A jornalista britânica Liz Hoggard, de 63 anos, submeteu-se em Londres a uma dieta restritiva de 48 horas baseada em mingau de aveia para reduzir o colesterol e o peso corporal. O protocolo alimentar limita o consumo a 1.100 calorias diárias — cerca da metade da ingestão habitual recomendada para mulheres — e foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha.
No ensaio clínico alemão que deu origem ao método, publicado na revista científica Nature Communications em 14 de janeiro de 2026, os voluntários que consumiram exclusivamente as porções determinadas de aveia registraram queda média de 10% no colesterol LDL (fração lipídica considerada prejudicial à saúde cardiovascular). “O nível do colesterol LDL particularmente prejudicial caiu 10% para o grupo da aveia — essa é uma redução substancial, embora não seja inteiramente comparável ao efeito dos medicamentos modernos”, afirmou, em tradução livre, Marie-Christine Simon, professora júnior no Instituto de Ciência Nutricional e de Alimentos da Universidade de Bonn e autora sênior do estudo.
Como funciona o protocolo de 1.100 calorias da Universidade de Bonn?
A metodologia testada por Liz Hoggard e detalhada em seu relato de 27 de setembro de 2026 exige o corte de metade das calorias diárias habituais durante dois dias seguidos, sem o uso de sal, açúcar ou adoçantes. Para adaptar o cardápio restritivo, a equipe da Universidade de Bonn disponibilizou um caderno de receitas com variações doces e salgadas de porridge (mingau de aveia cozido apenas em água), permitindo o acréscimo restrito de especiarias como canela, suco de limão e pequenas porções de frutas ou vegetais frescos ou congelados, a exemplo de pera e alho-poró.
Na rotina prática do experimento em Londres, cada porção individual exigia o aquecimento da aveia com água por cinco minutos, seguido de dez minutos de descanso até atingir consistência cremosa. Embora o volume da tigela preenchia o estômago rapidamente já na metade da refeição, a jornalista relatou um contraste constante entre a saciedade física imediata e a insatisfação do paladar diante da ausência de temperos comuns e da repetição alimentar.
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- Ingestão diária de aveia: 300 gramas totais, divididos em três refeições de 100 gramas cada.
- Teto energético do regime: aproximadamente 1.100 calorias por dia durante o período de 48 horas.
- Hidratação recomendada: consumo de 2 litros de água por dia ao longo do protocolo.
- Bebidas quentes liberadas: até três ou quatro xícaras diárias de chá ou café, preferencialmente sem adição de leite.
Exames de Liz Hoggard em Londres e metas na Randox Clinic
Mesmo mantendo uma rotina fisicamente ativa antes do teste — com caminhadas diárias superiores a 12 mil passos, sessões de musculação e uma alimentação pescatariana (sem carnes de aves ou mamíferos, mas com peixes) rica em fibras —, Liz Hoggard enfrentava dificuldades para baixar suas taxas metabólicas. Com histórico familiar de infarto precoce, ela estabeleceu como metas reduzir as medidas corporais para usar um vestido da estilista Vivienne Westwood comprado há 15 anos em dois aniversários próximos e, principalmente, baixar os índices laboratoriais medidos na Randox Clinic, em Londres.
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Na avaliação clínica inicial realizada antes das 48 horas de dieta, a jornalista apresentava índice de massa corporal (IMC, medida internacional que relaciona peso e altura) de 28, número superior ao limite recomendado de 25. A dosagem de sangue apontou colesterol total inicial de 5,6, patamar também acima da meta clínica de permanecer abaixo de 5,0. Ao término dos dois dias de alimentação exclusiva com mingau de aveia, ela retornou à clínica londrina para repetir os testes de composição corporal, pesagem e dosagem sanguínea, mas os números exatos de seu peso e colesterol finais após a segunda bateria de exames não foram detalhados.
Resultados clínicos e ação no microbioma em 32 voluntários
Para validar os efeitos fisiológicos do regime de 48 horas e divulgá-los em comunicado oficial em 23 de janeiro de 2026, a Universidade de Bonn avaliou 32 voluntários diagnosticados com síndrome metabólica — condição clínica que atinge cerca de um terço da população mundial e reúne excesso de peso, hipertensão arterial, glicose elevada e distúrbios de colesterol. Os participantes foram divididos entre 17 integrantes submetidos ao cardápio de aveia e 15 alocados em um grupo de controle que fez restrição calórica sem o cereal.
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As análises laboratoriais demonstraram que a aveia estimula bactérias específicas do microbioma intestinal (conjunto de microrganismos que habitam o trato digestivo) a produzirem compostos fenólicos, substâncias químicas como o ácido ferúlico e o ácido di-hidroferúlico. Ao entrarem na corrente sanguínea, esses compostos melhoram o processamento do colesterol pelo organismo e inibem moléculas ligadas à resistência à insulina, mecanismo que se soma à ação do beta-glucano, fibra solúvel da aveia associada à saciedade e à redução lipídica em pesquisa publicada em 2024 no periódico Journal of Nutrition.
- Queda no colesterol LDL: redução média de 10% no grupo que consumiu aveia por dois dias.
- Redução no colesterol total: baixa de 8% observada imediatamente após o término das 48 horas.
- Balança e pressão: perda média de 2 quilos (equivalente a 4,4 libras) por participante no estudo alemão, acompanhada de leve redução na pressão arterial.
- Duração do efeito metabólico: 6 semanas de estabilidade na redução do colesterol no sangue mesmo após os voluntários retomarem a alimentação habitual.
Do tratamento de Carl von Noorden no século XX ao teste de 6 semanas
O protocolo testado em 2026 resgata uma abordagem médica criada no início do século XX pelo médico alemão Carl von Noorden, que aplicava dietas intensivas de aveia para tratar pacientes com diabetes antes do desenvolvimento da farmacologia contemporânea. “Hoje, medicamentos eficazes estão disponíveis para tratar pacientes com diabetes. Como resultado, esse método foi quase completamente ignorado nas últimas décadas”, declarou Marie-Christine Simon, em tradução livre, ao explicar a origem histórica da intervenção nutricional.
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Para verificar se o benefício dependia do choque metabólico de dois dias ou apenas da presença do alimento na rotina, a mesma equipe da Universidade de Bonn conduziu um estudo paralelo com duração de seis semanas. Nessa segunda frente, um grupo distinto de voluntários adicionou 80 gramas diários de aveia à dieta normal, sem corte de calorias. O acompanhamento comprovou que a ingestão moderada e contínua ao longo de um mês e meio não atingiu a mesma redução de colesterol obtida pelo regime restritivo concentrado em 48 horas.
