Proprietários dos relógios inteligentes Samsung Galaxy Watch 9 e Galaxy Watch Ultra 2 estão utilizando bases impressas em 3D com ventoinhas de computador para contornar a lentidão na recarga da bateria. O improviso, publicado na segunda-feira (12), reduz em 55 minutos o tempo de tomada ao combater o estrangulamento térmico — mecanismo conhecido como thermal throttling, em que o sistema diminui a potência ou interrompe a passagem de energia quando detecta calor excessivo.
O suporte refrigerado a ar foi desenvolvido por um usuário da rede social Reddit identificado como aloowak, que disponibilizou os arquivos do modelo gratuitamente na plataforma de impressão 3D MakerWorld. “A ventoinha liga quando eu coloco o relógio no carregador; consegui melhorias enormes em temperatura ambiente de 23 °C, de 15% a 100% caiu de 2 horas e 10 minutos para 1 hora e 15 minutos”, afirmou o autor do projeto, em tradução livre.
Como funciona o suporte com ventoinha para o Galaxy Watch 9
Para manter o fluxo de ar direto sobre o fundo do relógio, a estrutura impressa acomoda o disco carregador magnético original exatamente acima de uma ventoinha de computador modelo Noctua NF-A6x25. O projeto inclui um microinterruptor — chave mecânica acionada por pressão, chamada de micro-switch — posicionado na base, que liga o ventilador de forma automática assim que o peso do smartwatch é apoiado no encaixe.
A reprodução da peça por outros donos dos aparelhos da Samsung não depende apenas de uma impressora tridimensional doméstica. O responsável pelo desenho técnico detalhou no subfórum r/GalaxyWatch que a montagem final exige trabalho manual com ferro de solda e a ligação de componentes eletrônicos extras para alimentar o cooler e integrar o gatilho de acionamento automático ao suporte de mesa.
Antes da criação da base com resfriamento ativo por ventoinha, compradores do Galaxy Watch 9 e do Galaxy Watch Ultra 2 já compartilhavam outros métodos caseiros para tentar dissipar o calor acumulado durante o ciclo de bateria. As tentativas registradas nas comunidades de usuários variaram desde o apoio do carregador sobre superfícies metálicas, uso de dissipadores passivos e ventiladores comuns de mesa até o posicionamento da base magnética sobre blocos de gelo combinados com pasta térmica de processadores.
Saiba mais: Carregamento do Galaxy Watch 9 e Ultra 2 frustra usuários, que usam ventilador e gelo
Comparativo de tempo e especificações de recarga do Galaxy Watch 9 e Ultra 2
A necessidade de resfriamento externo ocorre porque o aquecimento faz os relógios operarem muito abaixo da capacidade oficial divulgada pela fabricante sul-coreana. Os números apurados nos testes práticos e nas fichas técnicas dos dispositivos mostram a diferença entre o comportamento esperado e o registrado pelos consumidores:
- Potência máxima nominal dos aparelhos: 10W (5V/2A) tanto no Galaxy Watch 9 quanto no Galaxy Watch Ultra 2.
- Tempo oficial prometido pela Samsung (carga de 0% a 100%): 80 minutos para o Galaxy Watch 9 de 40 mm e 90 minutos para o Galaxy Watch 9 de 44 mm e para o Galaxy Watch Ultra 2.
- Tempo real relatado por usuários sem resfriamento: de 2 a 4 horas para a carga completa em temperatura ambiente normal.
- Desempenho no teste a 23 °C sem ventoinha (15% a 100%): 2 horas e 10 minutos no Galaxy Watch 9.
- Desempenho no teste a 23 °C com a ventoinha Noctua de 60 mm (15% a 100%): 1 hora e 15 minutos (75 minutos) no Galaxy Watch 9.
Reclamações sobre o Galaxy Watch 9 começaram após o lançamento em agosto
Os smartwatches Galaxy Watch 9 e Galaxy Watch Ultra 2 chegaram oficialmente ao mercado brasileiro em 6 de agosto de 2026, equipados com a plataforma de processamento Snapdragon Wear Elite. Pouco depois do início das vendas em agosto de 2026, compradores passaram a abrir tópicos nos fóruns oficiais da Samsung e no Reddit relatando que a potência de entrada durante a recarga caía repetidamente de 5,5W para 3,5W ou valores inferiores à medida que a carcaça esquentava, esticando o tempo na tomada para até 2 horas no modelo de 40 mm e até 4 horas na versão Ultra 2.
Para o criador da base refrigerada, o comportamento indica uma restrição excessiva no gerenciamento eletrônico da recarga, e não uma limitação física do relógio diante do calor. “Não há superaquecimento, eu uso o relógio na sauna seca e ele nunca me deu erro de superaquecimento, é apenas no carregamento; o consumo de energia fica super baixo mesmo em temperatura ambiente normal, precisa ser algo do software da Samsung, mas estou usando o software mais recente e ainda tendo um carregamento péssimo”, declarou aloowak no Reddit, em tradução livre.
Até a publicação desta reportagem, a Samsung não reconheceu oficialmente a falha de aquecimento durante a recarga do Galaxy Watch 9 e do Galaxy Watch Ultra 2. Ainda não há confirmação sobre se ou quando a fabricante disponibilizará uma atualização de firmware para corrigir ou suavizar o gerenciamento térmico dos dois relógios.
