Bayer investe US$ 2,2 bilhões em nova fábrica farmacêutica nos EUA

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Euro, União Europeia, Foto: Euro, União Europeia - Giulio Benzin/shutterstock.com

Um aporte de US$ 2,2 bilhões (valor total do projeto) será destinado pela Bayer para a construção de um novo campus modular de fabricação farmacêutica no New Albany International Business Park, em New Albany, no estado norte-americano de Ohio. Anunciado oficialmente em 2 de outubro de 2026, o empreendimento criará cerca de 600 empregos permanentes de alta qualificação em biofabricação e funções técnicas, além de gerar aproximadamente 1.500 postos de trabalho na construção civil durante a obra.

Paralelamente à expansão física, a empresa obteve na última quinta-feira (8) o aceite da FDA, a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, para analisar o pedido suplementar de novo medicamento (sNDA, sigla em inglês para o processo que avalia uma nova indicação comercial de um remédio já existente) referente ao princípio ativo finerenona, vendido sob a marca Kerendia. “A Bayer vê há muito tempo os Estados Unidos como uma base fundamental de fabricação e um polo de inovação. Este investimento histórico reforça o nosso compromisso. A nova unidade abrigará experiência em fabricação e uma força de trabalho qualificada que fortalecerá nossa capacidade de fornecer medicamentos inovadores e de alta qualidade a pacientes nos Estados Unidos e no exterior”, declarou Bill Anderson, diretor-executivo (CEO) da Bayer, em tradução livre.

Estrutura modular da Bayer em New Albany e incentivos em Ohio

A planta industrial foi desenhada com estrutura flexível para integrar, no mesmo complexo, a produção de substâncias farmacêuticas ativas (os insumos básicos que compõem a fórmula) e de medicamentos acabados, operando com recursos de automação e digitalização. O complexo de New Albany dará suporte ao portfólio da companhia nas áreas de oncologia, doenças cardiovasculares e cuidados renais para abastecer tanto o mercado norte-americano quanto a demanda global, segundo informações divulgadas por Sebastian Guth, diretor global de operações (COO) da Bayer Pharmaceuticals e presidente da empresa nos Estados Unidos.

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O governador de Ohio, Mike DeWine, classificou o anúncio como o maior projeto internacional de saúde e o maior investimento direto alemão já registrado na história do estado. DeWine afirmou ainda que a Bayer, empresa de ciências da vida respeitada globalmente, poderia ter escolhido construir a nova instalação em qualquer lugar dos Estados Unidos, mas optou por Ohio, consolidando o estado entre os líderes globais de biofabricação como destino para investimentos no setor.

Para viabilizar a instalação, a farmacêutica pleiteará incentivos fiscais por meio do Job Creation Tax Credit, programa estadual de crédito tributário para geração de empregos administrado pelo Departamento de Desenvolvimento de Ohio, além de contar com o suporte da organização de fomento econômico JobsOhio. O senador dos Estados Unidos por Ohio, Bernie Moreno, declarou que o estado superou outras unidades da federação na disputa pelo projeto e atribuiu o investimento de US$ 2,2 bilhões da Bayer ao compromisso de Ohio com a inovação, a infraestrutura e a criação de um ambiente voltado ao sucesso dos negócios.

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Formação de mão de obra e cronograma de obras até 2034

A contratação dos trabalhadores priorizará profissionais da própria região central de Ohio, beneficiando-se da proximidade com sete universidades de pesquisa do estado, entre elas a Universidade Estadual de Ohio. O treinamento técnico será apoiado pelo Ohio Life Science Training Center (Centro de Treinamento em Ciências da Vida de Ohio), instalação coordenada pela associação comercial liderada pelo presidente e CEO Eddie Pauline que ficará a poucos quilômetros da fábrica para certificar operadores em biofabricação.

O calendário de execução do projeto farmacêutico e as metas regulatórias e financeiras da empresa seguem etapas distribuídas pelos próximos anos:

  • 3 de novembro de 2026: divulgação prevista dos resultados financeiros do terceiro trimestre da Bayer.
  • 1º de junho de 2027: previsão de inauguração do centro de treinamento profissional em New Albany, no início do verão norte-americano.
  • 1º de janeiro de 2031: previsão de início das operações do primeiro módulo industrial da Bayer, dedicado a substâncias farmacêuticas ativas.
  • 1º de janeiro de 2034: previsão de conclusão do segundo módulo da planta, focado na fabricação de medicamentos acabados.

Expansão de US$ 7 bilhões da Bayer nos Estados Unidos

O projeto anunciado em New Albany soma-se a mais de US$ 7 bilhões que a Bayer já aplicou em pesquisa, desenvolvimento e manufatura farmacêutica nos Estados Unidos ao longo dos últimos cinco anos, integrando uma rede norte-americana que possui sede setorial em Whippany, no estado de Nova Jersey, e instalações operacionais em Pittsburgh (Pensilvânia), Berkeley (Califórnia), Cambridge (Massachusetts), Research Triangle Park (Carolina do Norte) e San Diego (Califórnia). No balanço global do ano fiscal de 2025, a companhia alemã empregou cerca de 88.000 trabalhadores em todo o mundo, período em que contabilizou € 45,6 bilhões em vendas totais e destinou € 5,8 bilhões exclusivamente para projetos de pesquisa e desenvolvimento. O parque industrial de New Albany já reúne outras fabricantes do setor de biotecnologia e nutrição, como a Pharmavite e a Amgen — esta última também anunciou uma expansão própria de US$ 822 milhões no mesmo polo, com entrega prevista para 2027 e abertura de 350 vagas.

Análise do medicamento Kerendia na FDA e desempenho no mercado

Na frente regulatória, o pedido aceito pela FDA em 8 de outubro de 2026 busca liberar o uso do medicamento Kerendia para o tratamento de pacientes adultos com doença renal crônica (DRC) que não possuem diabetes, indicação que agora passa por avaliação técnica da agência antes de eventual autorização comercial. Atualmente, o remédio já tem aprovação nos Estados Unidos apenas para adultos com doença renal crônica associada ao diabetes tipo 2 e para pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE, percentual de sangue que o ventrículo esquerdo bombeia a cada batimento) igual ou superior a 40%.

A solicitação submetida pela Bayer baseia-se nos dados do estudo clínico de Fase III denominado FIND-CKD, que acompanhou mais de 1.500 pacientes e demonstrou uma redução de 23% no risco de eventos compostos renais e cardiovasculares entre os usuários do Kerendia em comparação ao grupo que recebeu placebo. Nos Estados Unidos, mais de 37 milhões de adultos vivem com doença renal crônica, sendo que de 50% a 70% desses pacientes não têm diabetes. Christian Rommel, chefe global de pesquisa e desenvolvimento da Divisão Farmacêutica da Bayer, informou que, para muitas pessoas que vivem com DRC sem diabetes, a função renal pode declinar silenciosamente por anos antes que os sintomas se tornem aparentes, enquanto o risco de falência renal e complicações cardiovasculares continua a aumentar.

No mercado financeiro, informações preliminares apontam para uma variação recente de 0,8% no valor das ações da companhia e citam relatórios do banco JPMorgan segundo os quais as expectativas para o balanço do terceiro trimestre estariam elevadas devido a efeitos temporais no setor agrícola da empresa, mas esses dados específicos de cotação e análise bancária ainda não foram confirmados por fontes independentes. O desempenho consolidado da operação será apresentado oficialmente pela Bayer em 3 de novembro de 2026, data agendada para a divulgação do relatório financeiro trimestral.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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