O cantor Netinho, um dos principais nomes da história do axé music, morreu aos 60 anos na manhã desta terça-feira (13), no Hospital Aliança Star, em Salvador. O artista enfrentava a recidiva de um linfoma não Hodgkin de células B, tipo de câncer que atinge o sistema linfático, e teve o quadro agravado nos últimos dias por complicações clínicas.
Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do músico, a evolução da doença provocou um quadro severo no paciente. “É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje. Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos”, informou o comunicado oficial.
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O acompanhamento oncológico do artista era coordenado pela médica hematologista Glória Bonfim. Netinho havia sido internado novamente na unidade hospitalar da capital baiana para dar continuidade aos ciclos de quimioterapia e passava por exames preparatórios para se submeter a um autotransplante de medula óssea. Durante as etapas iniciais de seu tratamento, em 2025, o cantor relatou publicamente ter recebido 128 injeções subcutâneas na região abdominal.
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Diante do agravamento de seu estado de saúde, os assessores haviam anunciado uma pausa nas comunicações digitais em 30 de setembro de 2026. Na ocasião, a equipe de comunicação de Netinho divulgou a seguinte mensagem ao público: “Neste momento delicado, o artista decidiu se afastar temporariamente das redes sociais para concentrar todas as suas energias no tratamento e na busca pela recuperação”.
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Em reflexões compartilhadas com sua equipe e registradas pela assessoria durante a fase final do tratamento, o artista pontuou sua gratidão aos seguidores. “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”, afirmou o cantor.
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Datas marcantes na vida e na carreira de Netinho
- 12 de julho de 1966 — Nascimento de Ernesto de Souza Andrade Júnior na cidade de Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia.
- 1988 — Estreia profissional como vocalista da Banda Beijo no Carnaval de Salvador e lançamento nacional do sucesso Beijo na Boca.
- 1993 — Início da trajetória solo na música após a saída da Banda Beijo.
- 1996 — Lançamento da canção Milla, composição de Manno Góes que se tornou o maior sucesso da carreira do cantor e projeção internacional do axé music.
- 2008 — Cantor declara pela primeira vez publicamente a sua bissexualidade, tema que voltou a abordar em entrevistas posteriores.
- 2013 — Internação em estado grave após sofrer três acidentes vasculares cerebrais decorrentes do uso de anabolizantes, gerando sequelas na voz.
- 2022 — Candidatura a deputado federal pelo PL na Bahia, quando obteve 31 mil votos e terminou a disputa como suplente.
- 25 de fevereiro de 2025 — Primeira internação do artista após sentir fortes dores nas pernas, recebendo a confirmação do linfoma no mês seguinte.
- 30 de setembro de 2026 — Anúncio oficial do afastamento definitivo das redes sociais para tratamento intensivo hospitalar.
- 13 de outubro de 2026 — Morte do cantor em Salvador, em decorrência de disfunção múltipla de órgãos.
Trajetória musical de Netinho e a projeção com a canção Milla
Batizado como Ernesto de Souza Andrade Júnior, o artista nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, e mudou-se com os familiares para Salvador quando tinha 10 anos. Aos 14 anos, ele ganhou seu primeiro violão da mãe. Dois anos depois, aos 16, ingressou na faculdade de Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador. Nesse período inicial de juventude, conciliava as salas de aula com pequenas apresentações em escolas e bares, cantando MPB e bossa nova.
A virada profissional de Netinho ocorreu em 1988, ao assumir os vocais da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. O grupo ganhou projeção imediata em todo o território brasileiro impulsionado pela faixa Beijo na Boca. Com a banda, o cantor também colocou nas paradas de rádio outras canções como Estrela primeira, Barracos e A vida é festa.
Em 1993, Netinho iniciou carreira solo. Três anos depois, em 1996, colocou a canção Milla no topo das paradas de sucesso do Brasil. Composta por Manno Góes, a música transformou-se em hino do axé music e recebeu versões gravadas em diferentes idiomas, levando a turnê do baiano para países como Itália e Chile.
Além da atuação direta no palco, Netinho investiu na produção musical e no mercado fonográfico. Ele fundou um estúdio de gravação e mixagem de grande porte na cidade do Rio de Janeiro, estrutura utilizada por intérpretes da música brasileira e internacional como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. O cantor também administrou um selo independente destinado a revelar jovens talentos da música baiana.
Internações anteriores, projetos artísticos e despedida de Netinho
A vida de Netinho foi marcada por graves desafios de saúde bem antes da descoberta do câncer. Em 2013, o músico enfrentou problemas clínicos severos provocados pelo uso de substâncias anabolizantes. Naquele período, ele sofreu três acidentes vasculares cerebrais, que comprometeram seu aparelho fonador e o deixaram sem voz por um longo intervalo. Por causa das sequelas e da recuperação motora e vocal, o cantor permaneceu quatro anos afastado dos desfiles do Carnaval de Salvador.
Em sua vida pessoal, Netinho foi casado entre os anos de 1997 e 2003 com a jornalista Mariana Trindade, união da qual nasceu sua filha, Bruna Trindade. No campo político, o artista disputou sua primeira eleição partidária em 2022, concorrendo a deputado federal na Bahia pelo PL, quando obteve 31 mil votos e figurou no Tribunal Superior Eleitoral como suplente de sua coligação.
Nos meses anteriores à nova internação, o músico vinha trabalhando na estruturação de um projeto autoral batizado de 1966, alusivo ao ano de seu nascimento. A proposta previa uma série de apresentações de retorno aos palcos integradas a recursos de inteligência artificial.
Por determinação e pedido expresso deixados pelo próprio cantor, as cerimônias de velório e cremação serão restritas apenas aos familiares e amigos próximos. O horário exato e o cemitério escolhido para a realização dos ritos fúnebres não foram informados publicamente pela família.
