O peixe tetra-mexicano de caverna perdeu a visão e a pigmentação corporal por rotas moleculares distintas após dois eventos de colonização subterrânea. A constatação integra o sequenciamento genômico de 47 espécimes da espécie Astyanax mexicanus, publicado no periódico BMC Ecology and Evolution, que identificou 512 genes com perda de função presentes nos indivíduos cavernícolas e ausentes nos peixes de superfície.
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Maxime Policarpo, pesquisador afiliado à Université Paris-Saclay e autor principal do trabalho, detalhou o achado genético na publicação científica ao lado de pesquisadores franceses e norte-americanos. “Nós confirmamos que muito poucos alelos putativos não funcionais estão presentes em um grande conjunto de genes de visão, em concordância com a origem recente do peixe de caverna Astyanax mexicanus”, afirmou Policarpo, em tradução livre.
Mutações no Astyanax mexicanus e colonização em quatro cavernas
A investigação liderada por geneticistas como Didier Casane e Laurent Legendre analisou peixes procedentes de quatro cavidades subterrâneas na Sierra de El Abra e na Sierra de Guatemala. Os dados demonstraram que a ausência de pigmentos e a degeneração precoce do cristalino não decorrem de uma mutação compartilhada, mas de alterações independentes que reduzem gastos calóricos basais na escuridão contínua.
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Origem das linhagens nas cavernas da Sierra de El Abra
- El Pachón: caverna com espécimes que apresentam apoptose celular do cristalino e supressão de fotorreceptores.
- El Sótano de la Tinaja: sistema subterrâneo com linhagens adaptadas à ausência permanente de radiação luminosa.
- La Cueva Chica: bacia subterrânea com troglomorfismo e perda independente da síntese tecidual de melanina.
- El Sótano de Molino: cavidade integrada à análise genômica comparada com populações de rios superficiais.
Embora os embriões iniciem o tecido ocular antes de sofrerem degeneração celular, novos dados de bancada sobre essas 47 amostras não foram publicados em outubro de 2026.
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