O Rio Branco Esporte Clube negocia a cessão do departamento de futebol a uma empresa parceira que administra o Sertãozinho para disputar a Série A2 do Campeonato Paulista em 2027. A tratativa foi informada à Justiça para tentar evitar um déficit operacional calculado em R$ 1,4 milhão por temporada na Série A3 estadual.
Em petição apresentada na 2ª Vara Cível da Comarca de Americana na terça-feira (6), a defesa jurídica do clube relatou que a manutenção da equipe profissional vinha ocorrendo de forma insustentável, “operando em constante queima de caixa e sobrecarregando as receitas provenientes do clube social e da sede náutica”.
Déficit de R$ 1,4 milhão motiva reorganização do Rio Branco
O plano financeiro detalhado no processo indica que disputar a Série A3 do Campeonato Paulista custaria cerca de R$ 1,8 milhão aos cofres do Rio Branco. Em contrapartida, a receita máxima projetada pelo clube com cotas de televisão, arrecadação de bilheteria e patrocínios atinge R$ 480 mil, montante que cobre apenas 22% das despesas mínimas necessárias para manter a estrutura em campo ao longo do ano.
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Para não comprometer o patrimônio imobiliário do clube social e da sede náutica, avaliado na ação em R$ 100 milhões, a gestão do presidente Cláudio Bonaldo buscou um parceiro privado disposto a arcar integralmente com os investimentos do futebol profissional.
- Custo operacional estimado na Série A3: R$ 1,8 milhão por temporada;
- Receita máxima prevista com TV, bilheteria e patrocínio: R$ 480 mil;
- Déficit anual projetado sem investidor externo: R$ 1,4 milhão;
- Cobertura de despesas por arrecadação própria: 22%;
- Patrimônio imobiliário avaliado em juízo: R$ 100 milhões.
Régis Villas Bôas Villela atua na defesa e na gestão esportiva
A petição protocolada em Americana tem como subscritor o advogado Régis Villas Bôas Villela, que assumiu a representação do Rio Branco no processo de recuperação judicial e atua simultaneamente como o principal gestor da empresa responsável pelo futebol do Sertãozinho. Pela proposta apresentada, o time atuará em Americana utilizando o nome, o uniforme e o escudo do Rio Branco, mas ficará administrativamente vinculado ao CNPJ e à vaga do Sertãozinho na Série A2.
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A operação, contudo, enfrenta divergências nos bastidores. Enquanto a defesa do Rio Branco formalizou as conversas preliminares no processo, o ex-dirigente do Sertãozinho Eder Soldera classificou a fusão das operações como uma “utopia” ao avaliar a viabilidade da transferência de sede e de direitos competitivos.
Mudança do Rio Branco pode abrir vaga para São Caetano e Itaquaquecetuba
Se a Federação Paulista de Futebol homologar a transferência da vaga da Série A2 e o Rio Branco desocupar o posto na Série A3, o regulamento provocará um efeito cascata no futebol de São Paulo. O São Caetano herdará a vaga aberta na Série A3 por ter registrado a melhor campanha entre todas as equipes eliminadas na fase decisiva da Série A4.
Essa promoção abrirá uma vaga excedente na Série A4, que será destinada ao Itaquaquecetuba. A equipe terminou em terceiro lugar na Segunda Divisão Paulista, equivalente ao quinto nível estadual, e passará à quarta divisão caso os acessos por vacância sejam oficializados.
Regras da Federação Paulista de Futebol e precedentes no interior
O estatuto da Federação Paulista de Futebol autoriza que um clube filiado solicite licença das competições oficiais por até dois anos sem sofrer desfiliação definitiva. Contudo, a norma impõe que a equipe licenciada retorne obrigatoriamente pela última divisão do estado caso não mantenha atividade contínua no período regulamentar.
Manobras societárias com alteração de sede e transferência de CNPJ já foram autorizadas pela entidade em edições passadas no interior paulista. O caso mais emblemático ocorreu em 2010, quando a estrutura do Grêmio Barueri foi transferida para Americana como Grêmio Prudente e Grêmio Barueri, além da união recente entre Lemense e SC Atibaia. A atual recuperação judicial do Rio Branco tramita sob o processo 1002774-26.2023.8.26.0019, deferido originalmente pela 2ª Vara Cível em março de 2023.
Tratativas preliminares aguardam manifestação oficial da entidade paulista
A Federação Paulista de Futebol foi formalmente comunicada da consulta jurídica e informou que analisa os termos da operação, sem ter emitido parecer conclusivo. A entidade examina a conformidade do pedido com o regulamento geral de competições.
Até o momento, não existe contrato definitivo assinado entre as diretorias de Rio Branco e Sertãozinho, tratando-se exclusivamente de tratativas preliminares comunicadas ao juízo de recuperação judicial para avaliação de viabilidade esportiva e econômica.
