Defesa antimíssil no Mar do Japão opera com satélites e IA após novos lançamentos da Coreia do Norte

defesa antimíssil - Baloncici/Shutterstock.com

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A Coreia do Norte realizou novos testes de dois tipos de mísseis de cruzeiro estratégicos em direção ao Mar do Japão (também chamado de Mar do Leste) nesta quarta-feira (14), segundo anúncio da agência estatal de notícias norte-coreana KCNA. A movimentação ocorre dois dias após o disparo de mísseis balísticos a partir da região da capital Pyongyang na segunda-feira (12), sequência que acionou a rede de defesa antimíssil operada por Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

De acordo com a KCNA, os armamentos testados nesta quarta-feira são passíveis de transportar ogivas nucleares e projetados para lançamento a partir de submarino, com o objetivo de verificar as capacidades da marinha e de dissuasão nuclear do país liderado por Kim Jong-un. A agência estatal afirmou que o exercício não gerou “qualquer impacto negativo na segurança dos países vizinhos”. Até o momento, não foi especificado pelas autoridades norte-coreanas nem pelas forças sul-coreanas se os mísseis de cruzeiro estratégicos foram disparados de um submarino em operação ou de uma plataforma subaquática de testes.

Como funciona a defesa antimíssil no Mar do Japão com inteligência artificial?

Foto: Guerra missil – Foto: Alones/ Shutterstock.com

O monitoramento do espaço aéreo na região asiática tem início no instante em que o propulsor de um projétil entra em ignição. Satélites militares em órbitas especializadas de alerta precoce utilizam sensores térmicos infravermelhos para identificar o calor liberado na decolagem e transmitem a localização preliminar para centrais de comando integradas. Na sequência, entram em operação os radares terrestres e navais de varredura eletrônica ativa, operando nas bandas S e X, instalados em navios destróieres equipados com o sistema de combate Aegis que patrulham o Mar do Japão. Diferentemente dos equipamentos tradicionais que giram mecanicamente, esses radares contam com milhares de pequenos módulos que emitem feixes eletromagnéticos simultâneos em várias direções, acompanhando dezenas de alvos em alta velocidade a milhares de quilômetros de distância.

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Com os mísseis balísticos atingindo velocidades extremas e altitudes fora da atmosfera terrestre, a reação depende do processamento automatizado e algorítmico dos dados brutos para tomadas de decisão em frações de segundo. Sistemas de inteligência artificial calculam vetores matemáticos para antecipar a rota parabólica do artefato e prever o ponto exato de impacto no oceano, descartando o acionamento de fogo contra projéteis direcionados a áreas marítimas desabitadas e priorizando a proteção de cidades litorâneas e bases navais. Os algoritmos também analisam a resistência aerodinâmica e o comportamento dos objetos em voo para diferenciar ogivas reais, que carregam a carga explosiva, de fragmentos metálicos e iscas liberados pelos mísseis para confundir as baterias de resposta.

Camadas de interceptação do sistema Aegis, THAAD e Patriot na Ásia

Quando os cálculos indicam risco a áreas habitadas ou pontos estratégicos, a rede de interceptação atua em duas camadas distintas de resposta militar. Na fase intermediária do voo, enquanto o artefato percorre sua trajetória balística fora da atmosfera, os destróieres equipados com o sistema Aegis disparam mísseis interceptadores SM-3 para colidir diretamente contra o alvo no espaço.

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Caso o projétil ultrapasse esse bloqueio e inicie a fase terminal de reentrada atmosférica, a defesa passa a ser assumida em solo por baterias terrestres móveis do sistema THAAD (sigla em inglês para Defesa de Área de Alta Altitude Terminal) e por baterias de mísseis Patriot PAC-3. Toda a infraestrutura opera conectada por enlaces de satélite que transferem parâmetros de tiro entre Seul, Tóquio e o Comando do Indo-Pacífico dos Estados Unidos, no Havaí, reduzindo para poucos minutos o tempo entre a detecção inicial e o disparo de contramedidas.

Parâmetros dos lançamentos da Coreia do Norte em outubro de 2026

Os disparos realizados na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, partiram da área de Pyongyang e caíram no oceano fora da Zona Econômica Exclusiva do Japão. Sobre a ação, a KCNA declarou que o exercício utilizou um “míssil balístico tático para confirmar o sucesso na pesquisa para a melhora técnica de um importante elemento básico”. O Estado-Maior Conjunto (JCS, o comando militar máximo das Forças Armadas) da Coreia do Sul, que tem como porta-voz Jang Do-young, registrou o lançamento de múltiplos mísseis balísticos sem detalhar o número exato de artefatos, enquanto o Ministério da Defesa do Japão, onde atua o vice-ministro Takashi Koyari, detalhou os dados de dois disparos específicos:

  • Horário dos disparos de 12 de outubro: o primeiro projétil foi lançado por volta das 9h19 (horário local) e o segundo às 9h36, com um intervalo exato de 17 minutos.
  • Alcance e altitude do primeiro projétil: percorreu aproximadamente 220 km e atingiu altitude máxima de 20 km.
  • Alcance e altitude do segundo projétil: voou a uma distância mínima de 910 km, segundo Tóquio, alcançando 70 km de altitude máxima com indícios de trajetória irregular.
  • Área de queda no Mar do Japão: os artefatos caíram fora da Zona Econômica Exclusiva japonesa, faixa marítima que se estende por 370 km (200 milhas náuticas) a partir da costa do país.

Escalada na Península Coreana e teste hipersônico de Seul

A bateria de lançamentos norte-coreanos ocorre em meio ao agravamento das tensões na Península Coreana desde 21 de setembro de 2026, quando a explosão de duas minas terrestres na Zona Desmilitarizada (DMZ, faixa de fronteira entre as duas Coreias) deixou três soldados sul-coreanos feridos. Uma investigação conjunta conduzida pela Coreia do Sul e pela Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que os artefatos foram plantados por forças norte-coreanas, o que levou Seul a iniciar operações de desminagem na linha divisória.

No início deste mês, no sábado (3), Pyongyang já havia testado um míssil balístico de alcance intermediário projetado para mudar de órbita a baixa altitude e evadir defesas antimísseis. Cinco dias depois, na quinta-feira (8), a Coreia do Sul realizou seu primeiro teste público de um veículo planador hipersônico (HGV, armamento capaz de planar em altíssima velocidade e alterar a trajetória durante o voo), sob a supervisão do presidente sul-coreano Lee Jae-myung. O equipamento sul-coreano atingiu velocidade mínima superior a cinco vezes a velocidade do som (Mach 5). O acompanhamento conjunto dessas movimentações por Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul utiliza o mecanismo trilateral de compartilhamento de dados de alerta de mísseis em tempo real, ativado formalmente pelos três países em 19 de dezembro de 2023 após os acordos firmados na Cúpula de Camp David.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.