As remessas globais de smartphones recuaram 20% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O recuo marcou o pior resultado registrado pela indústria de celulares para o período em 14 anos, repetindo níveis baixos não vistos desde 2012.
Estimativas preliminares da consultoria Counterpoint Research, divulgadas na segunda-feira (12), indicam que o setor foi duramente afetado pela escassez de componentes e pelo encarecimento de semicondutores. “Os consumidores estão mantendo seus dispositivos por mais tempo do que o estimado, considerando cada vez mais aparelhos recondicionados e priorizando dispositivos de maior valor”, afirmou Shilpi Jain, analista sênior da Counterpoint Research.
Por que a escassez de memória encareceu os smartphones?
A disparada generalizada nas cotações e a falta de suprimentos de chips de memória dos tipos DRAM e NAND provocaram o estrangulamento da cadeia produtiva global de telefonia móvel. Esses insumos de armazenamento e processamento imediato tiveram seus fluxos canalizados de maneira massiva para a construção de data centers voltados à expansão de tecnologias de inteligência artificial. Como resultado dessa competição industrial, os centros de processamento de inteligência artificial passaram a absorver mais de 70% de toda a capacidade global de produção de chips de memória, deixando fabricantes de eletrônicos de consumo desabastecidas ou sujeitas a custos recordes.
Diante do cenário de margens operacionais pressionadas, as companhias de celulares optaram por transferir os gastos adicionais aos consumidores finais. As montadoras reduziram os volumes gerais de distribuição para as lojas e focaram estratégias comerciais estritamente em rentabilidade financeira em vez de disputar volume absoluto de vendas, movimento que desacelerou o ritmo de entregas aos distribuidores.
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Samsung e Apple concentram fatia de 45% do mercado de smartphones
A Samsung permaneceu na liderança do mercado global ao registrar 23% de participação durante o terceiro trimestre de 2026. Apesar da manutenção do primeiro lugar, os envios totais da companhia sul-coreana registraram queda de 3% no comparativo anual. O desempenho comercial da empresa foi sustentado principalmente pela demanda positiva da linha de dobráveis Galaxy Z Fold8 e pela regularidade na entrega de componentes essenciais para a família intermediária Galaxy A.
A Apple assumiu a segunda colocação mundial com 22% de fatia de mercado, alcançando um patamar histórico ao ultrapassar a marca de 20% de representação pela primeira vez em um terceiro trimestre. Ainda assim, a empresa norte-americana enfrentou retração anual nos volumes físicos distribuídos. Essa desaceleração nas entregas decorreu da ausência de um modelo padrão do iPhone 18 na etapa inicial de distribuição, o que reduziu a presença dos telefones nas lojas no mês de lançamento quando comparado ao ciclo do iPhone 17 em 2025.
Fabricantes chinesas sofrem retrações de até 30% nas remessas de smartphones
A crise de semicondutores penalizou com maior intensidade as montadoras instaladas na Ásia que operam com foco expressivo em volumes elevados e categorias de custo reduzido. A Xiaomi amargou um recuo superior a 30% em suas remessas no terceiro trimestre e viu sua participação de mercado recuar para 10%. Para proteger a integridade de seus balanços e manter as margens de lucro operacionais, a fabricante reduziu a fabricação de modelos populares de entrada e diminuiu sua atuação direta em determinados mercados internacionais externos.
Outras duas fabricantes chinesas de grande porte, a OPPO e a vivo, também sofreram fortes impactos contracionistas e registraram retrações superiores a 20% no volume de aparelhos enviados às lojas no período. As marcas precisaram enxugar portfólios locais para lidar com a falta de memórias DRAM e conter a escalada nas despesas industriais.
- Samsung: 23% de participação de mercado global e queda anual de 3% nos envios de aparelhos
- Apple: 22% de participação de mercado global, superando a faixa de 20% pela primeira vez em um terceiro trimestre
- Xiaomi: 10% de participação de mercado global após recuo superior a 30% nas remessas trimestrais
- OPPO: retração anual superior a 20% no volume trimestral de aparelhos distribuídos
- vivo: queda anual acima de 20% no envio de dispositivos ao varejo
Preços de smartphones no varejo acumulam alta de 20% em 2026
A crise de abastecimento e o foco das fabricantes em modelos mais caros refletiram diretamente no bolso do consumidor. Os preços médios cobrados pelos smartphones no varejo acumulam alta de 20% no mercado global ao longo de 2026. A contração do terceiro trimestre é o segundo baque consecutivo sofrido pelo setor, já que o segundo trimestre do ano havia registrado recuo de 11% nas remessas globais pelo mesmo motivo de falta de componentes.
A consultoria Counterpoint Research divulgou apenas dados preliminares com taxas percentuais de retração e divisões de participação de mercado. A entidade ainda não informou os números absolutos do volume total de aparelhos em unidades físicas distribuídos mundialmente entre julho e setembro de 2026.
