Mercado financeiro reduz risco-país do Brasil a 110 pontos com avanço conservador

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O risco-país do Brasil medido pelo Credit Default Swap de cinco anos caiu para 110 pontos na sexta-feira (9), atingindo a menor marca registrada desde fevereiro de 2020. O recuo de taxas ocorreu em reação ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, marcado pela liderança de Flávio Nantes Bolsonaro e pelo avanço de bancadas conservadoras no Congresso Nacional.

A retração no contrato derivativo utilizado internacionalmente como termômetro de calote soberano aproximou a percepção de risco brasileira da taxa observada no México, cotada a 94 pontos. Diferentemente do mercado brasileiro, mantido em patamar especulativo pelas agências de classificação de risco Fitch, Moody’s e S&P, o governo mexicano ostenta o selo de grau de investimento concedido pelas três instituições avaliadoras.

Reação imediata dos indicadores financeiros na B3

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O alívio na pontuação do risco-país impulsionou a precificação de ativos e a captação de recursos no mercado de capitais ao longo da primeira semana de outubro de 2026. A consultoria de risco político Eurasia Group elevou para 80% a chance de vitória do candidato do Partido Liberal no segundo turno, estimulando apostas na consolidação de uma agenda voltada ao controle de despesas federais e à disciplina orçamentária.

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O comportamento dos ativos financeiros após o término da apuração eleitoral de primeiro turno apresentou as seguintes oscilações nos mercados de câmbio, ações e títulos públicos:

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  • Índice Ibovespa: valorização acumulada de 9,29% na semana, atingindo 209.967 pontos no encerramento do período;
  • Dólar comercial: queda acumulada de 4,43%, passando da cotação de R$ 5,22 para R$ 4,98 no fechamento semanal;
  • Fluxo de capital estrangeiro: injeção líquida de R$ 10,06 bilhões na bolsa de valores no pregão de segunda-feira (5);
  • Contratos de juros futuros: taxa do Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2032 recuou para 12,31% ao ano, após superar 14%;
  • Leilão do Tesouro Nacional: colocação de R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados na quinta-feira (8), recorde desde dezembro de 2020.

A melhora nas condições de negociação dos títulos estatais permitiu ao Tesouro Nacional antecipar necessidades de financiamento a custos operacionais mais moderados. Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP Investimentos, avaliou o efeito dessa transmissão de preços ao afirmar que “quando o prêmio cede, a cotação das empresas melhora e o crédito privado ganha prazos mais longos e taxas menores.”

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O que a queda do risco-país representa para a economia brasileira?

A sustentação da melhora no indicador de risco nacional depende da execução prática de reformas fiscais permanentes capazes de conter o endividamento do setor público. O passivo da dívida pública subiu de 71,7% do Produto Interno Bruto em janeiro de 2023 para 82,9% do PIB apurados em agosto de 2026. Paralelamente, as despesas obrigatórias atingiram 90,8% do espaço delimitado pelo atual arcabouço fiscal, estrangulando os aportes federais discricionários em investimentos de infraestrutura.

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Além da rigidez orçamentária imposta pelo crescimento dos pisos constitucionais da área de Saúde e de Educação, o peso do custo do serviço da dívida pública federal permanece elevado. O volume acumulado em desembolsos com juros alcançou R$ 1,18 trilhão no período de doze meses até agosto de 2026, montante que corresponde a 8,86% de toda a produção do país. Essa conjuntura é balizada pela taxa básica de juros (Selic), que se encontra no patamar de 13,75% ao ano estabelecido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.

O economista Roberto Simioni, da Blue3 Investimentos, explicou que o descompasso entre taxas exige superávits para conter o passivo: “quando os juros reais superam o crescimento da economia, a dívida cresce sozinha; somente o superávit primário a segura.” Para que a valorização dos ativos não sofra reversão, a transição entre governos exige contenção de juros futuros por meio da melhora continuada dos saldos operacionais do Tesouro.

Propostas fiscais da campanha e a correlação no Congresso Nacional

O plano formulado pelo economista Adolfo Sachsida para a campanha de Flávio Bolsonaro propõe a substituição do arcabouço fiscal em vigor por uma regra de teto atrelada à relação dívida/PIB. A diretriz projeta a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição voltada ao ajuste primário com cortes de gastos entre R$ 190 bilhões e R$ 250 bilhões. O programa também contempla a extinção de ao menos dez ministérios, a revogação de cerca de mil atos normativos e o fim do instituto da reeleição no Poder Executivo.

A execução das reformas conta com sustentação ampliada nas casas legislativas após a votação do pleito geral de 2026. O Partido Liberal elegeu 121 deputados federais, enquanto a coligação governista formada em torno da candidatura estima alcançar 203 cadeiras na Câmara dos Deputados, fatia representativa de 40% das vagas. No Senado Federal, a legenda conquistou 19 das 54 vagas em disputa, elevando o tamanho de sua bancada própria para 28 senadores. Nos governos estaduais, 20 dos 27 mandatários estaduais foram eleitos no primeiro turno.

As datas que compõem o período de desdobramentos eleitorais e os eventos de mercado deste ciclo incluem:

  • Domingo, 4 de outubro de 2026: realização da votação do primeiro turno das eleições gerais;
  • Segunda-feira, 5 de outubro de 2026: registro do ingresso estrangeiro de R$ 10,06 bilhões na B3;
  • Quinta-feira, 8 de outubro de 2026: leilão prefixado de R$ 33,3 bilhões realizado pelo Tesouro Nacional;
  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026: fechamento semanal do CDS do Brasil de cinco anos em 110 pontos;
  • Domingo, 25 de outubro de 2026: votação do segundo turno na disputa pela Presidência da República.

Pontos em aberto na estruturação da equipe econômica

O detalhamento formal da proposta de emenda à Constituição para a redução estrutural de despesas e a formatação das metas de economia orçamentária ainda não foram divulgados de maneira definitiva pela coordenação da campanha presidencial. A composição do corpo ministerial de um eventual novo governo tampouco está definida de forma oficial, restando em aberto as resistências em torno do nome de Marcelo Kayath, economista e ex-executivo do banco Credit Suisse cotado para assumir o Ministério da Fazenda.

A definição das propostas e da condução da Fazenda ocorrerá em meio à definição do segundo turno eleitoral, agendado para o domingo, 25 de outubro de 2026, quando os eleitores decidem a eleição presidencial.

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