O subtenente do Bope Gláucio Marcelo Fonseca da Silva morreu baleado por policiais militares durante uma abordagem na divisa entre os bairros Gardênia Azul e Freguesia, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A equipe do 18º BPM confundiu a ação da tropa de elite com um ataque criminoso e abriu fogo, deixando outros cinco agentes feridos no domingo (11).
Gláucio chegou sem vida ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, enquanto os demais policiais atingidos receberam atendimento médico de emergência. A corporação informou que a baixa luminosidade no local provocou o erro dos agentes que patrulhavam a região de Jacarepaguá.
Fogo amigo em Jacarepaguá mobilizou socorro a cinco policiais feridos
O confronto entre as próprias equipes da Polícia Militar ocorreu enquanto os policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais realizavam a abordagem a um automóvel. A troca de tiros atingiu quatro integrantes do batalhão especial e um agente do 18º BPM. Dois dos feridos receberam alta médica no mesmo dia, enquanto outros dois passaram por cirurgia e permanecem em quadro estável na unidade de saúde da Barra da Tijuca.
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Subtenente Gláucio Marcelo dedicou 26 anos à Polícia Militar
Com 54 anos de idade e 26 anos de serviço prestados à corporação, Gláucio Marcelo Fonseca da Silva construiu a maior parte da carreira dentro do Bope
e deixou três filhos, de 30, 19 e 7 anos. A perda atinge a mesma família que, em 28 de outubro de 2025, sepultou o irmão de Gláucio, o terceiro-sargento Heber Carvalho da Fonseca, morto em combate durante a operação Contenção nos complexos da Penha e do Alemão. O sepultamento de Gláucio ocorreu na tarde de segunda-feira (12), no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, com sobrevoo de helicóptero da corporação lançando pétalas de rosa e corredor de honra formado por colegas de farda.Investigação sobre armas e câmeras do Bope e do 18º BPM
A Delegacia de Homicídios da Capital e a Corregedoria Geral da Polícia Militar abriram inquérito para esclarecer a dinâmica dos disparos e verificar por que a presença do batalhão especial na área não impediu o confronto. A ex-mulher do subtenente, Aline Viana, contestou a versão inicial da falta de aviso entre os setores da corporação: “A gente quer entender exatamente o que aconteceu. Porque, de primeira mão, foi passado para nós que não houve uma comunicação. E nós já sabemos que foi feita uma comunicação”.
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A apuração conduzida pela Polícia Civil e pelos órgãos de controle da corporação reúne medidas técnicas para reconstituir o episódio:
- Apreensão e perícia balística de todas as armas de fogo utilizadas pelos agentes envolvidos na ocorrência.
- Recolhimento das imagens registradas pelas câmeras operacionais portáteis acopladas aos uniformes dos policiais militares.
- Auditoria nas transmissões e registros da rede de rádio para confirmar se o alerta de operação do Bope chegou aos policiais do 18º BPM.
O resultado dos exames periciais balísticos e o confronto dos dados de comunicação interna vão determinar a autoria do disparo fatal e embasar a responsabilização criminal e disciplinar dos envolvidos.
