Micropensão: planos a partir de R$ 50 mensais buscam complementar a aposentadoria de 38,5 milhões no Brasil

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aposentadoria - Foto: Pla2na/Shutterstock.com

Estudos divulgados em outubro de 2026 pela Icatu Seguros e pela gestora Tivio Capital apontam que a micropensão, modalidade simplificada de previdência complementar com aportes mensais a partir de R$ 50, tem potencial para alcançar 38,5 milhões de trabalhadores informais no Brasil. O modelo permite formar uma reserva financeira para a velhice com valores e frequência ajustados à capacidade de pagamento do cidadão, funcionando como complemento ao benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), considerado insuficiente por 92% dos brasileiros.

O formato atende sobretudo autônomos, motoristas de aplicativos, entregadores e demais profissionais que atuam por meio de plataformas digitais e possuem renda variável. Para o diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir Silva, a inclusão previdenciária não pode depender de aportes iniciais de R$ 200, R$ 300 ou R$ 500 mensais. “Precisamos criar condições para que esse público com menor poder de poupança possa começar com R$ 50, ou até menos, e aumentar sua contribuição conforme sua capacidade financeira. O importante é que o custo não seja uma barreira para entrar e permanecer no sistema”, disse Silva.

Simulações de rendimento da micropensão na Icatu Seguros e Tivio Capital

O levantamento intitulado ‘A terceira margem da previdência: micropensões, planos instituídos e a aritmética do ticket pequeno’, elaborado por Frederico Duarte, responsável pelas relações com investidores institucionais da Tivio Capital, detalha o alcance de contribuições mensais entre R$ 50 e R$ 200 no orçamento de longo prazo dos trabalhadores informais. Já a Icatu Seguros realizou projeções que calculam o efeito dos juros compostos ao longo de quase cinco décadas de depósitos contínuos para quem ingressa cedo no mercado de trabalho e mantém a disciplina de pagamentos até os 65 anos de idade.

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Foto: Aposentadoria, pagamentos – gustavomellossa / shutterstock.com

Os cálculos divulgados nesta terça-feira (13) pelas duas instituições demonstram diferentes cenários de acumulação de patrimônio e de geração de renda futura, variando conforme o tempo de contribuição, o valor desembolsado por mês e a taxa de rentabilidade considerada:

  • Simulação de 47 anos (Icatu Seguros): aportes mensais fixos de R$ 50 feitos dos 18 aos 65 anos de idade, sob rentabilidade nominal anual de 8% e juros reais de 5% durante a fase de acumulação, formam um saldo total de R$ 281.565.
  • Renda vitalícia ou temporária (Icatu Seguros): o montante acumulado de R$ 281.565 permite o pagamento de uma renda mensal bruta de R$ 1.492 ao longo de 30 anos, antes da cobrança de impostos.
  • Simulação de 30 anos com R$ 50 (Tivio Capital): depósitos mensais de R$ 50 por três décadas, com retorno real de 4% ao ano, geram um saldo bruto de cerca de R$ 34,3 mil antes da dedução de custos administrativos.
  • Renda mensal projetada (Tivio Capital): o saldo de R$ 34,3 mil garante o recebimento aproximado de R$ 206 por mês durante 20 anos, quantia que preserva o poder de compra atual e equivale a 13% do salário mínimo de 2026.
  • Simulação com R$ 200 (Tivio Capital): se o trabalhador elevar o aporte mensal para R$ 200 sob as mesmas condições de prazo e retorno real de 4% ao ano, a renda mensal projetada na aposentadoria fica próxima da metade de um salário mínimo.

Regras de acesso à micropensão e o impacto das taxas de administração

No mercado brasileiro atual, os produtos de micropensão estão disponíveis para contratação apenas em planos de previdência privada aberta, comercializados por bancos e seguradoras para qualquer pessoa física. A Icatu Seguros já disponibiliza planos dessa categoria com tíquete inicial aproximado de R$ 50 ou R$ 100. Nos fundos de previdência complementar fechada, conhecidos como fundos de pensão e restritos a empregados de uma empresa ou associados de categorias profissionais, a modalidade ainda não pode ser ofertada.

A Abrapp defende alterações na legislação do setor para autorizar as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) a operarem planos de micropensão. O estudo da Tivio Capital aponta que a taxa de administração cobrada pelos fundos é o principal gargalo para a viabilidade desse modelo de negócios, uma vez que custos operacionais altos corroem o patrimônio de pequenos poupadores ao longo das décadas. Por outro lado, o presidente da Comissão de Produtos por Sobrevivência da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Sandro Bonfim, afirmou que o crescimento consistente do mercado de previdência aberta tem gerado ganho de escala, permitindo à indústria reduzir taxas e melhorar a rentabilidade entregue aos investidores.

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Dados do Relatório Gerencial de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social, citados na análise da Tivio Capital, mostram a diferença de custos e de desempenho histórico entre os dois regimes previdenciários no país. Entre o ano de 2017 e março de 2026, as entidades fechadas registraram rentabilidade acumulada de 161,8%, enquanto os fundos abertos renderam 109,7% no mesmo intervalo. Essa diferença decorre, entre outros fatores, da taxa média de administração, que é de 0,28% ao ano nas entidades fechadas contra a média de 1,2% ao ano no segmento aberto.

O documento da Tivio Capital também ressalta que o Brasil já dispõe de três estruturas consolidadas para expandir as micropensões em larga escala: um sistema de previdência fechada regulado, uma infraestrutura de pagamentos recorrentes com custo marginal próximo de zero e uma base de 12 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) formalizados e bancarizados. Para destravar esse mercado, segundo o estudo, faltam a criação de produtos padronizados em escala e a extensão do mecanismo de adesão automática para o regime fechado.

Pesquisa da Icatu Seguros expõe percepção sobre o INSS e falta de reserva

A demanda por alternativas acessíveis de poupança reflete a insegurança da população quanto ao sistema público. Divulgada inicialmente na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, a pesquisa nacional ‘Conversão em Renda’, conduzida pela Icatu Seguros em parceria com a agência Conversion com 500 entrevistados de todas as regiões brasileiras, constatou que a preocupação com o fim da vida laboral ainda não se traduz em ações práticas para a maioria das famílias.

Os indicadores levantados pelo estudo ‘Conversão em Renda’ traçam o perfil do planejamento financeiro da população brasileira para a terceira idade:

  • Desconfiança no benefício público: 92% dos participantes acreditam que a aposentadoria paga pelo INSS será insuficiente para assegurar estabilidade financeira no futuro.
  • Ausência de patrimônio: 95% declaram não ter recursos suficientes acumulados para parar de trabalhar e 62% não possuem nenhum plano de previdência privada.
  • Atraso no planejamento: 49% afirmam que ainda não começaram a se preparar para a velhice ou estão apenas na fase inicial desse processo.
  • Medo e estimativa de gastos: 78% apontam o temor da falta de dinheiro como uma das principais preocupações para a aposentadoria; 58% têm apenas uma noção aproximada de quanto precisariam receber por mês para manter o padrão de vida, 28% sabem estimar esse valor com precisão e 14% não conseguem projetar a renda necessária.
  • Forma de recebimento: 63% dos brasileiros preferem converter o saldo acumulado em uma renda mensal na aposentadoria em vez de sacar todo o patrimônio de uma única vez.

O diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, Henrique Diniz, avalia que o benefício oficial deve ser somado a reservas particulares construídas ao longo da carreira. “A previdência social é base essencial para a aposentadoria dos brasileiros. Mas, para manter o padrão de vida e garantir mais segurança no futuro, é importante que cada pessoa tenha também uma estratégia de planejamento individual. A aposentadoria precisa ser construída muito antes do último dia de trabalho”, afirmou Diniz.

Segundo o executivo, a dificuldade em iniciar uma poupança de longo prazo passa pela falta de informação acessível aos trabalhadores. “O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada. É nesse ponto que orientação, educação financeira e acesso a soluções adequadas fazem diferença”, declarou o diretor da Icatu Seguros.

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