Tráfico de remédios soma 251 toneladas apreendidas na África Central

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comprimidos, remédio - Fotomoment001/Shutterstock.com

O contrabando de medicamentos na África Central resultou na apreensão de 251 toneladas de produtos médicos ilegais entre 2020 e 2025. O dado consta em relatório conjunto publicado na terça-feira (6 de outubro de 2026) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Comissão da Comunidade Econômica e Monetária da África Central (Cemac).

Autoridades regionais interceptaram cargas que incluíam antibióticos, antimaláricos, analgésicos, anti-inflamatórios e substâncias psicoativas reguladas, a exemplo de tramadol e pregabalina. O levantamento abrangeu os seis países que integram o bloco regional: Camarões, Chade, Gabão, Guiné Equatorial, República Centro-Africana e República do Congo.

Mortes causadas por compostos adulterados na África Central

Foto: Remédio, antibióticos – Foto: NoSystem images/ Istockphoto.com

A circulação de produtos falsificados ou fora dos padrões técnicos provocou falhas terapêuticas graves, intoxicações e mortes evitáveis na região. O relatório relembrou a tragédia registrada em 2023 no Camarões, quando 12 crianças morreram após ingerirem xarope pediátrico fabricado com excipientes contaminados. A fragilidade crônica dos sistemas de saúde pública e o custo elevado de remédios regulamentados forçam famílias a comprar itens fracionados em feiras livres a preços baixos, expondo os doentes a substâncias ineficazes ou letais.

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Estimativas da OMS citadas no documento indicam que a África Subsaariana registra entre 72.000 e 267.000 mortes anuais associadas ao uso de antimaláricos falsificados ou adulterados. O mesmo estudo vincula 169.271 mortes anuais à administração de antibióticos de má qualidade para o tratamento de pneumonia infantil. Rutendo Kuwana, líder da equipe de Vigilância e Controle de Mercado de Produtos de Saúde da OMS, declarou que a circulação de produtos médicos falsificados e abaixo do padrão continua a ser uma grande preocupação, por colocar em perigo a saúde pública e minar a confiança nos serviços sanitários, em tradução livre.

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Como grupos armados operam o contrabando de remédios?

Milícias e grupos armados que atuam na região utilizam o tráfico farmacêutico como recurso estratégico de financiamento, saqueando postos de atendimento, revendendo lotes roubados ou cobrando taxas sobre cargas ilegais nas áreas sob seu controle territorial. Esse comércio clandestino alimenta uma economia criminosa transnacional que retira receitas fiscais dos governos, além de fomentar atos de violência, corrupção e obstrução de investigações judiciais.

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Sylvie Bertrand, representante regional do UNODC para a África Ocidental e Central, afirmou que o tráfico de produtos médicos vai além de uma questão de saúde pública, pois organizações criminosas lucram ao explorar as vulnerabilidades sanitárias locais, em tradução livre. A representante descreveu a operação como uma rede multimodal que articula rotas marítimas, fluviais, aéreas e terrestres para distribuir cargas produzidas em grandes polos da Ásia e da Europa, além de abastecer laboratórios clandestinos montados no próprio continente africano.

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Evolução anual das apreensões de medicamentos na Cemac

O volume de materiais interceptados pelas forças de fiscalização aumentou de forma expressiva nos últimos anos do levantamento, impulsionado por operações concentradas em pontos de fronteira e armazéns urbanos:

  • 2020: 5 toneladas registradas em toda a região
  • 2024: 116 toneladas confiscadas no período de pico
  • 2025: 97 toneladas retidas pelas autoridades locais
  • Camarões em 2025: 96 toneladas interceptadas, diante de 2,5 toneladas cinco anos antes

Medidas de segurança e cooperação regional na África Central

A Cemac adotou uma Política Farmacêutica Comum em 2013 e busca agora integrar as recomendações do relatório às operações de repressão ao crime organizado transnacional. Os países-membros preparam ações integradas que combinam fiscalização em postos aduaneiros, processos penais contra redes de distribuição e suporte técnico internacional para proteger as cadeias de suprimentos legítimas.