no nosso meio.”
Cronologia e dados da ação contra Rafael Átila Teles
- 29 de setembro de 2026: expedição do mandado de prisão preventiva pela Justiça do Rio de Janeiro.
- 9 de outubro de 2026: cumprimento da ordem judicial no Noroeste Fluminense e registro na delegacia de Itaperuna.
- 57ª DP (Nilópolis) e 64ª DP (São João de Meriti): unidades responsáveis pela investigação de um ano.
- 148ª DP (Italva): equipe policial envolvida no cumprimento do mandado no interior do estado.
Inquérito sobre Rafael Átila Teles reúne áudios e segue em segredo
Entre as provas anexadas ao inquérito policial estão gravações de voz atribuídas ao pastor, nas quais ele menciona os fatos investigados: “Eu tive que largar tudo por um erro que eu cometi há mais de 15 anos atrás. Eu não sou esse monstro que vocês estão pensando. Eu vou me entregar, vou pagar pelo erro que eu cometi. Estava doente e não sabia, mas depois eu nunca mais fiz isso, nunca mais toquei em ninguém”.
O processo judicial tramita sob segredo de Justiça no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A defesa de Rafael Átila Teles declarou, por meio de nota oficial, que ele nega categoricamente as acusações, sustenta inocência perante o Judiciário e informou que apresentará contraprovas no decorrer da instrução penal.
As autoridades não divulgaram publicamente o nome da congregação em que ele exercia funções religiosas, em virtude do sigilo processual. Também não foram informadas a data e a escala de transferência do preso para o sistema prisional da Região Metropolitana.
