Missão GIMLI da NASA vai investigar poço vulcânico na Lua

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Nasa - Wangkun Jia/shutterstock.com

A agência espacial norte-americana (NASA) anunciou em 30 de setembro de 2026, em Washington, nos Estados Unidos, a seleção da investigação científica GIMLI para estudar o poço Marius Hills Pit diretamente na superfície da Lua. O projeto foi um dos três conjuntos de cargas úteis científicas escolhidos no mesmo anúncio para preparar a futura Base Lunar da agência e verificar se a abertura no solo dá acesso a um grande tubo de lava subterrâneo.

A iniciativa é conduzida pelo Planetary Science Institute (PSI), que divulgou os detalhes da operação em 1 de outubro de 2026. Os cientistas avaliam que a formação no terreno pode ter surgido a partir do desabamento do teto de uma caverna moldada por antigas atividades vulcânicas. “A Ciência da NASA está construindo o guia definitivo de sobrevivência interplanetária para garantir que a ciência chegue primeiro à superfície lunar, fornecendo às nossas futuras tripulações de astronautas as informações vitais, os recursos e as precauções de segurança necessários com antecedência para sobreviver à noite na Lua”, declarou Nicky Fox, administradora associada do Diretório de Missões Científicas da NASA, em tradução livre.

Operação da missão GIMLI e equipamentos no solo lunar

A equipe do projeto é chefiada por Nathaniel “Than” Putzig, diretor associado e cientista sênior do Planetary Science Institute, que atua como investigador principal da missão. O cientista sênior da mesma instituição, Gareth Morgan, ocupa o cargo de vice-investigador principal do programa. O trabalho científico reúne ainda co-investigadores vinculados a três instituições de pesquisa norte-americanas: a Boise State University, a Johns Hopkins University e o Lunar and Planetary Institute.

Para realizar a coleta de dados sem precisar entrar diretamente na cavidade do Marius Hills Pit, o conjunto de instrumentos do projeto GIMLI (sigla em inglês para Instrumentos Geofísicos para Investigação do Poço Lunar Marius) fará medições na superfície ao redor da abertura. Os aparelhos viajarão até o satélite natural a bordo de um módulo de pouso e de um veículo robótico, chamado de rover, que serão contratados junto a empresas privadas. Esse transporte ocorrerá por meio da iniciativa Serviços Comerciais de Carga Útil Lunar (CLPS, na sigla em inglês), mantida pela própria NASA, enquanto o financiamento da pesquisa integra o programa Cargas Úteis e Investigações de Pesquisa na Superfície da Lua (PRISM).

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O veículo robótico vai operar na borda da formação utilizando quatro tecnologias complementares: sondas sísmicas de fonte ativa, câmeras fotográficas, um gravímetro (sensor que mede a intensidade do campo gravitacional para identificar vazios subterrâneos) e um radar de penetração no solo (GPR). As câmeras vão registrar imagens detalhadas das paredes expostas do poço, onde há camadas de regolito — o material solto de poeira e rocha que cobre a superfície lunar — e vestígios de antigos fluxos de lava.

A diretora e CEO do Planetary Science Institute, Amanda Hendrix, comentou a escolha do projeto pela agência espacial. “O GIMLI representa o tipo de ciência planetária ambiciosa que o PSI foi construído para buscar. Than e sua equipe estão pegando uma questão científica que temos estudado a partir da órbita e desenvolveram uma maneira de investigá-la diretamente na Lua. Estamos entusiasmados por ter o PSI liderando esse esforço e por fazer parceria com a NASA e a Honeybee Robotics para aprender mais sobre a Lua e seu passado vulcânico”, afirmou a executiva, em tradução livre.

nova cratera na Lua – Divulgação/NASA

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Dados técnicos e instituições da missão GIMLI na Lua

  • Data do anúncio oficial pela NASA: 30 de setembro de 2026, em Washington (Estados Unidos).
  • Alvo e localização na Lua: poço Marius Hills Pit (MHP), situado na região vulcânica de Oceanus Procellarum.
  • Construção de instrumentos robóticos: responsabilidade principal da empresa Honeybee Robotics.
  • Parceria internacional: Agência Espacial Norueguesa (Norwegian Space Agency), encarregada de fornecer o radar de penetração no solo.

Descoberta do poço Marius Hills Pit em 2009 e herança da era Apollo

O poço Marius Hills Pit foi descoberto no ano de 2009 pela sonda orbital japonesa Kaguya e, durante quase duas décadas, até a seleção da missão GIMLI em 2026, havia sido analisado pelos cientistas apenas por meio de fotografias e dados coletados a partir da órbita lunar. Além de levar a investigação para o solo pela primeira vez nesse local, a operação do Planetary Science Institute reintroduz na ciência planetária o uso de métodos sísmicos de fonte ativa diretamente na superfície da Lua, uma abordagem técnica que praticamente não era executada no satélite natural desde o encerramento das missões do programa Apollo. O próprio nome da missão faz uma referência direta ao ambiente subterrâneo: o acrônimo GIMLI homenageia o personagem anão Gimli, da obra literária “O Senhor dos Anéis”, escrita por J.R.R. Tolkien, conhecido na ficção por sua afinidade com cavernas.

A análise presencial das rochas e do subsolo em Oceanus Procellarum busca esclarecer como os processos vulcânicos moldaram o satélite natural no passado. “Confirmar um tubo de lava substancial nos daria uma visão de como o vulcanismo operou na Lua. Tubos de lava são uma característica comum do vulcanismo basáltico na Terra, então identificá-los na Lua significa que poderíamos usar o conhecimento de tais cavernas terrestres para entender melhor a história lunar”, disse o vice-investigador principal Gareth Morgan, em tradução livre.

Proteção para astronautas contra radiação no subsolo da Lua

Além do estudo geológico sobre o deslocamento de lava no passado, a confirmação de uma caverna subterrânea tem aplicação direta na segurança de futuras missões tripuladas. Como a Lua praticamente não possui atmosfera para filtrar elementos do espaço, a superfície fica permanentemente exposta à radiação solar e cósmica, bem como a variações extremas de temperatura e ao risco de impactos diretos de micrometeoritos.

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Caso os sensores do projeto GIMLI comprovem que o poço dá acesso a um tubo de lava intacto, essa estrutura poderá servir no futuro como um abrigo natural para astronautas. O teto rochoso da cavidade oferece isolamento contra a radiação e mantém a estabilidade térmica no interior, fatores necessários para estabelecer uma presença humana de longo prazo no satélite.

Até a publicação dos comunicados oficiais da NASA e do Planetary Science Institute, a data de lançamento da missão GIMLI, o valor do contrato de financiamento e o nome da empresa comercial do programa CLPS que fornecerá o módulo de pouso e o rover ainda não haviam sido divulgados.