Tanque modular da China alcança 50 metros debaixo d’água

Tanque de Guerra e bandeira da China - Andrew Angelov / shutterstock.com

Tanque de Guerra e bandeira da China - Andrew Angelov / shutterstock.com

Pesquisadores do Primeiro Grupo de Maquinaria da Mongólia Interior e do Instituto de Tecnologia de Pequim apresentaram o conceito de um tanque modular chinês projetado para operar submerso a até 50 metros de profundidade por duas horas. O estudo científico foi publicado na revista chinesa revisada por pares Acta Armamentarii em 6 de agosto de 2026 e ganhou repercussão internacional nesta terça-feira (13). A equipe propôs quatro tipos de equipamentos blindados com peças intercambiáveis para alternar rapidamente entre diferentes cenários de combate.

Classificado pelos cientistas como heterogêneo, o veículo foi desenhado para reconfigurar sua estrutura física e suas funções para atuar em missões na terra, na água, no ar e em ambientes de confronto eletromagnético. O objetivo central do projeto é reduzir o ciclo completo de observação, avaliação, tomada de decisão e ataque contra múltiplos alvos no campo de batalha.

Testes de campo do tanque modular chinês registraram 98,3% de sucesso

Para validar a viabilidade mecânica da troca rápida de peças, a equipe de engenharia submeteu os protótipos a uma bateria de testes em condições adversas no terreno. Os ensaios de acoplamento ocorreram sob temperaturas extremas, que variaram de -20 °C a 50 °C, além de incluírem terrenos lamacentos e cenários com forte interferência eletromagnética para simular situações reais de conflito armado.

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Foto: Bandeira da China – fotoVoyager/ Istockphoto.com

O desempenho obtido nos protótipos e as metas operacionais estabelecidas pelos pesquisadores para o veículo blindado incluem os seguintes números:

  • 1.000 tentativas de conexão de módulos realizadas durante os testes de campo;
  • 8,7 segundos de tempo médio registrado para a troca e o acoplamento das peças;
  • 98,3% de taxa de sucesso nas conexões efetuadas pelos protótipos;
  • 9 segundos previstos para o ciclo entre o reconhecimento e o ataque, contra mais de 45 segundos exigidos pelos blindados convencionais de estrutura fixa;
  • Queda de 89% para 38,6% na eficácia de veículos tradicionais ao tentar interceptar múltiplos alvos durante um ataque de drones de 10 segundos, limitação que o novo sistema busca corrigir.

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Operação a 50 metros de profundidade e uso de drones no desembarque

Entre as configurações detalhadas na revista Acta Armamentarii está um módulo aquático dedicado exclusivamente a operações de desembarque anfíbio, projetado para suportar submersão a até 50 metros (164 pés) pelo período máximo de duas horas. De acordo com o estudo, a transição completa do veículo entre diferentes ambientes operacionais, incluindo a passagem para o modo aquático, foi calculada para levar até 12 minutos. Para otimizar as manobras debaixo d’água, os cientistas propuseram integrar o blindado a um sistema de limpeza assistida por drones, estrutura capaz de remover 30 obstáculos por minuto e reduzir em 60% o tempo total necessário para concluir uma operação de desembarque militar.

Para as missões em solo, o projeto prevê um módulo básico equipado com sistema de propulsão híbrida. Essa versão terrestre foi dimensionada para atingir velocidade mínima de 70 km/h em estradas pavimentadas e de 40 km/h em terrenos fora de estrada (off-road), mantendo uma autonomia mínima de rodagem estimada em 600 quilômetros.

Apesar de os ensaios em terra terem comprovado o funcionamento da troca de módulos, as características de desempenho subaquático ainda não foram testadas na prática nem avaliadas em alto-mar. O documento científico não divulgou dados sobre a velocidade ou o alcance do veículo quando submerso, e os nomes individuais dos cientistas que assinam o artigo na publicação não foram informados, sendo identificadas apenas as duas instituições responsáveis.

Consórcio ligado à NORINCO projeta blindados para o período entre 2030 e 2050

O desenvolvimento deste conceito envolve diretamente a estrutura industrial militar da China, uma vez que o Primeiro Grupo de Maquinaria da Mongólia Interior atua como subsidiária da estatal de defesa NORINCO e ocupa a posição de principal fabricante de tanques e veículos blindados do Exército de Libertação Popular. No início de outubro de 2026, pesquisadores desse mesmo consórcio formado com o Instituto de Tecnologia de Pequim já haviam divulgado na revista Acta Armamentarii outro estudo voltado à modernização da frota terrestre: a proposta de um tanque elétrico de 60 toneladas movido por um reator nuclear compacto de metal líquido, equipado com um canhão eletromagnético de 50 megajoules (MJ) e com alcance operacional de até 450 quilômetros.

O estudo posiciona o tanque modular submersível e os demais projetos da nova geração de veículos blindados chineses dentro de um cronograma de desenvolvimento e entrega previsto para ocorrer entre os anos de 2030 e 2050.