A engenharia brasileira mobiliza debates estratégicos entre universidades e o setor produtivo sobre a qualificação profissional em Santa Catarina nesta terça-feira (13). O movimento antecipa as discussões do Seminário EngenhAção, iniciativa idealizada para aproximar as salas de aula das demandas industriais e impulsionar a formação de novas turmas técnicas no estado.
O diretor comercial do Grupo ND, Gilberto Kleinübing, destacou a relevância da preparação técnica no território catarinense. “Estamos formando profissionais em quantidade suficiente e muito bem preparados para tornar o estado mais inovador e competitivo do Brasil. A engenharia é a única ferramenta humana capaz de transformar ação científica em realidade”, afirmou.
Seminário EngenhAção traça conexões produtivas e tecnologia
Representantes da Academia Nacional de Engenharia defendem que a atuação transversal da profissão precisa acompanhar o avanço econômico dos próximos anos. A entidade sustenta que setores tradicionais exigem modernização contínua com recursos digitais de última geração para manter a produtividade elevada no mercado nacional e internacional.
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“Eu diria que nos próximos 10 anos o Brasil tem suas vocações, vocação do agro, a vocação da mineração. Então, nós precisamos de uma engenharia que potencialize essas vocações. Como a engenharia é uma profissão transversal, nós precisaríamos também de mecanismos para auxiliar essas atividades-fim, como, por exemplo, o uso da inteligência artificial”, declarou Mário Menel, presidente da Academia Nacional de Engenharia.
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A integração tecnológica já alcança atividades cotidianas no campo e em fábricas. No agronegócio, a automação direta de lavouras e a operação de drones auxiliam no rendimento agrícola. O intercâmbio entre métodos teóricos e aplicação industrial busca garantir que as soluções criadas em centros de pesquisa atendam às reais necessidades operacionais das empresas.
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UFSC projeta 95% de financiamento privado em pesquisas
A relação direta entre pesquisadores e corporações privadas sustenta o modelo adotado em centros universitários catarinenses. Na Universidade Federal de Santa Catarina, a integração com o setor corporativo serve de base para o desenvolvimento de soluções industriais e para o treinamento avançado de estudantes de graduação e pós-graduação.
A professora do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina, Márcia Mantelli, explicou como a relação prática orienta a formação acadêmica. “Se você me perguntar por que a universidade em Santa Catarina é tão boa, é porque a nossa engenharia tem um contato muito estreito e forte com a indústria. Para ter uma ideia, os meus projetos são 95% ou mais financiados por empresas; a gente está resolvendo problemas reais de mercado. Os alunos que saem desse contexto de academia e empresa são muito bem preparados”, declarou a docente.
A distribuição econômica catarinense exige especializações distintas para suprir os polos fabris distribuídos pelo território. Enquanto o Oeste concentra plantas agroindustriais, as regiões de Joinville e do Vale do Itajaí demandam suporte avançado em engenharia mecânica e componentes industriais. A região Sul mantém relevância na indústria cerâmica, e o litoral norte concentra operações de transporte marítimo e logística portuária, demandando pessoal capacitado para sistemas operacionais complexos.
EngenhAção incentiva carreiras exatas entre jovens
A estratégia de formação profissional busca atuar também na base educacional. O projeto EngenhAção, desenvolvido pelo Grupo ND em parceria com a Academia Nacional de Engenharia, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina, a Engie e a Duas Rodas, trabalha na divulgação científica para atrair estudantes das primeiras séries escolares às áreas tecnológicas.
Para desmistificar o aprendizado das ciências exatas e da matemática, a iniciativa mantém exibições audiovisuais regulares na NDTV dentro do programa Balanço Geral. As transmissões mostram o trabalho prático de engenheiros e explicam como princípios teóricos são aplicados na solução de problemas urbanos, na geração de energia e no saneamento básico.
O coordenador do Capítulo Santa Catarina da Academia Nacional de Engenharia e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Sergio Gargioni, acompanha a articulação do setor junto aos centros de ensino para unificar as diretrizes entre os órgãos de classe e as empresas parceiras.
Seminário EngenhAção define calendário oficial em Florianópolis
A programação técnica foi organizada com debates dedicados à prevenção de desastres climáticos e ao desenvolvimento regional. O seminário anual da Academia Nacional de Engenharia chega a Santa Catarina em 2026 após edições realizadas no Rio de Janeiro em 2024 e em São Paulo em 2025.
O cronograma do evento em Santa Catarina estabelece as seguintes datas e locais de encontro:
- 4 de novembro de 2026, às 18h30: realização presencial do Seminário EngenhAção no SC-401 Square Corporate, em Florianópolis, com 2 painéis temáticos reunindo líderes da indústria, Defesa Civil, Epagri e academia;
- 5 de novembro de 2026, às 08h00: abertura oficial do Seminário Nacional da Academia Nacional de Engenharia com o tema ‘O Futuro da Engenharia no Brasil’, sediado na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), também em Florianópolis;
- 6 de novembro de 2026: encerramento dos debates de imersão nacional da Academia Nacional de Engenharia na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina.
A organização ainda não divulgou a capacidade máxima de participantes presenciais e o total de vagas disponíveis no auditório do SC-401 Square Corporate para a sessão noturna de abertura.
