Abraciclo revisa projeções e amplia meta de produção em Manaus

7 min de leitura
CB 1000 Hornet Foto: CB 1000 Hornet - Foto: X.com/ Honda Motos

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) revisou para cima, na terça-feira (13), as estimativas de vendas, fabricação e exportações de motocicletas no Brasil para o encerramento de 2026. Com o novo cálculo, o setor projeta alcançar 2,35 milhões de unidades emplacadas no varejo nacional e 2,1 milhões de motos produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM), no Amazonas.

O reajuste nas expectativas ocorre após o varejo registrar recorde histórico de vendas nos nove primeiros meses do ano. Para o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, a expansão reflete a busca por transporte mais barato e o uso profissional dos veículos. “O mercado atravessa um momento favorável, impulsionado por lançamentos e pelo crescimento da demanda. A motocicleta ganha espaço como alternativa de mobilidade ágil, econômica e acessível, reduzindo custos, tempos de deslocamento e contribuindo para a geração de renda de milhões de brasileiros”, declarou o executivo.

Saiba mais: Avelloz estreia AZ170 Bravo no mercado nacional por R$ 16.990

Novas metas da Abraciclo para vendas, produção e exportações em 2026

Os números divulgados em 13 de outubro de 2026 substituem as estimativas anteriores da entidade, que haviam sido apresentadas em julho de 2026. Na comparação com o volume projetado no meio do ano, o setor acrescentou 50 mil motocicletas à meta de emplacamentos no mercado interno, 30 mil unidades à previsão de montagem nas fábricas de Manaus e 3 mil veículos aos envios para o exterior.

Moto Shineray SBM 250T - Divulgação/Shineray
Foto: Moto Shineray SBM 250T – Divulgação/Shineray
  • Emplacamentos previstos em 2026: 2,35 milhões de motocicletas, alta projetada de 6,9% sobre 2025 (a estimativa de julho era de 2,3 milhões de unidades, ou avanço de 4,6%).
  • Produção no Polo Industrial de Manaus em 2026: 2,1 milhões de unidades, crescimento projetado de 6% em relação a 2025 (a previsão anterior era de 2,07 milhões, ou alta de 4,5%).
  • Exportações projetadas para 2026: 48 mil motocicletas embarcadas, avanço de 11,3% sobre 2025 (ante 45 mil unidades e alta de 4,4% estimados na revisão anterior).
  • Data e local do balanço: terça-feira, 13 de outubro de 2026, com dados consolidados do Polo Industrial de Manaus (AM) e do varejo nacional.

Emplacamentos batem recorde até setembro e Manaus tem maior volume desde 2008

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o varejo brasileiro somou 1.783.972 motocicletas emplacadas, o que representa um crescimento de 10,5% na comparação com o mesmo intervalo de 2025 e estabelece o recorde histórico para os nove primeiros meses do ano. Isoladamente, o mês de setembro de 2026 registrou 205.120 unidades licenciadas no país, com média diária de 9.768 veículos comercializados ao longo de 21 dias úteis, resultado que significou recuo de 0,4% ante setembro de 2025 e retração de 0,1% frente a agosto de 2026.

Confira também: Suzuki Intruder 125 custa R$ 10,4 mil e atinge 36,7 km/l

Nas linhas de montagem do Polo Industrial de Manaus, o volume fabricado entre janeiro e setembro de 2026 alcançou 1.645.034 motocicletas, alta de 9,9% sobre igual período de 2025 e o maior patamar para o acumulado até setembro desde o ano de 2008. Apenas em setembro de 2026, as indústrias instaladas na capital amazonense produziram 186.758 unidades, o melhor desempenho para o mês em 15 anos, desde 2011, combinando avanço de 10,4% em relação a setembro de 2025 e queda de 8,5% na comparação com agosto de 2026.

Nas vendas para o mercado externo, as montadoras embarcaram 4.826 motocicletas em setembro de 2026. O número representa retração de 8,2% sobre setembro de 2025, mas avanço de 12,5% diante do volume exportado em agosto de 2026. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, as exportações do setor acumulam alta de 23,7%.

Acompanhe: Metade dos lotes da Suzuki Hayabusa de R$ 127 mil é reservada no Brasil

Divisão da produção de motos por cilindrada e impacto do programa Move Brasil

A fabricação nacional nos nove primeiros meses de 2026 manteve a concentração nos modelos de entrada, voltados ao transporte diário e aos serviços de entrega, mas registrou expansão percentual superior nos veículos maiores. Na divisão por categoria de uso, o segmento Street (motos urbanas para o dia a dia) respondeu por mais da metade de tudo o que saiu das linhas de montagem de Manaus entre janeiro e setembro, totalizando 842.150 unidades, o equivalente a 51,2% da produção do período.

  • Baixa cilindrada (janeiro a setembro de 2026): 1.295.499 unidades produzidas, o que corresponde a 78,8% do volume total.
  • Média cilindrada (janeiro a setembro de 2026): 302.992 unidades fabricadas, equivalentes a 18,4% de participação.
  • Alta cilindrada (janeiro a setembro de 2026): 46.543 motocicletas montadas, representando 2,8% do total e crescimento de 19,7% sobre o mesmo período de 2025.

O desempenho da base do mercado também recebeu o reforço do Move Brasil, programa governamental de linha de crédito voltado a entregadores que já financiou a compra de 21 mil motocicletas no país. Marcos Bento afirmou que a iniciativa governamental e os investimentos das marcas ampliam o alcance do setor no varejo. “É um programa importante, que vem também para ajudar com uma taxa de juros melhor para um público de entrada”, disse o presidente da Abraciclo, acrescentando o efeito dos novos modelos nas concessionárias: “E a gente também está atraindo novos públicos. Cada fabricante tem se preparado e investido muito em tecnologia”.

Veja também: Honda lidera motos de 125cc com alta da linha Shine em julho

Como o Polo Industrial de Manaus vai alcançar 2,1 milhões de motos com a seca no Norte?

Para cumprir a meta revisada de 2,1 milhões de veículos em 2026, as fábricas do Polo Industrial de Manaus precisam produzir 454.966 motocicletas (cerca de 455 mil unidades) ao longo do último trimestre do ano. O cronograma industrial concentra o ritmo mais forte de atividade nos meses de outubro e novembro, já que o planejamento de dezembro conta com redução de dias úteis e concessão de férias coletivas nas montadoras.

A manutenção desse ritmo de montagem coincide com o período de vazante dos rios na região Norte. Em 2023, uma seca severa reduziu o nível do rio Amazonas e de seus afluentes, provocando paradas em fábricas de Manaus por falta de peças. Para evitar que o problema se repita no fim de outubro de 2026, as empresas anteciparam a formação de estoques de componentes e contrataram rotas logísticas alternativas. “A expectativa é que no fim de outubro a gente tenha o momento mais crítico de seca. Mas o aprendizado que tivemos em 2023, onde a seca foi bastante severa, fez com que as indústrias se preparassem com antecedência … Então, conseguiremos atingir o volume de produção que está projetado”, afirmou Marcos Bento.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

Notícias relacionadas