Universidade Cornell expulsa Jonathan Newell após comprovar sexo sem consentimento

Polícia, Crimes, Homicidio, assassinato

Polícia, Crimes, Homicidio, assassinato - Foto: Zag Advertising/shutterstock

O comitê disciplinar da Universidade Cornell determinou a expulsão definitiva do estudante Jonathan Newell após concluir que ele manteve relações sexuais sem consentimento com uma aluna, identificada nos autos judiciais como Jane Doe. A constatação administrativa foi confirmada pelo advogado de defesa da jovem, Thomas Giuffra, nesta sexta-feira (9), detalhando que o colegiado universitário reconheceu a violação direta da integridade física da estudante no campus de Ithaca, no estado de Nova York, nos Estados Unidos.

A penalidade máxima contra Newell foi definida após 12 dias de audiências probatórias e a averiguação de farto material documental conduzida sob o Título IX, legislação federal norte-americana que regula a igualdade de gênero e combate a violência sexual em instituições de ensino que recebem verbas públicas. O comitê estabeleceu que o estudante não obteve consentimento afirmativo da aluna, destacando a diretriz oficial do regulamento universitário de que o silêncio ou a falta de resistência, por si sós, não configuram anuência para atos sexuais.

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Cornell apura publicação no Snapchat e convite a abusos na Chi Phi

De acordo com o painel disciplinar, Newell não apenas iniciou o ato sem autorização, como também expôs deliberadamente a condição da vítima. Ele publicou uma foto da jovem em uma cama acompanhada da mensagem que oferecia o corpo dela aos demais integrantes no grupo do aplicativo Snapchat da fraternidade Chi Phi. A publicação atraiu ao menos três homens desconhecidos para o quarto, os quais também abusaram sexualmente da estudante.

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Em declaração pública concedida sobre os achados da instituição, em tradução livre, Thomas Giuffra afirmou: “Acreditamos que as mensagens de texto foram parte do processo do Título IX que levou à expulsão do senhor Newell após doze dias de audiências probatórias e extensas provas documentais. É incontroverso que o painel de audiência concluiu que o senhor Newell violou a segurança corporal da senhorita Doe ao iniciar a relação sexual sem o consentimento dela. O painel também concluiu que o senhor Newell escolheu sexualizar e transmitir a vulnerabilidade da senhorita Doe e convidar a abusos adicionais que levaram pelo menos três homens desconhecidos por ela, e provavelmente mais, a abusarem sexualmente dela”.

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Os fatos apurados ocorreram na noite de sábado, 19 de outubro de 2024, por volta das 23h pelo horário local da Costa Leste dos Estados Unidos, na sede da fraternidade Chi Phi. Na ação cível movida por Jane Doe, a jovem relatou que o contato inicial com Newell e com outro membro do grupo, Matthew Ingalls, foi consensual. O cenário mudou quando Ingalls se afastou do local para dormir. Naquele momento, Newell passou a tocar a genitália da estudante de forma insistente, mesmo com a recusa expressa da jovem, que empurrou as mãos do agressor seguidas vezes. Em seguida, outro homem entrou no recinto, imobilizou a aluna e passou a beijá-la enquanto Newell prosseguia com os abusos, levando os dois agressores a consumarem a violência sexual na cama.

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Mensagens posteriores e avaliação psicológica apresentada pela defesa

Mensagens de texto trocadas entre a jovem e os acusados vieram a público recentemente, mostrando diálogos com tom cordial nas duas primeiras semanas após a ocorrência. Em 3 de novembro de 2024, no entanto, Doe confrontou Newell por texto, afirmando categoricamente que 90% do que aconteceu naquela noite não foi consensual, ressaltando ter consumido substâncias em quantidade superior à sua memória e que havia expressado desconforto por não conhecer os indivíduos presentes no cômodo.

O advogado Thomas Giuffra rebateu questionamentos sobre o intervalo de tempo entre o crime e a percepção formal da agressão por parte da aluna, classificando a reação como um fenômeno psíquico recorrente entre vítimas de violência física. Giuffra explicou, em tradução livre: “Este é um fenômeno amplamente conhecido e relatado na literatura médica e psicológica. A maioria das sobreviventes de estupro não identifica imediatamente o que aconteceu com elas como estupro. Quando o agressor é um parceiro romântico ou amigo, as vítimas frequentemente duvidam de sua própria percepção”.

Desdobramentos na Suprema Corte de Nova York e inquérito criminal

A crise institucional provocou fortes reações no campus de Ithaca e resultou no fechamento definitivo da filial da fraternidade Chi Phi em 2024, que segue banida de quaisquer atividades ligadas à universidade. O caso gerou protestos estudantis após a constatação de que, entre os sete estudantes responsabilizados internamente pelo episódio de outubro de 2024, somente Jonathan Newell e Matthew Ingalls foram expulsos por Cornell. Os demais cinco investigados receberam sanções disciplinares brandas, como redações reflexivas e suspensões temporárias, mantendo o direito de frequentar as salas de aula.

Em 16 de setembro de 2026, Jane Doe ajuizou uma ação cível com 101 páginas perante a Suprema Corte do Estado de Nova York contra a Universidade Cornell e sete ex-alunos. Nos dias que antecederam a manifestação pública do advogado, Doe e o próprio Giuffra relataram ter recebido ameaças de morte, além de um trote armado direcionado à residência da família da aluna para mobilizar forças táticas policiais sob falso alerta de emergência.

Diante das provas documentadas e da repercussão do processo judicial civil, o promotor de justiça do Condado de Tompkins, Matthew Van Houten, determinou a reabertura formal do inquérito criminal para submeter os fatos apurados e os envolvidos na fraternidade Chi Phi à deliberação de um grande júri.