O montador de móveis Bruno Barbosa alcançou grande repercussão nas redes sociais em outubro de 2026 ao publicar vídeos praticando pesca com estilingue no Rio Casqueiro, em Cubatão (SP). As gravações registradas no Píer do Casqueiro, no bairro Jardim Casqueiro, acumulam alta audiência na internet e levantaram questionamentos sobre a regulamentação ambiental dessa modalidade no país.
A prática, conhecida internacionalmente pelo termo em inglês slingshot (modalidade em que o pescador dispara um artefato impulsionado por elásticos para capturar o animal na água), exigiu esclarecimentos do governo federal sobre os locais permitidos por lei. “Não é isca. É como se fosse uma caça. A gente tem que atirar no peixe. A gente vê o peixe na água e atira nele”, afirmou Bruno Barbosa.
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Abordagem da Guarda Civil Municipal no Píer do Casqueiro impulsiona números de Bruno Barbosa
O registro de maior alcance mostra o momento em que um agente da Guarda Civil Municipal (GCM) aborda o morador para questionar a atividade realizada na margem do rio. Durante a conversa com a equipe, o criador de conteúdo explica o funcionamento do equipamento, efetua um disparo na água e captura um peixe diante dos guardas, enquanto outro pescador próximo relata que tinha receio de atirar por causa da presença da viatura no local.
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A gravação da abordagem policial foi publicada na internet apenas quatro dias após o episódio no Píer do Casqueiro, tradicional ponto turístico, de lazer familiar e de pesca urbana na Baixada Santista. Os números exatos contabilizados pelo perfil do morador e os registros do dia da gravação mostram a dimensão do alcance digital:
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- Total de visualizações acumuladas nos vídeos até terça-feira, 13 de outubro de 2026: mais de 10 milhões.
- Visualizações do vídeo da abordagem da GCM registradas até quarta-feira (7): cerca de 8,6 milhões.
- Curtidas na publicação principal no Instagram: mais de 300 mil.
- Quantidade de peixes capturados por Bruno Barbosa no dia da abordagem: cerca de 5 tainhas.
- Idade do montador de móveis e criador de conteúdo: 22 anos.
A repercussão na rede social gerou reações diversas entre os usuários que assistiram à cena da captura em frente à viatura municipal. “Eu sou ateu de pesca de estilingue. Só pode ser combinado com o peixe!”, escreveu um internauta nos comentários. “Esse cara no arco e flecha em uma Olimpíada é ouro na certa”, publicou outro espectador. Um terceiro usuário questionou os efeitos do disparo sobre a fauna: “Mas, não machuca o peixe não?”.
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Onde a pesca com estilingue é permitida pela legislação brasileira?
O Ministério da Pesca e Aquicultura informou que a legislação federal autoriza o uso de estilingue para a captura de peixes exclusivamente em lagoas marginais. Quando a modalidade é executada em outros corpos d’água, como rios e canais urbanos, a atividade configura infração ambiental e fica sujeita à fiscalização e à aplicação de penalidades pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
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Diferentemente da modalidade tradicional realizada com vara e anzol, que permite ao pescador devolver o peixe vivo ao rio após a fisgada, o método com estilingue provoca ferimentos severos na fauna aquática. O impacto do disparo causa fraturas, lesões internas e hemorragias nos animais atingidos na água, o que pode levar o peixe à morte posteriormente, mesmo nos casos em que ele consegue escapar da linha logo após o tiro.
Antes de adquirir os equipamentos para iniciar a atividade no Rio Casqueiro, o morador declarou ter consultado as normas locais de Cubatão para verificar a existência de restrições na cidade. “A lei que poderia nos impedir seria a lei municipal, onde procurei e não achei nada proibindo a nossa modalidade”, declarou Bruno Barbosa. A Prefeitura de Cubatão foi questionada sobre a existência de regulamentação ou fiscalização municipal específica para a prática no Píer do Casqueiro, mas o órgão não respondeu até a publicação desta reportagem.
Equipamento spincast e cálculo de refração da luz na rotina de Bruno Barbosa
Para acertar o alvo submerso a partir da estrutura do píer, o praticante precisa compensar o efeito óptico da refração da luz na água, fenômeno físico que faz o peixe parecer estar em uma posição diferente da real. O aparato técnico utilizado pelo montador de móveis no Rio Casqueiro reúne itens específicos para o disparo e para a visualização do animal:
- Estilingue adaptado para a prática de pesca.
- Spincast: dispositivo acoplado ao equipamento com função semelhante à de um molinete para recolher a linha.
- Óculos com lentes polarizadas: acessório usado para reduzir o reflexo da luz na superfície da água.
- Equipamentos de proteção e segurança individual para o disparo.
Acostumado a pescar com anzol para consumo próprio desde a infância, o morador de Cubatão teve o primeiro contato com a versão de estilingue no próprio Píer do Casqueiro. O histórico de aprendizado do jovem até a decisão de compartilhar a rotina na internet seguiu etapas definidas ao longo dos últimos meses:
- Há cerca de 2 anos: conheceu a modalidade ao observar outro pescador utilizando o estilingue no píer.
- Há aproximadamente 3 meses: comprou o kit de pesca e iniciou os treinos práticos no Rio Casqueiro.
- Setembro de 2026: adquiriu uma câmera e começou a publicar os vídeos nas redes sociais por sugestão de familiares.
O treinamento inicial para desenvolver a pontaria antes de mirar nos cardumes de tainha foi feito com resíduos que flutuavam nas margens do rio. “Três meses atrás, eu comprei um kit de pesca de estilingue e comecei a praticar […]. Eu vi eles [pescadores] usando algumas vezes e vi vídeos no YouTube. Fui praticando tirando lixo do píer. Fui atirando nos lixos, tirando da água, e assim aprendi”, afirmou o montador de móveis.
O incentivo para registrar os disparos em vídeo partiu de parentes próximos que acompanhavam o desempenho do jovem nas pescarias. “Eu comecei a fazer as pescas de estilingue e a minha família falou que seria bom postar na internet, que era um conteúdo bom”, disse Bruno Barbosa, que mantém os dois métodos de captura em sua rotina no rio. “Todas as formas funcionam. A diferença é que as pessoas se adequam mais à que elas gostam. Eu mesmo ainda tenho minhas tralhas de pesca. Tem dia que eu vou no spincast, no estilingue, e tem dia que eu posso ir de vara”, completou.
Com o crescimento do perfil após a marca de 10 milhões de visualizações, o morador planeja transformar as gravações no Píer do Casqueiro em atividade profissional nas plataformas digitais. “No começo, eu postava mesmo só para o pessoal ver. Eu não ligava muito, era mais para a gente ficar vendo. Só que, depois desse vídeo que repercutiu, estou ganhando bastante seguidores e eu pretendo virar influencer de pesca, mostrar as rotinas de pesca, como funciona”, declarou Bruno Barbosa.
