A pesquisa nacional Conversão em Renda, realizada pela Icatu Seguros em parceria com a agência de dados e comportamento digital Conversion, revelou que 95% dos brasileiros não têm recursos financeiros suficientes para se aposentar. O levantamento, que teve os dados detalhados divulgados na terça-feira, 13 de outubro de 2026, mostra ainda que 92% dos entrevistados não acreditam que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) garantirá estabilidade financeira no futuro.
Mesmo com a percepção sobre a insuficiência do benefício público, 62% dos participantes afirmam não possuir um plano de previdência privada, que funciona como uma reserva adicional para complementar a renda da Previdência Social. Do grupo que declara não ter dinheiro suficiente, 49% admitem que não começaram a se planejar financeiramente ou estão apenas no início da preparação. “As pessoas já têm clareza de que talvez os instrumentos disponíveis hoje não sejam suficientes para a aposentadoria e de que precisam começar a se organizar e se planejar para alcançar o objetivo de ter uma aposentadoria tranquila”, afirmou Henrique Diniz, diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros.
Medos sobre a aposentadoria e estimativa de orçamento mensal
As preocupações apontadas no estudo — cujos primeiros resultados saíram na quinta-feira (8) — partem da dificuldade em manter o padrão de vida e o poder de compra sem a renda vinda do trabalho. O receio de não ter uma reserva de emergência para imprevistos afeta 30% dos entrevistados, enquanto 24% temem que o dinheiro acabe antes do fim da vida e 23% se preocupam com a falta de recursos para cobrir despesas do dia a dia.
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Entre os brasileiros que já conseguiram acumular alguma reserva financeira, 46% avaliam que o montante atual ainda está distante do ideal. Quando questionados sobre o planejamento do orçamento futuro, 58% dos participantes disseram ter apenas uma noção aproximada do valor mensal de que precisarão na velhice, e 14% não conseguem estimar essa quantia. Para Diniz, o avanço da educação financeira estimula a busca por preparo individual: “A difusão de informação, seja pela mídia ou pelas redes sociais, ajuda e favorece o acesso a mais informações e uma compreensão maior sobre a necessidade de planejamento e proteção financeira.”
Despreparo para a aposentadoria por geração, gênero e renda na pesquisa
O levantamento ouviu uma amostragem nacional de 500 pessoas com 18 anos ou mais, de diferentes situações profissionais e regiões do país, composta por 60% de mulheres e 40% de homens. No recorte geracional, a Geração X, formada por indivíduos de 45 a 60 anos, apresenta o maior índice de alerta: 70% não se sentem financeiramente preparados para parar de trabalhar. Segundo o diretor da Icatu Seguros, as gerações mais próximas da idade de se aposentar tiveram menos acesso a produtos desse tipo no passado, visto que a previdência complementar aberta tem cerca de 25 anos no mercado brasileiro, mas o executivo ressalta que “a aposentadoria precisa ser construída muito antes do último dia de trabalho”.
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A desigualdade no preparo para o futuro aparece também nos recortes de gênero e de orçamento doméstico, já que a capacidade de poupar acompanha a margem que a renda mensal deixa após o pagamento das necessidades básicas imediatas. Enquanto 14% dos homens afirmam não ter começado a se organizar para a velhice, o índice chega a 29% entre as mulheres; na divisão por faixas salariais, 64,7% das famílias com ganhos mensais de até R$ 1 mil ainda não iniciaram o preparo, percentual que cai para 3,2% entre as famílias com renda mensal acima de R$ 28 mil.
Escolhas de investimento e busca por orientação para a aposentadoria
Entre os entrevistados que já poupam recursos para o futuro, a previdência privada fica atrás de outras modalidades financeiras e imobiliárias. Na hora de buscar informações sobre a aposentadoria, a maioria recorre ao círculo pessoal em vez de profissionais do setor. Os percentuais de escolha de cada aplicação entre os poupadores e as fontes de consulta dos entrevistados se dividem da seguinte forma:
- Investimentos de baixo risco, como Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Tesouro Direto: 61% dos poupadores
- Caderneta de poupança: 40% dos poupadores
- Compra de imóveis: 34% dos poupadores
- Planos de previdência privada: 27% dos poupadores
- Consulta a familiares e amigos sobre aposentadoria: 66% dos entrevistados
- Orientação com especialistas financeiros: 18% dos entrevistados
- Sem conversa com ninguém sobre o tema: 12% dos entrevistados
- Consulta a corretores de seguros ou de previdência: 5% dos entrevistados
Endividamento no país e organização do orçamento até a aposentadoria
Os dados sobre a falta de reservas para a velhice dialogam com o cenário de orçamento apertado registrado na 5ª edição da pesquisa Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros, realizada em 2026 pela fintech Onze em parceria com a Icatu Seguros. Aquele levantamento ouviu 8.391 pessoas e apontou que 95% dos brasileiros têm algum tipo de preocupação financeira, sendo que 53% não possuem renda suficiente para cobrir os gastos mensais ou estão endividados. Nesse mercado, a Icatu Seguros projeta para 2026 um crescimento de 17% nas reservas de previdência, apoiada na expansão da distribuição, na aquisição de clientes e em soluções de previdência empresarial e conversão em renda.
Para iniciar a formação de uma reserva, a orientação técnica envolve registrar entradas e saídas em planilha, aplicativo ou caderno por alguns meses, priorizar gastos essenciais com moradia, alimentação, saúde e transporte e separar uma quantia fixa mensal ao receber o salário. Na escolha entre investimentos comuns e previdência privada, o trabalhador deve avaliar o objetivo da renda complementar, o prazo até parar de trabalhar, os custos de taxas e tributação e o perfil de risco.
Para quem precisa reorganizar dívidas caras, como cartão de crédito e cheque especial, antes de conseguir poupar, o mercado dispõe de modalidades como o Empréstimo Consignado CLT, voltado a trabalhadores com carteira assinada, que desconta as parcelas diretamente na folha de pagamento e permite comprometer até 35% da renda mensal líquida. Outra modalidade é a Antecipação Saque-Aniversário, que adianta valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quem optou por essa regra no aplicativo oficial do fundo, com desconto direto no saldo do FGTS sem comprometer o orçamento mensal.
