A unidade industrial da Motorola instalada em Jaguariúna, no interior de São Paulo, opera como a maior planta da fabricante fora da China e produz até 1 milhão de smartphones por mês. O volume mensal registrado apenas no complexo paulista equivale à produção somada de todas as fábricas de celulares instaladas na Terra do Fogo, na Argentina, e abastece exclusivamente o mercado brasileiro.
Localizado na Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340), perto de Campinas, o complexo é administrado pela empresa terceirizada de manufatura de eletrônicos Flex, anteriormente chamada Flextronics. A escala da estrutura atende à demanda do Brasil, que ocupa a posição de quinto maior mercado de smartphones em volume do mundo, atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos e Indonésia.
Como funciona a montagem de celulares da Motorola em Jaguariúna?
O galpão principal de produção em Jaguariúna reúne múltiplas linhas de montagem, cada uma dedicada a um modelo específico de telefone. Essas estruturas operam de maneira contínua e seguem a mesma tecnologia e os padrões industriais aplicados em complexos de fabricação na China, no Vietnã e na Terra do Fogo, além de atuarem de forma integrada com a segunda planta que atende a marca no Brasil, localizada na Zona Franca de Manaus, no Amazonas.
Nas linhas de produção, o processo começa com a montagem física das peças avulsas diretamente na placa de circuito impresso (PCB). Máquinas de solda e operadores especializados conectam processador, memória, tela, bateria, câmeras, alto-falantes e microfones. Na segunda etapa, equipamentos são retirados de forma aleatória dos lotes para uma verificação detalhada de funcionamento dos componentes.
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A terceira fase consiste na gravação de software, dividida em dois momentos: primeiro ocorre a instalação de um firmware básico para validar e testar sensores e rádios e, logo depois, entra a versão completa do sistema operacional Android. Concluída a etapa de software, cada aparelho vai para uma caixa individual e segue para a montagem de paletes destinados à distribuição nacional. Os principais números da operação no complexo incluem:
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- Área do galpão principal de montagem: 60 mil metros quadrados;
- Capacidade mensal em Jaguariúna: até 1 milhão de celulares;
- Tempo médio de fabricação por aparelho: cerca de 40 minutos, do recebimento das peças avulsas até a embalagem final;
- Quantidade de peças por telefone: entre 700 e 1.500 componentes conectados à placa de circuito impresso;
- Duração da instalação de softwares e sistema operacional: menos de 10 minutos.
Controle em tempo real e regras de sigilo na unidade da Flex
A operação terceirizada pela Flex — companhia do setor de manufatura eletrônica que também mantém fábricas em Manaus e em Sorocaba (SP) e fabrica produtos para a Apple e outras marcas — funciona sob regras de vigilância e proteção industrial. Fotografias são restritas em quase toda a extensão do armazém para preservar o segredo sobre a ordem exata de montagem dos telefones e sobre os equipamentos utilizados na automação de processos.
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Para circular no interior da fábrica em Jaguariúna, operadores e visitantes precisam vestir jaleco ou macacão especial, touca ou boné e um acessório protetor nos calçados. A exigência evita que descargas eletrostáticas danifiquem componentes eletrônicos sensíveis durante o manuseio nas bancadas. Além das linhas físicas, a unidade abriga uma sala de controle central que monitora em tempo real o desempenho, a atividade e a taxa de falhas das linhas de montagem locais e das plantas instaladas em Manaus, na China, nos Estados Unidos e na Terra do Fogo, o que permite identificar e corrigir gargalos de produção.
Parceria da Motorola com o Instituto Eldorado e histórico desde 1996
Ao lado da operação fabril na região de Campinas, a fabricante mantém um centro de pesquisa e desenvolvimento em parceria com o Instituto Eldorado. A instituição conta com uma infraestrutura laboratorial de Fotografia Computacional única no Hemisfério Sul, voltada para a avaliação objetiva de qualidade de imagem e câmeras segundo os padrões internacionais VCX e DxO, área dedicada a aprimorar os softwares de câmeras da marca. Do trabalho conjunto no Brasil também saíram recursos aplicados nos aparelhos da empresa em todo o mundo, como os gestos de agitar o celular para acionar a lanterna ou abrir a câmera.
Sobre as operações e os aportes na área de pesquisa no país, o presidente da Motorola do Brasil, Rodrigo Vidigal, declarou que “os esforços representam não apenas um avanço nas operações da Motorola na região, mas também destacam o compromisso da empresa com a inovação, com a pesquisa colaborativa, com o desenvolvimento de recursos humanos de alta qualidade”.
A presença industrial da companhia no município paulista começou em 28 de outubro de 1996, data da inauguração oficial da primeira fábrica da Motorola na América Latina, que recebeu investimento inicial de R$ 20 milhões em um terreno de 1 milhão de metros quadrados adquirido pela empresa. Em dezembro de 2012, a Motorola Mobility, atual subsidiária da Lenovo, firmou acordo para transferir a gestão operacional e o maquinário da unidade para a Flex. Já em 2017, a marca iniciou a produção de celulares em Manaus para complementar a planta paulista e investiu mais de R$ 500 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia Ocidental nos cinco anos seguintes por meio da Lei de Informática.
Os detalhes de funcionamento da unidade paulista ganharam repercussão em 12 de outubro de 2026, a partir de registros de bastidores realizados anteriormente no local, em janeiro de 2024, pelo jornalista de tecnologia Ricardo Sametband por ocasião dos dez anos da linha Moto G. Enquanto complexos asiáticos como o de Dongguan, na China, que concentra operações de marcas como a Oppo, atendem a múltiplos mercados globais, a estrutura brasileira atua para responder diretamente às variações de demanda do consumidor nacional.
