Quatro erupções solares avançam e podem gerar auroras boreais nos Estados Unidos

Aurora boreal - Artem Avetisyan/Shutterstock.com Foto: Aurora boreal - Artem Avetisyan/Shutterstock.com

Quatro ejeções de massa coronal disparadas pela região de manchas ativas AR4549 avançam em direção à Terra e podem provocar tempestades geomagnéticas moderadas e auroras boreais visíveis em partes dos Estados Unidos e do Canadá. O fenômeno amplia o alcance das luzes polares em direção ao sul da fronteira canadense, alcançando áreas onde o evento não costuma ser observado com frequência.

O Centro de Previsão de Clima Espacial da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, a NOAA, emitiu alertas para tempestades geomagnéticas moderadas classificadas na escala G2. Em comunicados sobre o avanço do material solar, o órgão destacou que a aurora pode se tornar visível em estados do norte e do Meio-Oeste americano, de Nova York a Idaho, além de localidades em Washington e Montana.

Sequência de explosões na mancha solar AR4549

aurora borealis
Foto: aurora borealis – Tolkung/Shutterstock.com

A série de instabilidades na superfície solar começou na terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 08h05 pelo Horário Universal Coordenado, quando a região ativa AR4549 liberou uma erupção solar classificada na intensidade M1.4. Esse evento inicial deu origem ao primeiro lote de ejeções de massa coronal registradas pelos satélites de monitoramento em órbita.

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Na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, às 15h48 UTC, a mesma região solar registrou uma nova erupção de magnitude M6.7. Essa detonação potente liberou a quarta ejeção de plasma em direção ao planeta, elevando o nível de perturbação esperado para as camadas magnéticas terrestres durante o período.

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A física de clima espacial Tamitha Skov explicou o impacto das emissões sucessivas sobre a magnetosfera terrestre. Em análise sobre as primeiras detonações, ela declarou, em tradução livre, que duas ejeções de massa coronal de 6 de outubro poderiam atingir a Terra em sucessão relativamente rápida, desferindo um golpe duplo contra o campo magnético do planeta.

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Dados do Centro de Dados de Influências Solares, o SIDC, sediado na Bélgica, indicaram que a primeira nuvem de partículas solares viajou com velocidade estimada em 560 quilômetros por segundo. Essa velocidade média impulsiona a matéria ionizada pelo meio interplanetário até colidir com a camada de proteção magnética global.

AR4549: risco de colisão entre nuvens e efeito canibal

A quarta ejeção de massa coronal liberada pela mancha AR4549 desloca-se a uma velocidade superior à das emissões que partiram antes dela. Especialistas apontam que essa diferença de ritmo cria a possibilidade de a última nuvem alcançar a terceira antes do impacto direto com a atmosfera terrestre.

Quando uma ejeção mais rápida atinge e engole uma nuvem mais lenta que segue à sua frente, ocorre o processo conhecido no clima espacial como ejeção de massa coronal canibal. Essa fusão combina as massas de plasma e concentra campos magnéticos mais densos, o que pode alterar os horários previstos de chegada e intensificar as perturbações geomagnéticas.

Caso as correntes solares interajam de maneira favorável com a magnetosfera terrestre, a perturbação tem potencial para abranger até 28 estados norte-americanos. A visualização das luzes, no entanto, depende da orientação do campo magnético transportado pelas nuvens, especialmente da componente voltada para o sul, fator que ainda não pode ser medido com antecedência pelos centros de previsão.

AR4549: escala de intensidade e projeções divergentes

A escala de tempestades geomagnéticas adotada pela NOAA varia do nível G1, considerado menor, até o G5, classificado como extremo. A projeção oficial do órgão norte-americano indicou uma janela de condições moderadas G2 com pico entre as 18h00 e as 24h00 pelo Horário Médio de Greenwich, estendendo-se pela noite de sexta-feira, 9 de outubro de 2026.

Modelos meteorológicos de diferentes instituições apresentaram variações sobre a força máxima da perturbação. Enquanto a NOAA projetou atividade predominante entre G1 e G2, relatórios do serviço meteorológico britânico, o Met Office, citados pelo jornalista especializado em astronomia Jamie Carter, apontaram uma probabilidade baixa de ocorrência de picos fortes de nível G3 nas primeiras horas da passagem do fluxo inicial.

O Sol atravessa uma fase ativa próxima ou logo após o pico do Ciclo Solar 25, período natural de 11 anos caracterizado pelo aumento expressivo de manchas solares com estruturas magnéticas complexas, como a configuração beta-gama-delta apresentada pela mancha AR4549.

AR4549: calendário de passagens e condições de observação

As previsões operacionais dividiram o impacto das quatro nuvens de plasma em diferentes janelas de tempo ao longo do fim de semana:

  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026, entre 18h00 e 24h00 GMT: janela prevista para as condições mais intensas de tempestade moderada de nível G2.
  • Sábado, 10 de outubro de 2026: fase de Lua nova proporcionando céu escuro para a visualização das luzes em locais com tempo limpo.
  • Domingo, 11 de outubro de 2026, entre 03h00 e 06h00 GMT: período com previsão de tempestade geomagnética menor de nível G1 provocada pela passagem residual dos fluxos.

A editora de observação do céu Daisy Dobrijevic destacou a necessidade de monitoramento contínuo das condições locais, lembrando que previsões que envolvem múltiplos fluxos solares não são exatas quanto ao momento da colisão. A passagem residual das partículas emitidas pela região AR4549 deve manter os instrumentos espaciais em alerta até as primeiras horas de domingo, 11 de outubro de 2026.

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