Os títulos prefixados do Tesouro Direto registraram forte queda nas taxas de remuneração e renovaram mínimas históricas na tarde de quinta-feira (8 de outubro de 2026). O papel com vencimento em 2032 recuou para 12,61% ao ano, enquanto o título com pagamento de juros semestrais para 2037 caiu para 12,69% ao ano, marcando os menores percentuais pagos aos investidores desde as estreias dos respectivos contratos na plataforma pública de investimentos.
A retração nos rendimentos pagos aos compradores ocorreu logo após o Tesouro Nacional emitir R$ 33,28 bilhões em papéis prefixados durante a manhã. A operação representou o maior volume financeiro em leilões desse tipo de dívida pública registrado pela equipe econômica desde 10 de dezembro de 2020, quando o governo vendeu R$ 44,3 bilhões.
Leilão do Tesouro Nacional e absorção de papéis pelo mercado
O Tesouro Nacional ofereceu 42 milhões de papéis ao mercado primário e conseguiu colocar 40,828 milhões de títulos entre instituições financeiras. Do total ofertado, todas as 35 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) foram absorvidas pelos compradores, enquanto 1,17 milhão de Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-Fs) não tiveram colocação concluída.
No corte do leilão oficial, a LTN com vencimento em janeiro de 2032 registrou taxa de 12,708% ao ano. Ao mesmo tempo, a NTN-F para janeiro de 2037 fechou com corte fixado em 12,802% ao ano. A intensidade das negociações e a volatilidade nos preços de abertura provocaram uma suspensão temporária nas operações do Tesouro Direto ao longo da manhã, necessária para que a instituição reprecificasse todos os títulos disponíveis aos investidores pessoas físicas.
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A absorção de quase R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados reflete uma mudança relevante na precificação de prazos longos na economia brasileira. Entre 2 de outubro de 2026 e a sessão de quinta-feira (8), a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2032 acumulou recuo de 155 pontos-base, caindo de 14,07% para 12,52%. A recomposição dessa curva de juros futuros se iniciou logo após o encerramento do primeiro turno das eleições presidenciais, momento em que o mercado financeiro passou a considerar um cenário de maior disciplina orçamentária diante do desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, na disputa com Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República e candidato à reeleição pelo PT.
Para o ex-chefe do departamento de mercado aberto do Banco Central e sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, o comportamento dos juros futuros e dos títulos soberanos sinaliza melhora na confiança. “O movimento reflete o maior otimismo com as perspectivas fiscais do próximo governo, que se traduz tanto na expectativa de um ciclo de redução da Selic potencialmente mais longo e intenso quanto na compressão dos prêmios de risco”, afirmou o economista.
Desdobramentos globais e impacto nas taxas de juros
Além da demanda doméstica no leilão primário de dívida pública, o comportamento dos juros no Brasil foi influenciado pelo alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista que o país não realizará ofensivas militares contra o Irã antes das eleições legislativas norte-americanas, marcadas para 3 de novembro de 2026, acrescentando que conversas produtivas estavam em andamento.
A fala de Donald Trump reduziu imediatamente a pressão sobre o mercado global de combustíveis. No início daquele dia, o barril de petróleo Brent havia superado a marca de US$ 104 após notícias de que a Casa Branca avaliava opções de ataque contra o território iraniano. Após o recuo nas cotações e a acomodação nos rendimentos dos Treasuries de 10 anos próximos a 5,30%, os contratos da bolsa de valores brasileira desaceleraram ganhos do pregão e fecharam em alta de 0,94%, aos 206.220 pontos, enquanto as mesas de operação aguardavam a pesquisa Datafolha que indicou Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto contra 45% de Lula.
Na renda fixa indexada aos preços ao consumidor, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 acompanhou o recuo e encerrou com taxa de IPCA mais 6,71% ao ano, seu menor patamar desde o lançamento do papel em fevereiro de 2026. A dinâmica dos juros continuou na sexta-feira (9 de outubro de 2026), quando as taxas abriram em nova queda generalizada, com o Prefixado 2037 a 12,57% e o Prefixado 2032 a 12,54%, mesmo após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar o IPCA de setembro com alta de 0,82%, acumulando 4,58% em 12 meses.
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Taxas do Tesouro Direto apuradas na consolidação da tarde
Os rendimentos anuais dos títulos públicos federais praticados às 15h26 de quinta-feira (8 de outubro de 2026) foram os seguintes:
- Tesouro Prefixado 2029: 12,33% ao ano com vencimento em 01/01/2029
- Tesouro Prefixado 2032: 12,61% ao ano com vencimento em 01/01/2032
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 12,69% ao ano com vencimento em 01/01/2037
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA mais 6,71% ao ano com vencimento em 15/08/2032
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA mais 6,76% ao ano com vencimento em 15/05/2037
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA mais 6,61% ao ano com vencimento em 15/08/2040
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA mais 6,62% ao ano com vencimento em 15/05/2045
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA mais 6,57% ao ano com vencimento em 15/08/2050
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA mais 6,55% ao ano com vencimento em 15/08/2060
- Tesouro Selic 2031: Selic mais 0,0874% ao ano com vencimento em 01/03/2031
A liquidação financeira das operações do leilão primário do Tesouro Nacional ocorreu na sexta-feira (9 de outubro de 2026), concluindo a transferência dos papéis emitidos para as instituições compradoras.
