A Associação Atlética Ponte Preta foi condenada a pagar R$ 53.280,14 à padaria Piracam Produtos Alimentícios Ltda. por alimentos fornecidos desde maio de 2025 e nunca quitados. A determinação judicial ocorreu em Campinas neste sábado (10), após a cobrança tramitar na 5ª Vara Cível da comarca paulista.
O juiz Bruno Gonçalves Mauro Terra rejeitou a contestação apresentada pelo clube, que alegava ausência de canhotos assinados para comprovar a entrega dos produtos no Estádio Moisés Lucarelli. O magistrado destacou que a própria diretoria admitiu a inadimplência em declarações públicas, o que invalida a tentativa de anular a cobrança com base em exigências puramente formais.
Sentença da Justiça de Campinas contra a Ponte Preta
Na decisão, o magistrado Bruno Gonçalves Mauro Terra apontou contradição entre a postura pública dos dirigentes do clube e os argumentos apresentados no processo judicial. O juiz citou entrevistas nas quais representantes pontepretanos confirmaram o débito com os fornecedores locais.
“Diante desse cenário, não se mostra lícito nem condizente com a boa-fé objetiva que a ré, extrajudicialmente, assuma sua crise e admita a existência da pendência perante o credor e a mídia, mas, em juízo, tente afastar a obrigação de pagar valendo-se apenas de um preciosismo formal sobre comprovantes de papel. Esta conduta, aliás, configura comportamento contraditório, rechaçado pelo ordenamento jurídico”, afirmou Bruno Gonçalves Mauro Terra na sentença.
O magistrado também citou manifestações anteriores do diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, que já havia abordado a pendência financeira publicamente. “Neste cenário, a falta da rubrica nos canhotos é suplantada pelo comportamento da própria associação requerida. A autora trouxe aos autos matérias veiculadas na imprensa onde o Diretor Jurídico da ré, instado a se manifestar especificamente sobre a presente demanda, reconheceu as dificuldades em honrar o compromisso com a fornecedora e afirmou o desejo de buscar um acordo”, complementou o juiz.
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Cobrança da padaria Piracam Produtos Alimentícios Ltda.
A padaria Piracam Produtos Alimentícios Ltda. acionou o Poder Judiciário após sucessivas tentativas frustradas de receber pelos itens entregues para o consumo diário no centro esportivo da equipe campineira.
“A requerente forneceu alimentação, sobretudo pães, para consumo da requerida, sempre atendendo prontamente a todas as solicitações da requerida de forma eficiente e justa, porém a requerida não cumpriu com o pagamento como devido, desde maio de 2025”, sustentou a defesa da padaria na petição inicial da ação de cobrança.
O fornecimento de pães atendia diretamente à rotina do Estádio Moisés Lucarelli. O desabastecimento no local chamou a atenção interna quando um comunicado colocado no refeitório pontepretano, limitando o consumo de pães por funcionário, circulou em redes sociais em setembro de 2026.
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Dados da decisão judicial contra a Ponte Preta
- Valor nominal cobrado e reconhecido pela Justiça: R$ 53.280,14
- Honorários advocatícios fixados: 10% sobre o valor atualizado da condenação
- Fornecedora credora: Piracam Produtos Alimentícios Ltda.
- Origem do débito: fornecimento de alimentos e pães sem pagamento desde maio de 2025
- Mecanismo de quitação: Regime Centralizado de Execuções (RCE)
Crise financeira e impacto no futebol da Ponte Preta
A condenação se soma a um quadro de endividamento generalizado enfrentado pela Ponte Preta. Uma auditoria interna elaborada para o projeto de criação de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) calculou o endividamento total em cerca de R$ 320 milhões, sem contabilizar cerca de R$ 20 milhões referentes a débitos tributários de IPTU. O balanço financeiro de 2025 fechou com resultado negativo de R$ 33,5 milhões, e o déficit mensal médio foi estimado em R$ 2,8 milhões.
O estrangulamento do caixa provocou atrasos em salários de atletas e funcionários. Em agosto de 2026, o elenco profissional de futebol paralisou os treinamentos durante uma semana em protesto contra pagamentos pendentes, com relatos de atrasos que variavam de seis meses a quase um ano. Os problemas administrativos desaguaram no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, que somou 210 ações trabalhistas movidas contra a Ponte Preta desde 2022, sendo 55 ajuizadas apenas em 2026 até 24 de setembro.
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O reflexo esportivo culminou em quedas de divisão: a equipe foi rebaixada no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro. Na competição nacional, o time acumulou 22 jogos seguidos sem vitória, a maior sequência negativa já registrada no torneio.
Tramitação pelo Regime Centralizado de Execuções da Ponte Preta
Por causa das dificuldades financeiras comprovadas nos autos, a 5ª Vara Cível concedeu os benefícios da justiça gratuita à agremiação, o que suspendeu temporariamente a cobrança imediata das custas processuais e dos honorários advocatícios fixados em 10% sobre o montante atualizado.
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O pagamento dos R$ 53.280,14, acrescido de juros e correção monetária, não ocorrerá via bloqueio imediato de contas bancárias. O débito entrará na fila de pagamentos do Regime Centralizado de Execuções (RCE), instrumento que organiza o fluxo de quitação com credores de acordo com a disponibilidade financeira do clube campineiro.
O dia exato em que a decisão foi assinada pelo juiz Bruno Gonçalves Mauro Terra no fim de setembro de 2026 não foi detalhado na divulgação dos autos, cabendo à Ponte Preta o cumprimento do plano judicial estabelecido.
